Arquitetura do século 21

Bimestral / Editorial / Edição 155 / 7 de maio de 2017
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Os meios digitais avançam sobre o universo empresarial com rapidez surpreendente. Ao mudar comportamentos e gostos dos clientes, eles transformam também desenhos de negócios há muito estabelecidos. Reportagem desta edição sobre os novos caminhos da indústria de distribuição de investimentos no Brasil ilustra bem esse cenário. Para a maioria dos bancos, oferecer produtos de terceiros à própria clientela era uma ideia que não fazia sentido nenhum. Até o dia em que os clientes foram abduzidos pelos smartphones e neles passaram a investir grande parte do seu tempo. O jogo agora é outro.

Em alguns casos, duvida-se de que a mudança seja para melhor. Nos EUA, a abertura de capital da Snap, dona do Snapchat, chancelou que para as startups digitais a igualdade de direitos entre acionistas é uma bobagem. Os investidores da rede social acabaram de topar o ingresso na companhia sem receber em troca direito a voto ou a dividendos — e nem mesmo a palavra otimista dos fundadores de que um dia o lucro virá. Eles confiam nos donos, e isso é tudo. É preciso mais do que ser sócio de gente tão esperta?

Para o colunista Ney Carvalho, o excesso de confiança em líderes midiáticos é perigoso. Especialmente quando eles têm poder demais e dinheiro de menos no negócio. Ele aborda a questão a pretexto das ações superpreferenciais, emitidas no Brasil recentemente pela companhia aérea Azul. O tema é também debatido na seção Antítese.

Para a capa, Rodrigo Petry escreve sobre os sequenciais golpes sofridos pela JBS. Alvo de denúncias diversas — do recebimento indevido de dinheiro de fundos de pensão a suborno de autoridades e malfeitos ambientais —, a companhia e sua controladora são uma caixa aberta de Pandora, à espera da próxima notícia ruim. Sua história deve iluminar a fronteira em que atividades comerciais espetaculares como as da JBS são contaminadas por graves problemas de governança.

A ética, a propósito, volta à seção Opinião. O psicanalista Hamilton Frediani Corrêa mergulha nas razões pelas quais a consciência ética propalada nos códigos e discursos das organizações não se traduz em ações práticas. A conquista de novos modelos, entretanto, comprova-se cada vez mais indispensável às organizações que esperam resistir à arquitetura de negócios do século 21, como mostra o colunista Alexandre Di Miceli.

P.S.: A CAPITAL ABERTO também propõe uma arquitetura nova para você, leitor. Em maio, lançamos um aplicativo de leitura para smartphones e tablets com funções exclusivas. Ele permitirá ao leitor ler off-line, salvar e catalogar textos, escolher filtros diversos e compartilhar conteúdo, entre outras interações. Basta fazer o download nas lojas da Apple ou do Google. Com o novo app, todo o conteúdo da CAPITAL ABERTO passará a ser publicado originalmente nas plataformas digitais.



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Tags:  editorial simone azevedo

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