Energia renovada

Nota máxima em governança e retomada da atividade econômica garantem o bom ano da EDP Energias do Brasil

Captação de recursos/Especial/Reportagem/As Melhores Companhias para os Acionistas 2010/Temas / 1 de setembro de 2010
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Há três anos, o português Miguel Amaro trocou o cargo executivo na direção do grupo EDP em Lisboa pela função de CFO, na complexa operação da empresa no Brasil. Desde então, tem acompanhado de perto a trajetória da companhia para elevar seus resultados econômico-financeiros e gerar mais eficiência. Mesmo em um ano de incertezas, como o de 2009, a EDP Energias do Brasil não abriu mão de sua estratégia de crescer em geração de energia. Inaugurou a Pequena Central Hidrelétrica (PCH) de Santa Fé, no Espírito Santo; deu continuidade à construção da Usina Térmica de Pecém, no Ceará; e começou a implantação, em associação com a EDP Renováveis S.A., do novo parque eólico de Tramandaí, que será erguido no Rio Grande do Sul.

Essa determinação, aliada a resultados econômicos positivos, fez com que a holding ocupasse o segundo lugar no ranking As Melhores Companhias para os Acionistas, na categoria de valor de mercado entre R$ 5 bilhões e R$ 15 bilhões. Quarto maior distribuidor privado de energia no País, a EDP Energias do Brasil atende sozinha algo como 8 milhões de brasileiros — o equivalente a cerca de 80% de toda a população de Portugal —, em áreas de concessão em São Paulo e Espírito Santo.

No ano passado, o lucro líquido da empresa foi de R$ 625 milhões, 61% a mais em comparação a 2008, não apenas pelo bom desempenho operacional, mas também pela venda da participação na ESC 90 Telecomunicações, concretizando o objetivo da holding de concentrar cada vez mais a atuação no seu negócio principal. Em 2009, o resultado operacional da EDP foi de R$ 947,48 milhões, contra R$ 595,90 milhões em 2008.

No quesito valor econômico adicionado (EVA, na sigla em inglês), a EDP tirou nota 7. “A economia brasileira é muito promissora, mas enfrentamos momentos conturbados em 2008 e 2009, especialmente porque as indústrias, nossos maiores consumidores, reduziram sua demanda. Houve recuperação da produção apenas no fim do ano passado”, conta Amaro.

No item total shareholder return (TSR), que mede o desempenho do preço das ações acrescido de dividendos, a EDP ganhou sete pontos, acima da mediana de 5,5 da categoria. Contribuiu para esse resultado a política de distribuir dividendos e juros sobre o capital próprio equivalentes a no mínimo 50% do lucro líquido da companhia. Em 2010, os acionistas receberam R$ 296,3 milhões em proventos referentes ao exercício de 2009. A oscilação das ações da EDP em bolsa também foi positiva. Entre 31 de maio de 2009 e 31 de maio de 2010, período em que o TSR foi mensurado, o retorno das ações da empresa (incluindo os dividendos) menos o custo de capital próprio atingiu 16,9%.

Venda da ESC 90 Telecomunicações concretiza objetivo da holding de concentrar a atuação no seu negócio principal

Amaro está confiante de que os ventos soprarão a favor da empresa. Apesar da boa posição que desfruta no Sudeste, a EDP planeja ampliar sua atuação no Sul, onde mantém participação na Usina Hidrelétrica Lajeado (SC) e no Centro-Oeste, como investidora da Usina Hidrelétrica Peixe Angical (TO), atualmente operada pela transmissora e geradora de energia Furnas. A partir de 2012, em sociedade com a MPX, do grupo de Eike Baptista, vai operar uma geradora de energia no Ceará. “A EDP tem vocação para ganhar capilaridade no Brasil e consolidar-se entre as maiores geradores e distribuidoras privadas do País”, acredita o CFO.

No segundo trimestre de 2010, o lucro líquido da EDP totalizou R$ 127 milhões. Excluindo o efeito de R$ 121 milhões resultante da venda da ESC, houve um incremento de 39% no período. Além do crescimento econômico, a venda de ativos permitiu à EDP reduzir os gastos com juros da dívida. “Quase a totalidade dos débitos da energética estão hoje indexados à TJLP (taxa de juros de longo prazo), o que melhorou a rentabilidade da empresa”, assegura Amaro.

Para alavancar sua eficiência, a companhia também implementou o programa Vencer, no qual foram estabelecidas metas financeiras e operacionais para todas as áreas da organização. Segundo Amaro, as mudanças dinamizaram a gestão interna, valorizando os colaboradores que apresentam melhores resultados.

Na nota de governança corporativa, outra boa notícia. A companhia, que conquistou dez pontos nesse quesito, se orgulha, por exemplo, de ter um conselho de administração com 50% de independentes, acima dos 20% exigidos pelo Novo Mercado. A holding também obteve boa avaliação no critério sustentabilidade. Há quatro anos faz parte do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE). Além de ser uma preocupação da empresa, os cuidados com o meio ambiente também produzem negócios. A EDP mantém duas fazendas de energia eólica nos municípios de Água Doce e Horizonte, em Santa Catarina. A operação eólica responde hoje por 6,3 MW dos 1738 MW que a companhia gera e distribui no Brasil todo. Um percentual pequeno, mas que a empresa quer expandir.


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