Depois de Getninjas e Cielo, onda de OPAs deve continuar
Ações baratas e custos altos para se manter na bolsa incentivam fechamento de capital
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Em janeiro foi a OPA (oferta pública de aquisições) da Getninjas. Agora é a vez da Cielo. E, em tempos de ações baratas, tudo indica que a onda de fechamento de capital deve continuar. A avaliação é compartilhada por Maiara Madureira, sócia na área de companhias abertas do Demarest Advogados, e Thiago Lourenço, operador de renda variável da Manchester Investimentos. “Temos percebido um movimento de recompra das ações ou, em alguns casos, como o da Cielo, de realização de ofertas no mercado para fechar o capital”, diz Lourenço.

“A recompra de parte do negócio pode acabar sendo o melhor investimento que a empresa pode fazer”, diz. Com o preço da recompra frequentemente abaixo do vendido no IPO, não é difícil entender a matemática por trás da transação. Lourenço exemplifica a vantagem com o caso hipotético de uma companhia que faz o IPO com ações a dez reais e recompra por cinco. “Se a empresa acredita que vale muito mais do que cinco reais, é um bom negócio, pois ela se capitalizou por dez, recomprou por cinco e ainda sobrou cinco”, diz. Segundo ele, a estratégia é mais comum entre empresas de menor porte, frequentemente controladas pelos fundadores. 

Os custos e as obrigações referentes às companhias abertas também afetam as decisões. “Manter uma empresa aberta ou listada é caro, com várias obrigações, principalmente em relação à transparência, que exige estruturas internas de fiscalização e controles”, diz Maiara Madureira. Com isso em vista, na sua avaliação, muitas vezes é o cálculo de custo-benefício da manutenção do capital aberto que dita a decisão por uma OPA – conta que pode não compensar para empresas sem necessidade de captação de recursos na bolsa no longo ou no médio prazo.


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Apesar das vantagens para as empresas, o fechamento de capital nem sempre é bem-vindo. “Olhando friamente, não é uma prática muito saudável quando pensamos em querer ter um mercado mais maduro”, avalia Lourenço. O movimento, segundo ele, reduz a transparência e o nível de governança das empresas.

Acionistas, sobretudo os  minoritários, também podem sair prejudicados. “A empresa abre o capital, eles investem nela, os preços caem e a companhia fecha o capital numa OPA com preço mais baixo do que o pago originalmente, sendo que compartilhavam a visão do controladores de que o preço se recuperaria no futuro”.

 Cielo

No caso da Cielo, o preço ofertado é de R$ 5,35 por ação, que será ajustado por proventos, incluindo o Juros sobre Capital Próprio (JCP) de R$ 410 milhões, com pagamento em abril. 

O valor pode criar descontentamento.  “O baixo potencial em relação ao preço da oferta deve criar discussões sobre o valuation de fechamento de capital, assim como foi quando o Itaú fechou o capital da Redecard (Rede) em 2012”, diz relatório da Genial. 

“Considerando o preço de fechamento de ontem (5) de R$ 5,03 por ação, o preço da oferta de R$ 5,35 daria um upside de apenas 6,36%. Se descontarmos o JCP a ser recebido, o upside cairia para meros 3,4%”, continua o documento. Mas Lourenço pondera: “Eles estão pagando um pouquinho acima do valor do mercado, mas o mercado está barato. A ação está disponível e ninguém paga mais caro.”

Caso a OPA seja concretizada, o Banco do Brasil (BB) ficaria com 49,99% do capital da Cielo; e o Bradesco, com o restante (50,01%), diz o relatório. Atualmente, o BB tem participação de 28,65% na Cielo; e o Bradesco, de 30,06%. O free float (ações em circulação) da Cielo fica em 40,57%.

O relatório da Genial também diz que os últimos resultados da empresa vieram alinhados com as expectativas do mercado. O lucro de R$ 481 milhões no terceiro trimestre de 2023, “sem grandes brilhos”, cresceu 5,3%  em comparação com o trimestre anterior, mas caiu 1,9% na comparação com igual período do ano anterior, diz a gestora.

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