Bolsa cria “rebate” para as corretoras

Captação de recursos/Adiante/Edição 121 / 1 de setembro de 2013
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A BM&FBovespa se prepara para dar mais uma tacada na tentativa de atrair investidores para o mercado de ações — e, ao mesmo tempo, aliviar a gritaria das corretoras de valores, que se queixam dos elevados custos de operação e das receitas decrescentes há pelo menos cinco anos. A Bolsa está desenvolvendo um programa que atribuirá às corretoras “créditos” de valor equivalente às taxas de negociação (emolumentos) pagas pelos novos investidores nas operações que realizarem no pregão.

No mercado à vista de ações, por exemplo, a Bolsa cobra das pessoas físicas 0,005% do valor de cada negócio a título de remuneração pela transação e mais 0,0275% pela liquidação. “As corretoras que conseguirem aumentar a sua base de clientes poderão obter um ‘rebate’ razoável”, diz Edemir Pinto, presidente executivo da BM&FBovespa. Os créditos servirão como uma espécie de moeda que as corretoras estarão liberadas a usar no pagamento da sua conta mensal com a Bolsa, que inclui taxas pelo acesso aos mercados e de fornecimento de dados, entre outros custos. Poderão participar do programa, que deve durar entre dois e três anos, as instituições que apresentarem projetos de prospecção de clientes que incluam atividades de educação financeira.

A iniciativa chega ao mercado em um momento crítico tanto para a Bolsa quanto para a indústria da intermediação. Diante do mau desempenho do mercado acionário nos últimos anos, a BM&FBovespa teve que jogar de 2015 para 2018 a meta de atrair 5 milhões de investidores. O número de pessoas físicas cadastradas para operar encontra-se estagnado há quatro anos — hoje são 630 mil. Já as corretoras enxergam nas taxas cobradas pela Bolsa um fator que inviabiliza lucrar com o negócio de ações. “A tarifação vigente não é justificável num mercado em que há tão poucos investidores. A Bolsa está matando as corretoras”, diz o sócio de uma corretora independente.

Um estudo desenvolvido por Marcelo Verdini Maia, coordenador do curso de Ciências Econômicas do Ibmec, indica que as corretoras independentes — as que mais dependiam dos usuais repasses de recursos feitos pela Bolsa antes da sua abertura de capital, em 2007 — registraram uma redução de 76% no resultado operacional ao longo dos últimos sete anos. Das 13 maiores, seis tiveram prejuízo em 2012. Ao mesmo tempo, a receita da Bolsa com o acesso de participantes aos ambientes de negociação cresceu cerca de 22% de 2009 para cá.

Esse não é o primeiro programa desenvolvido pela BM&FBovespa para reduzir os custos das corretoras. Recentemente, elas foram dispensadas de recolher recursos ao Mecanismo de Ressarcimento de Prejuízos (MRP), uma espécie de fundo de garantia ao qual os investidores podem recorrer quando sofrem perdas devido à atuação das corretoras. Há serviços, como o Sistema Integrado de Administração das Corretoras (Sinacor), por exemplo, que não têm os preços reajustados há seis anos.

A Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias (Ancord) também vem agindo. No ano passado, deu início a um sistema em que negocia preços especiais com fornecedores para as corretoras que contratarem determinados serviços em conjunto. “Mas o mercado continua retraído. Enquanto não houver investidor, não vai mudar muita coisa”, diz José David Martins Júnior, diretor superintendente da Ancord.


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