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A bíblia do investimento institucional de longo prazo finalmente traduzida para o português

Gestão de Recursos/Prateleira/Edição 140 / 1 de abril de 2015
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Para uma obra receber o apodo de “bíblia” ou “clássico”, ela deve passar pelo teste do tempo, especialmente quando o conteúdo é técnico. Passados quase 15 anos desde sua primeira publicação nos Estados Unidos, Desbravando a gestão de portfólios, de David Swensen, segue seu reinado absoluto como referência para o investimento institucional de longo prazo. Agora, finalmente, a obra recebe uma versão em nosso idioma. Atemporal, ela se baseia em linguagem lúcida, didática e amplamente amparada por evidências empíricas.

Swensen ocupa, desde 1985, a posição de diretor de investimentos do fundo patrimonial da Universidade de Yale. A renomada instituição vinha de um período conturbado no controle de suas finanças. Encontrou num ex-aluno alguém que viria a revolucionar a sabedoria convencional da gestão de investimentos de longo prazo. Desde que ele assumiu a cadeira, o fundo patrimonial de Yale apresentou retorno composto muito acima do mercado e cresceu mais de US$ 20 bilhões (dado de 2009) em termos absolutos. Como se essa credencial formidável não fosse suficiente, ele se dispôs a compartilhar seus segredos de modo elegante e estruturado.

O livro começa pela descrição dos objetivos de um fundo patrimonial, para delimitar claramente o mandato dos gestores no gerenciamento de seus ativos e obrigações. Diferentemente da gestão do fundo de ações, cujo foco único é produzir altos retornos, o fundo patrimonial agrega a essa necessidade a obrigação de suportar uma despesa de cunho social. Em outras palavras, sua administração deve estar atenta tanto à geração de retornos quanto ao cumprimento de seu objeto social (no caso de Yale, ajudar a pagar as despesas da universidade). Trata-se de um processo conhecido pelo nome em inglês de “asset liability management”.

A partir dessa definição crítica, o autor estabelece uma filosofia de investimentos compatível com a missão de longo prazo, que apoia o processo de alocação através das diferentes classes de ativos. Numa época em que os fundos patrimoniais dividiam sua alocação entre ações e renda fixa, Swensen introduziu novos destinos para a aplicação de recursos: private equity, venture capital, fundos de hedge, imóveis e outros. O alto retorno das classes de maior volatilidade, aliado aos benefícios da diversificação, promoveram uma elevação nos ganhos sem significativa contrapartida nos riscos.

Além das profundas discussões sobre as diferentes classes de ativos e sua contribuição para uma carteira com retornos otimizados por unidade de risco, o autor discorre com autoridade a respeito dos conflitos de interesse inerentes à indústria de gestão de recursos. À proporção que o administrador de um fundo patrimonial entra no território dos ativos alternativos, o uso dos intermediários é cada vez mais necessário — e o processo de seleção de gestores torna-se um elemento crítico de sucesso.

As modas vêm e vão, mas o tempo demonstra que os maiores aliados dos altos retornos em gestão de recursos são o conhecimento, a disciplina e os processos. Segundo Einstein, loucura é esperar resultados diferentes fazendo sempre a mesma coisa. Hoje podemos agradecer pelo pioneirismo e pela coragem de Swensen em desafiar o pensamento convencional reinante no ambiente dos fundos patrimoniais universitários, dominado pelas torres de marfim dos acadêmicos. A inovação e o mundo precisam de seus iconoclastas.

Desbravando a gestão de portfólios: uma abordagem não convencional para ao investimento institucional – David F. Swensen – Editora: BEI – 407 páginas, 1ª edição, 2014




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Tags:  CAPITAL ABERTO mercado de capitais diversificação Debravando a gestão de portfólios David Swensen investimento institucional Universidade de Yale fundo patrimonial Einstein retornos otimizados por unidade de risco asset liability management Encontrou algum erro? Envie um e-mail



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