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Private equity para iniciantes

Entendendo o funcionamento e as estratégias dessa indústria crescente no Brasil



Curiosamente, no momento em que escrevo esta resenha, um jornal de grande circulação em relevância nacional publica um extenso caderno de negócios sobre a indústria de private equity (PE) e venture capital (VC) no Brasil. Não é à toa. Pesquisas sobre transações de fusões e aquisições no Brasil indicam que os fundos de PE e VC foram responsáveis por aproximadamente 30% dos negócios nos últimos dois anos; além disso, cerca de 40% das empresas que abriram capital após 2007 tiveram esses fundos como investidores antes da oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). Há amplas evidências de que esta classe de investidores especializados tem se firmado como um participante de grande relevância para o mercado de capitais brasileiro.

O investimento em private equity é aquele feito em empresas fechadas (em oposição àquele em companhias listadas em bolsa, chamado de investimento em public equities). Já venture capital constitui um capítulo específico da arena de PE e trata do aporte em empresas de capital fechado e em estágio inicial de desenvolvimento. Apesar das primeiras iniciativas brasileiras de sucesso nesta classe de ativos terem ocorrido ainda na década de 1980, pode-se afirmar que, só após as duas primeiras ondas de captação e investimento (privatizações e “boom” de tecnologia), o segmento parece firmar-se de fato. Além de atrair o interesse da grande mídia, o mundo acadêmico e editorial tem dedicado atenção crescente ao assunto. Neste contexto, surge a primeira publicação sobre PE e VC focada no mercado brasileiro (pelo menos, no conhecimento deste comentarista).

A maior virtude do Manual de Private Equity e Venture Capital reside na linguagem acessível e na habilidade de condensar informações relevantes do ambiente institucional brasileiro. Por outro lado a escolha pela simplicidade em um tema abrangente e sofisticado leva a um baixo aprofundamento em alguns pontos-chave, o que limita sua contribuição a profissionais da indústria de PE e VC. Os capítulos sobre gestão de empresas investidas e relacionamento entre gestores e quotistas dos fundos constituem boas contribuições a esse público. Por fim, os três casos apresentados no livro têm uma tênue relação com a atividade de PE e VC no Brasil — uma área em que o mundo acadêmico poderia contribuir de forma mais significativa, estudando os efeitos que um sócio ativista tem sobre a gestão de uma empresa.

Ao avaliar a evolução da indústria de PE e VC no Brasil, é adequado imaginar que estejamos na transição entre a adolescência e a idade adulta. A própria falta de histórico de sucesso (track record), por não haver um número significativo de fundos (há poucas gestoras com histórico relevante), limita a captação de novos fundos e o amadurecimento por parte de cotistas e gestores de PE. Já no campo do arcabouço regulatório, institucional e jurídico, ainda persistem riscos exógenos à atividade de PE e VC, que limitam seu potencial de alavancar resultados e elevam custos e riscos para todos os envolvidos, sem nenhuma contrapartida. Considerando o contexto da necessidade de investimentos para fazer frente aos desafios do crescimento acelerado (sem contar os eventos de Copa do Mundo de futebol e Olimpíada), é fundamental que os “players” deste mercado busquem fomentar melhorias no ambiente regulatório. Só assim poderão cumprir seus mandatos de investimento e seguir canalizando recursos para a economia real com eficiência.


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Tags:  Abertura de Capital/IPO Private equity e venture capital Encontrou algum erro? Envie um e-mail



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