Doce Virada

Com diversificação de investimentos e atuação verticalizada, Cosan reduz exposição à volatilidade e gera caixa mais estável

Captação de recursos/Especial/Reportagens/As Melhores Companhias para os Acionistas 2010/Temas / 1 de setembro de 2010
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Avaliada em US$ 12 bilhões, a joint venture firmada com a anglo-holandesa Shell elevou a Cosan, a única empresa totalmente integrada do setor de energia renovável no Brasil, ao posto de terceira maior distribuidora de combustíveis do País. A parceria, fechada em agosto de 2010, foi o mais recente exemplo de uma estratégia que vem gerando bons resultados: a de crescer por meio de aquisições. No ano fiscal encerrado em 31 de março de 2010, a Cosan exibiu um lucro líquido de R$ 986 milhões, depois de ter amargado um prejuízo de R$ 474 milhões no exercício anterior. Essa virada na história recente da sucroalcooleira foi reconhecida com a terceira colocação no ranking As Melhores Companhias para os Acionistas no grupo das empresas com valor de mercado entre R$ 5 bilhões e R$ 15 bilhões.

Um dos fatores que contribuíram para a conquista da medalha de bronze foi a nota oito obtida pela companhia no item valor econômico adicionado (EVA, na sigla em inglês) — bem acima da mediana de 5,5 da sua categoria. Entre 2008 e 2009, a variação desse indicador foi de 0,9%.

Foi ao longo do ano passado e dos primeiros meses de 2010 que a Cosan começou a colher os frutos de duas importantes compras: a da Nova América Agroenergia (dona das marcas de açúcar União e Da Barra), concluída em junho do ano passado; e a das operações brasileiras da distribuidora de combustíveis e lubrificantes Exxon Mobil (rede de postos Esso e lubrificantes Mobil), fechada em dezembro de 2008.

“Aquisições estratégicas fazem parte do DNA da Cosan, que tem disciplina para realizá-las no momento mais oportuno, sem comprometer o caixa ou o perfil da dívida da companhia”, diz Marcelo Martins, diretor de relações com investidores (RI). No fim do exercício social de 2010, os recursos em caixa da Cosan totalizavam R$1,1 bilhão, reduzindo o seu endividamento líquido para R$ 4,3 bilhões.

Companhia tem apostado no ramo de distribuição de combustíveis, no qual os movimentos dos preços são menos intensos

A Cosan também contou com um fator exógeno para o bom resultado: a elevação dos preços das commodities que exporta. Entre junho de 2009 e março de 2010, o açúcar mais que dobrou de preço graças à quebra da safra na Índia. Consciente de que as altas são passageiras — de fato, o preço da commodity voltou a cair em março —, a companhia vem adotando a estratégia de diversificar os investimentos e atuar de forma verticalizada para reduzir a exposição à volatilidade e gerar um caixa mais estável. Por isso apostou no ramo de distribuição de combustíveis, no qual as margens de lucro são menores, mas os movimentos dos preços, menos intensos. “Essa opção se mostrou vencedora”, avalia o analista Victor de Figueiredo, da Planner Corretora. Na área de distribuição, a Cosan já disputa o segundo lugar de participação de mercado com o grupo Ultra, dono das redes Ipiranga e Texaco.

Para Figueiredo, o cenário não está mais tão propício para novas aquisições. Os preços das usinas de açúcar e álcool subiram e inviabilizaram as compras. No segmento de distribuição, não há mais grandes redes à venda, apenas algumas bandeiras com presença regional. “O crescimento da Cosan deve ser agora mais orgânico”, observa.

No último ano encerrado em 31 de maio de 2010, o retorno total (somado os dividendos) da ação menos o custo de capital do acionista foi de 16,5%. A oscilação positiva garantiu nota seis para a Cosan em total shareholder return (TSR), acima da mediana de 5,5 da sua categoria. Esse desempenho só não foi melhor porque os papéis, após o ciclo de alta, devolveram parte dos ganhos e seguiram a baixa das cotações da commodity.

Todo esforço de expansão da companhia é acompanhado também por um maior empenho em melhorar suas práticas de governança. Nesse item, a Cosan obteve nota 8,54, enquanto a mediana da categoria foi 8,37. Em 2007, a empresa teve sua imagem arranhada após anunciar a criação de uma nova controladora, a Cosan Limited, baseada no paraíso fiscal das Bermudas e listada na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse). A Cosan Limited pretendia emitir duas classes de ON: A, com direito a um voto para cada ação, e B, com esse poder multiplicado por dez. As ONAs seriam oferecidas ao mercado e aos atuais detentores de ações ordinárias da Cosan S.A. que aceitassem a migração, enquanto as ONBs seriam exclusivas do controlador. Indignado, o mercado reagiu a essa operação, castigando as ações listadas no Novo Mercado. A companhia voltou atrás ao estender a possibilidade de aquisição dos papéis da classe B para os demais acionistas, mas já era tarde para recuperar o valor perdido. Houve quem apontasse também o risco de concorrência que a Cosan Limited poderia exercer com a sua própria subsidiária no mercado internacional.

Esses tempos parecem ter ficado para trás. De acordo com Martins, a companhia está trabalhando continuamente para reforçar sua adequação às melhores práticas de governança. Atualmente, estuda formas de incentivar a participação dos acionistas nas assembleias e deve encaminhar para deliberação do conselho de administração, ainda este ano, a revisão da sua política de transações com partes relacionadas.

Outra melhoria diz respeito ao relatório de sustentabilidade, que será feito pela primeira vez neste ano conforme as indicações do Global Reporting Initiative (GRI). A expectativa de Martins é que, após esse passo, a empresa atenda aos critérios exigidos para fazer parte da carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da BM&FBovespa.


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