Mercados além-fronteiras

Edição 16 / 1 de dezembro de 2004
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A busca de alternativas de diversificação de carteira pelos investidores institucionais motivou Brasil e México a anunciarem, em novembro, um plano-piloto de integração de mercados, com previsão de ser concluído até o final de 2005.

A intenção é ampliar o leque de opções de investimentos entre os países. Isso significa possibilitar que papéis brasileiros sejam comprados por investidores mexicanos e vice-versa, de forma menos burocrática. Desta forma, seria possível diminuir a fuga de capitais latino-americanos para países desenvolvidos, evitando a segregação de liquidez entre os mercados.

Hoje, pela dificuldade de acesso a mercados latino-americanos, as companhias mais representativas localmente em termos de liquidez acabam listadas em mercados mais desenvolvidos. “Se um mexicano quiser comprar um papel brasileiro, ele terá que fazer a operação via ADR em Nova York”, ressaltou o presidente da bolsa do México, Guillermo Prieto Treviño. A idéia é que as operações nos dois países sejam feitas através de parcerias entre corretoras brasileiras e mexicanas, sem que as ações estejam listadas na bolsa local. Será necessário o reconhecimento de ambas as comissões de valores mobiliários.

A parceria vem em boa hora. Acompanha uma onda de novas regulamentações aplicadas aos fundos de pensão da América Latina que visam permitir alocações maiores do portfólio em títulos de renda variável emitidos em outros países.

O México é um exemplo. A partir de 17 de janeiro de 2005, tendo em vista uma nova regulamentação, será permitido que os fundos de pensão mexicanos pertencentes a companhias do setor privado apliquem até 15% do seu portifólio – em torno de US$ 45 bilhões – em ações nacionais e estrangeiras. Antes, nada podia ser alocado em papéis no exterior. Além disso, há ainda os fundos de investimento, seguradoras e clubes, somando US$ 50 bilhões em ativos.

Isso quer dizer que, só no México, há um total de US$ 100 bilhões disponíveis para possíveis investimentos em renda variável e que, agora, podem chegar com mais facilidade ao mercado acionário brasileiro.

No Chile, o percentual destinado a renda variável, inclusive fora do país, também aumentou. Há cinco anos, o percentual do patrimônio liquido das fundações que podia ser investido em títulos ou ações de empresas estrangeiras passou de 10% para 20%. “O país esgotou as formas de investimento e começou a expandir”, explicou o diretor-geral da Mercer, Eduardo Jauregui. O Peru segue na mesma linha. De acordo com o presidente da Bovespa, Raymundo Magliano, o país tem disponibilidade expressiva de recursos, mas carece de ativos para investir. “Os países latino-americanos ainda não conseguem dar condições para que as aplicações dos fundos de pensão locais sejam feitas de maneira simplificada, integrando os mercados”, disse em evento na Bolsa para anunciar o projeto.


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