Dias melhores para o value investing

Estratégia, que prioriza o potencial das empresas a longo prazo, volta a chamar a atenção de gestoras de recursos e investidores 



Dias melhores para o value investing

“Value rally” ainda tem espaço para continuar em 2021 | Imagem: vectorjuice/freepik

Após um ano marcado pelo rali de ações de crescimento (growth stocks), 2021 pode ser o ano em que a estratégia de value investing vai retornar com força. Passadas as incertezas acerca das eleições presidenciais nos Estados Unidos e do cronograma mundial de vacinação, o investimento de valor, que prioriza o potencial das empresas a longo prazo, entrou novamente no radar de gestores e investidores. Os papéis desse grupo de companhias apresentaram fortes retornos nos últimos meses. Em fevereiro, por exemplo, as ações de valor (value stocks) subiram mais que as ações de crescimentona ordem de 9% — o que não acontecia desde 2008. 

Enquanto os investidores se desfazem de ações de crescimento para acrescentar a seus portfólios companhias mais baratas e bem posicionadas para a recuperação da economia global pós-pandemiasurge a dúvida: quando o rali vai terminar? 

Economia pós-covid 

Esse movimento no mercado de capitais acontece após quase uma década de retornos abaixo do esperado das ações de valor, consequência das taxas de juros, das disrupções tecnológicas e da turbulências políticas, principalmente na zona do euro e na relação EUA-China. 

“Exceto em períodos muito curtos em 2012, 2013 e 2016, quando medidas temporárias levaram a um crescimento dos lucros em linha com as expectativas do mercado, os resultados têm sido decepcionantes e as ações apresentaram retornos relativos negativos”, afirma Nic Sochovsky, líder da International Equity Team no Morgan Stanley, em artigo. No período, até mesmo grandes assets que apostavam no value investing — como GMO, Royce Investment Partners e Third Avenue Management — sofreram perdas drásticas, segundo levantamento da MorningStar. 

Rali setorial? 

Em pesquisa, a SPDR Americas Research analisou o comportamento de 14 índices de companhias listadas em bolsa, desde large caps até mercado emergentes, nos primeiros dois meses de 2021 e entre outubro de 2020 e fevereiro de 2021. A consultoria, que faz parte do braço de asset management da State Street Corporation, concluiu que o desempenho das ações de valor superou o do mercado em 6% e 10%, respectivamente. 

O estudo também mostrou que o atual rali não está ligado a um único setor. Ao observar dois portfólios da State Street Corporation construídos com a mesma estratégia, mas com empresas de setores diferentes — um diversificado nessa questão e o outro não —, os analistas identificaram retornos de 11% e 7,7%, respectivamente, acima do mercado. Comportamento similar pôde ser verificado na comparação dos índices MSCI USA Value Select Index (não-neutro) e MSCI USA Value Enhanced Index (neutro) ao longo de 2021. “A performance melhor da exposição ao setor neutro indica que ações mais baratas estão superando as ações mais caras, independentemente do setor”, conclui Matthew J. Bartolini, líder do SPDR Americas Research. 

A promessa de 2021 

SPDR Americas Research afirma que, com as variáveis ​​macroeconômicas persistindo em meio ao atual regime de reflação da economia, o rali de ações de valor pode ter ainda mais espaço a percorrer neste ano. 

A opinião é compartilhada pela equipe da gestora AB Bernstein. “Acreditamos que, globalmente, o rali apenas começou. Ao longo da história, uma alta de yields e aumento de inflação ajudaram os Estados Unidos e o mundo nesse ponto — e isso esteve ausente em todos esses anos em que ações de valor apresentaram desempenho inferior. Portanto, essas variáveis ​​macro devem continuar a apoiar a alta”, disse Rupal Agarwal, líder do time de Ásia da AB Bernstein, em entrevista para o Economic Times. 

Em março, estrategistas do Goldman Sachs haviam chamado a atenção para o cenário europeu. Sob a influência do anúncio de vacinas contra covid-19, o abrandamento de restrições de circulação e os incentivos à economia, as ações de valor no mercado de capitais europeu tiveram desempenho 15% superior ao das ações de crescimento desde outubro — e eles apostam que esse percentual pode chegar a 19% nos próximos meses.  

No geral, os especialistas afirmam que a recuperação forte e ampla representa uma oportunidade em ativos sensíveis às taxas de juros, que inclui instituições financeiras, companhias altamente alavancadas e empresas que pagam altos dividendos. “Se o movimento de alta persistir, a posição do investidor nesses ativos pode gerar retornos fortes, acima do mercado, além de mitigar os efeitos da reflação em carteiras amplamente alocadas”, afirma Bartolini, da SPDR Americas Research. 

 

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