Fim do ITR e adoção do relatório integrado são os xodós da governança corporativa

14/10/2014

Governança Corporativa/Seletas / 14 de outubro de 2014
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Paul Polman, CEO da Unilever, tem um discurso de fazer ambientalistas e defensores da boa governança encherem os olhos de água. As empresas não podem esperar que governos e associações internacionais encontrem soluções para acabar com a pobreza e frear as mudanças climáticas. “Não temos escolha: negócios não podem prosperar em sociedades falidas”, disse, em vídeo exibido no 15º congresso do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC). Listou as práticas da fabricante de produtos de uso doméstico para contribuir num mundo mais justo. O fim do informe trimestral de resultados (ITR) e a adoção do relatório integrado figuravam na lista, ao lado de atitudes mais palatáveis em termos de propaganda, como a redução do impacto ambiental dos seus produtos e programas de inclusão social. 

O ITR vem sendo apontado como vilão porque contribui para uma obcecação por resultados de curto prazo. A necessidade de mostrar bons resultados financeiros com tanta frequência pode gerar administradores e acionistas muito focados no agora. Apesar de defender o fim dos informes trimestrais, o que a empresa cortou, até o momento, foi o guidance — prática em que os administradores revelam suas expectativas de lucros para o próximo período de três meses. Eliminar as divulgações trimestrais exigiria reforma regulatória: tanto no Reino Unido, onde a Unilever é sediada, como nos Estados Unidos e no Brasil, elas são obrigatórias.

Já o relatório integrado virou sinônimo de uma visão holística da função de companhia. Lucro e faturamento são expostos juntamente com externalidades trazidas pelo negócio nas áreas social e ambiental, além de informações sobre recursos humanos. Alguns países, como Dinamarca e África do Sul, adotam o modelo “pratique ou explique” com relação a esse documento: ou a companhia o utiliza ou deve explicar o porquê de não fazê-lo. “Países da Comissão Europeia devem caminhar para isso também. A tendência é que eles sejam amplamente usados em breve”, prevê Roberto Waack, conselheiro do IBGC. 




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Tags:  Governança Corporativa Estados Unidos ITR Brasil CAPITAL ABERTO mercado de capitais Reino Unido África do Sul divulgação de informações Unilever Paul Polman Dinamarca relatório integrado IBGC Encontrou algum erro? Envie um e-mail



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