Mercado e governança na vida real

Governança Corporativa / Editorial / Edição 11 / Temas / 1 de julho de 2004
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É verdade que este ainda não se revelou o ano da recuperação esperada nos últimos momentos de 2003. Mesmo assim, pelo menos no que diz respeito ao mercado de capitais doméstico, cabe reconhecer que a realidade dos fatos foi bem menos frustrante que no contexto macroeconômico.

Três novas companhias abriram o capital – Natura, Gol Linhas Aéreas e ALL Logística – e, segundo fontes credenciadas, outras cinco estão trabalhando para fazer o mesmo ainda este ano. Nos três casos, a demanda superou de longe o volume de papéis lançados e, embora investidores institucionais ainda tenham abocanhado grande parte das emissões, pessoas físicas mostraram apetite surpreendente para alocar suas poupanças em papéis das estreantes. A esses investidores, elas deram sinais de que chegavam com compromisso de longo prazo e disposição para um relacionamento de boa fé. Aderiram aos níveis 2 ou Novo Mercado da Bovespa, segmentos especiais de listagem que fazem uma série de exigências quanto ao tratamento eqüitativo dos acionistas e à transparência na divulgação das informações.

O tempo mostrou que os avanços da legislação e da auto-regulação nos últimos anos tinham razão de ser. Mesmo sem um mercado de capitais vivo para fazer a ponte entre a teoria e a prática, os novos conceitos de boa governança corporativa foram capazes de reservar seu espaço nas emissões que viriam em 2004. E de compor uma estrutura de padrões de conduta para as relações entre companhias e investidores que dificilmente voltará atrás. Agora que as regras do jogo são mais justas e modernas, só resta conferir se a conjuntura econômica dará estímulos para que emissores e poupadores continuem motivados a entrar em campo.

GOVERNANÇA CORPORATIVA – Na edição de julho da Capital Aberto, os leitores encontram uma série de reportagens sobre o tema que revolucionou a gestão das companhias em todo o mundo no passado recente. Com um foco especial nas questões de governança que estão na pauta das empresas brasileiras, fala-se aqui das medidas em curso para adaptação à Sarbanes-Oxley, da primeira experiência com o rodízio obrigatório de auditorias, dos sistemas mais adequados para o alinhamento de interesses entre executivos e sócios e dos desafios de formar e manter um conselho de administração apto a gerenciar o equilíbrio das relações em todas as estruturas de uma companhia aberta. Um desafio e tanto para empresas tradicionalmente familiares, com estruturas de propriedade altamente concentradas e sem a cultura de viabilizar crescimento através do mercado de capitais. Sem dúvida, um tema ainda repleto de oportunidades para novas reflexões e idéias que contribuam para melhorar a vida das companhias e criar valor à sociedade brasileira.


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