IPOs podem movimentar R$ 20 bi nos próximos 12 meses

Os tempos áureos ainda estão distantes, mas os próximos meses prometem ser de atividade mais intensa quando se fala em ofertas públicas iniciais de ações (IPOs) na BM&FBovespa. Para os próximos 12 meses, André Rosenblit, diretor de equities do Santander, espera a realização de sete a nove IPOs, que …

Seletas/Bolsas e conjuntura/Reportagem/Edição 48 / 16 de setembro de 2016
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Ilustração: Rodrigo Auada

Ilustração: Rodrigo Auada

Os tempos áureos ainda estão distantes, mas os próximos meses prometem ser de atividade mais intensa quando se fala em ofertas públicas iniciais de ações (IPOs) na BM&FBovespa. Para os próximos 12 meses, André Rosenblit, diretor de equities do Santander, espera a realização de sete a nove IPOs, que devem movimentar um valor superior a R$ 20 bilhões — uma cifra sem dúvida animadora diante da escassez dos últimos tempos. “As últimas ofertas que coordenamos, como as de Rumo e Energisa, tiveram uma demanda muito grande de investidores americanos, europeus, asiáticos e também brasileiros”, relata o executivo. “Em resumo, há interesse vindo de todo canto”, acrescenta.

Mais interessadas ainda estão as próprias empresas. “Existe uma demanda reprimida por acesso a capital”, afirma Kieran McManus, sócio da área de mercado de capitais da PwC no Brasil. O último IPO realizado na BM&FBovespa ocorreu mais de um ano atrás — mais especificamente, em junho de 2015, pela Par Corretora, da Caixa Econômica Federal. De lá para cá, quem precisou de dinheiro teve de recorrer a outras fontes, também mais secas do que de costume. “Há espaço principalmente para empresas que estejam com os processos mais ou menos prontos”, pondera o executivo.

O desafio, agora, é a conciliação das agendas regulatórias com as janelas de mercado. Como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) não concede registros de ofertas a menos de 16 dias da data de divulgação de novos resultados trimestrais pelas empresas, o prazo para ida ao mercado com base nos balanços do segundo trimestre já acabou. “As empresas que quiserem captar precisarão agora dos números do terceiro trimestre, e então a janela se estende até janeiro”, explica Vanessa Fiusa, do escritório Mattos Filho Advogados.

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Esse prazo, no entanto, é ainda mais exíguo do que parece, já que é muito difícil haver emissões no mês de dezembro, conforme observa McManus. De acordo com ele, o intervalo entre o feriado do Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos (que neste ano será comemorado em 24 de novembro) e o Natal é a última chance de realização de uma operação ainda em 2016. O calendário do hemisfério norte é um aspecto observado pelas empresas na hora de ofertar ações, já que os investidores estrangeiros costumam figurar entre os principais compradores de papéis em IPOs brasileiros.

As maiores chances de lançamento de ações na Bolsa ainda em 2016 são da Alliar Medicina Diagnóstica, que encaminhou a documentação do seu IPO à CVM dois dias antes da votação final do impeachment da presidente Dilma Rousseff no Senado. O desfecho da situação política do País, aliás, era considerado fator básico para o destravamento das ofertas públicas — embora não fosse o único. “Há um excesso de liquidez global que agora está em busca de risco, já que os juros da renda fixa na maior parte dos países estão muito baixos ou até negativos”, avalia Rosenblit. Em função disso, a expectativa é de que os próximos IPOs brasileiros sejam novamente puxados pelos investidores internacionais — mas em menor proporção do que num passado recente. Os investidores locais ganharam espaço nas últimas ofertas por causa do receio dos estrangeiros em apostar em um Brasil imerso em crises política e econômica. “A tendência é de que os estrangeiros fiquem com 50% a 60% do volume das próximas operações”, diz o executivo.




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