Esperando a decolagem

Mercado estuda oportunidades abertas pelas concessões para a operação de aeroportos

Bimestral / Governança Corporativa / Temas / Edição 94 / 1 de junho de 2011
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O setor de infraestutura aeroportuária poderá passar, em breve, a integrar o portfólio de investidores. Em maio, foi publicado o edital para a concessão da construção do aeroporto de São Gonçalo do Amarante, na região metropolitana de Natal (RN), o primeiro a ser erguido pela iniciativa privada. Também foi anunciada a privatização da operação e a administração dos aeroportos de Guarulhos (SP), Viracopos (SP) e Brasília (DF), que passarão por obras de ampliação. Como as concessionárias terão de se endividar para colocar essa malha aeroviária em dia, a expectativa é de que o mercado de capitais seja um dos financiadores.

Para a operação desses aeroportos, serão criadas Sociedades de Propósito Específico (SPEs), nas quais a Infraero terá, no máximo, 49% de participação — o controle deverá ficar em mãos privadas. De acordo com Isacson Casiuch, sócio de investment banking do Banco Modal, o interesse dos investidores na empreitada é grande, e já há estudos sobre as possibilidades de aportes.“O setor tem muita rentabilidade ociosa devido à atual ineficiência, mas tende a ser bastante lucrativo.” Ele considera a emissão de debêntures uma das principais apostas para financiamento das SPEs, ao lado de empréstimos bancários e públicos.

Para o aeroporto de Guarulhos, a consultoria PwC estimou investimentos da ordem de R$4,6 bilhões, dos quais R$ 1,2 bilhão virá da Infraero. “É um tipo de operação alavancada. As empresas privadas responsáveis pelas obras terão de operar com 30% de capital próprio e 70% em dívidas. O BNDES não vai poder bancar tudo”, diz Paulo Dal Fabbro, especialista em project finance e diretor da PwC. Além das ofertas de debêntures, o executivo acredita que o setor proporcione a criação de fundos de investimento imobiliário (FIIs) e em direitos creditórios (FIDCs).

Casiuch faz uma ressalva: há aeroportos operando por concessão no Brasil, como o de Cabo Frio (RJ), mas que não servem de parâmetro, pois são pequenos e não foram construídos pela iniciativa privada. Falta um histórico de rentabilidade. O advogado Felipe Ferreira Silva, sócio do escritório Emerenciano, Baggio e Associados, pondera que se deve atentar aos modelos de administração. “Não dá para mensurar os riscos de investir no setor aéreo. Será preciso observar de que modo vai se dar a interferência da Infraero na SPE, por exemplo”, alerta.


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