“É preciso confiar no futuro”

Reportagem especial/Edição 133 / 1 de setembro de 2014
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e-preciso-confiarEm 2012, Ilan Goldfajn ingressou em um dos maiores bancos do País. Antes de se tornar economista-chefe e sócio do Itaú Unibanco, teve passagens por instituições importantes como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central — neste último, foi diretor de política econômica. Em sua visão, o Brasil precisa retomar os fundamentos macroeconômicos para voltar a crescer e ter um mercado de capitais pujante. “Com isso, as companhias vão se sentir mais seguras para fazer IPOs. Precisamos ter confiança no futuro”.

Há poucas pessoas físicas negociando ações na bolsa de valores. Quão importantes são esses investidores para o desenvolvimento do mercado de capitais?
A pessoa física é fundamental para dar profundidade ao mercado. Em sociedades mais modernas, ela diversifica seu portfólio, em vez de deixar o dinheiro em conta corrente e poupança. Isso é bom para a sociedade, pois aumenta o conhecimento do cidadão em relação às companhias. O problema no Brasil é que a pessoas físicas são pouco informadas sobre investimentos. Deveria haver mais programas educativos, criados para ajudá-las a compreender a bolsa e as empresas. As empresas também podem participar desse processo, melhorando a forma de se comunicar com os investidores, em linguagem clara e acessível.

A MP 651 busca estimular a listagem de empresas médias oferecendo incentivo fiscal ao investidor. Qual é sua opinião?
Gostei muito. Esse benefício para pequenas e médias empresas é algo que vai se pagar no futuro.

O brasileiro poupa pouco. Nossa taxa de poupança é baixa e vem caindo — em 2010 era de 19%; hoje é de 15%. Noutros países, como a Coreia do Sul, chega a 38%. O que podemos fazer para reverter esse quadro?
Estamos predispostos a achar que a economia cresce com incentivo ao consumo. Isso está errado e só funciona no curto prazo. O ideal seria moderar o consumo e estimular a poupança. Ajudaria se os impostos sobre ganhos de capital fossem reduzidos.

Como o senhor avalia o arcabouço regulatório e legislativo brasileiro?
De forma geral, temos que caminhar para a simplificação. Diminuir a papelada, tornar o processo de pagamento de impostos mais fácil. Descomplicar a vida dos investidores. Falando de regulação do mercado de capitais, tenho receio de como o minoritário é tratado. Sinto a necessidade de mais mecanismos de proteção ao investidor. Acabar com a existência de duas classes de ações seria complicado no momento, mas é algo que devemos pensar para o longo prazo. Também acho importante que os investidores e os acionistas participem mais da administração das companhias Esse envolvimento tende a melhorar a gestão, a aumentar o profissionalismo e a estimular a inovação.


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Tags:  CVM investimentos Itaú Unibanco conselho de administração CAPITAL ABERTO mercado de capitais poupança incentivo fiscal PMEs consumo Ilan Goldfajn MP651 direito dos minoritários Encontrou algum erro? Envie um e-mail



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