Um convite especial

Natura foge da sisudez das assembleias tradicionais e atrai público recorde de pessoas físicas para seu encontro em Cajamar

Governança Corporativa/Reportagem/Governança Corporativa - Coletânea de Casos 2012/Temas / 1 de julho de 2012
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A área de relações com investidores (RI) da Natura recebeu, nos meses de março e abril, ligações inesperadas de investidores pessoas físicas. Eles não queriam fazer perguntas sobre as ações da companhia, mas agradecer a gentileza de terem sido convidados para participar, no dia 13 de abril, do evento para os acionistas no Espaço Natura, em Cajamar (SP). Em alguns casos, o telefonema era para dizer que, infelizmente, não poderiam comparecer. “Não há necessidade de fazer isso, mas o investidor de varejo fica tão lisonjeado que se sente na obrigação de nos ligar pedindo desculpas pela ausência”, observa Moacir Salzstein, diretor de governança.

O objetivo da Natura é promover um evento que aproxime os pequenos investidores dos administradores da companhia. No encontro em Cajamar, eles têm a oportunidade de conversar com os principais executivos da empresa e acompanhar em vídeo, ao vivo, as assembleias ordinária (AGO) e extraordinária (AGE) promovidas, por força da lei, na sede social, em Itapecerica da Serra. Além disso, podem fazer perguntas ao trio de acionistas controladores da companhia — os copresidentes do conselho de administração Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos. Desde o primeiro evento nesse formato, em 2010, a participação dos acionistas vem aumentando. Este ano, 350 pessoas compareceram a Cajamar, número 40% superior aos 250 computados em 2011.

Apesar de ser uma empresa com controlador definido e, portanto, sem a necessidade de estimular a presença de acionistas pessoas físicas nas assembleias para obter o quórum mínimo de votação, a Natura faz questão de cuidar do relacionamento com esse público. Seu free float é de aproximadamente 40%, sendo 10% diluídos entre os mais de 9 mil investidores de varejo. Segundo Salzstein, a decisão de organizar o evento passou pelo desejo da companhia de oferecer aos acionistas minoritários algo a mais do que pede a regulamentação do mercado de capitais. “Mas, para isso, buscamos realizar algo caprichado, que é nossa marca registrada”, ressalta.

O convite do evento é enviado a cada um dos 9 mil investidores de varejo. O manual da assembleia, disponível no site, é diagramado em várias cores, para atrair a atenção. Nele, a Natura publicou um quadro com cada uma das propostas de alteração do estatuto social a serem deliberadas na assembleia e suas respectivas justificativas. Além disso, apresentou, claramente, todos os procedimentos para participação no evento. Os votos podiam ser proferidos pessoalmente na unidade de Itapecerica da Serra ou por meio da internet, pela plataforma eletrônica “Assembleia na Web”.

Os acionistas que participam das assembleias em Itapecerica são transportados, no fim das reuniões, até Cajamar. Após a sessão de perguntas e respostas, os investidores são convidados a visitar as instalações da fábrica. “Isso tira aquele caráter extremamente formal que desestimula a participação do investidor individual”, opina Salzstein. Tanto é verdade que alguns investidores passam a ver os encontros como um lazer. “Alguns já nos ligaram perguntando se poderiam levar filhos e netos”, conta o diretor.

Salzstein destaca ainda que o evento vem ganhando força não apenas na quantidade de participantes, mas também na qualidade das perguntas. “Os questionamentos, que nos primeiros anos eram mais pontuais, agora vêm ganhando contornos estratégicos”, analisa. Este ano, duas manifestações de investidores de varejo se destacaram: a da aposentada Maria Lucia Salles, que perguntou se a Natura pensava em desenvolver produtos específicos para o consumidor africano; e a do investidor Abelardo Fraga Junior, que compartilhou com os administradores sua frustração de ver que algumas corretoras de valores têm uma “visão insossa da empresa”.

A Natura deu prosseguimento este ano à iniciativa de aproveitar o encontro para realizar também uma “reunião Apimec” com analistas e profissionais de investimento. Para o diretor de governança, a ideia foi acertada. “Numa mesma tacada, valorizamos a Apimec e racionalizamos o tempo dos executivos, que conversam de uma vez só com os analistas e com os pequenos investidores”, diz.

Mas se o modelo de encontro de acionistas da Natura é tão bom, por que ainda não foi copiado? “As outras empresas desanimam quando se deparam com os custos financeiros, razoavelmente superiores aos de uma assembleia nos moldes tradicionais”, destaca Salzstein.


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