David Shammai, da Morrow Sodali, elenca prioridades de investidores

Estudo conduzido pelo pesquisador americano ouviu um grupo com 33 trilhões de dólares sob gestão

Gestão de Recursos/Relevo / 22 de março de 2019
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Parece mesmo não mais caber na realidade do século 21 a velha máxima de que a principal missão de uma empresa erigida sob o sistema capitalista é a geração do máximo de lucro possível para seus acionistas. Essa página está sendo virada por força de um número cada vez maior de investidores interessados em retornos que vão muito além do dinheiro — e sem a necessidade de mudança no sistema. Eles relutam em apostar em empresas infestadas por fraudes e casos de corrupção, negligentes com o impacto de suas atividades no ambiente e na sociedade, desrespeitosas com seus colaboradores e clientes. Como indica uma recente pesquisa da consultoria Morrow Sodali, especializada em governança corporativa, investidores institucionais relevantes no mundo têm elevado à categoria de prioridade os aspectos ESG, sigla em inglês relativa a sustentabilidade socioambiental e a governança.

No que se refere à questão socioambiental, a mudança está intrinsecamente ligada aos novos hábitos dos consumidores, num movimento que se realimenta: clientes tornam-se a cada dia mais exigentes e preocupados com o impacto de produtos e serviços que utilizam, e as empresas correm para atendê-los, de forma a igualmente agradar os investidores. Acionistas também já perceberam a importância de temas como diversidade em conselhos e remuneração de executivos para a perenidade das companhias.

Em conversa com a CAPITAL ABERTO, David Shammai, um dos autores do levantamento da Morrow Sodali, diz que a tendência ESG veio para ficar. Ele faz essa avaliação com base nas respostas dos 46 investidores institucionais ouvidos — grupo que administra uma montanha de 33 trilhões de dólares. Analisa, portanto, as falas de quem de fato tem poder de decisão.

Além do retorno

A preocupação de investidores com questões não financeiras vem crescendo nos últimos anos. Eles estão compreendendo que esses temas são relevantes para as finanças, pois podem refletir no valor da empresa no longo prazo. Além disso, a sociedade toda tem olhado mais para esses assuntos, e se os clientes dos gestores se preocupam, eles têm que se preocupar também.

Meio ambiente

Para 57% dos investidores ouvidos para a pesquisa, assuntos ambientais e sociais são de alta importância. Isso é um reflexo do que está acontecendo nas sociedades, que estão mais conscientes dos reflexos que as mudanças climáticas terão na vida real das pessoas. Os acionistas querem saber, cada vez mais, quais são os riscos envolvidos nas atividades corporativas e como as empresas lidam com eles. Para o Brasil, onde há muitas empresas cuja atividade têm impacto ambiental inegável — nos setores de agricultura, mineração e petróleo, por exemplo —, a questão é particularmente relevante.

Composição dos conselhos

Habilidades, independência e experiência no setor em que a empresa atua são, nessa ordem, as características mais importantes para os investidores na hora de apoiar a eleição de um conselheiro. Investidores querem um conselho efetivo e que tenha os mecanismos de decisões corretos — e a diversidade é uma das principais formas de se conquistar isso, pois abre uma gama mais ampla de perspectivas. A pesquisa mostrou que, num ranking de diversidade, ficam nos primeiros lugares na preferência dos entrevistados conhecimento, experiência profissional e gênero.

Remuneração de executivos

É muito importante para os investidores que os executivos tenham sua remuneração alinhada à performance da companhia. Isso é mais importante para eles do que o montante em si. Os acionistas têm buscado debater essas questões constantemente com as companhias, e o diálogo cresceu nos últimos cinco anos. Talvez essa seja uma das razões pelas quais não há tantos votos contrários aos pacotes de remuneração nas assembleias de acionistas. Afinal, o voto é a ferramenta que se usa quando o diálogo falha.

Ativismo de investidores

Existem muitos tipos de ativismo. Uma coisa são as iniciativas focadas no longo prazo ou que buscam melhorar os impactos ambiental e social da companhia: há muitos investidores seguindo essa linha. Outra espécie de ativismo envolve a pressão de acionistas para executivos constantemente tomarem medidas que aumentem o retorno, mas mesmo esse caminho precisa de apoio dos investidores de longo prazo. Na hora de apoiar iniciativas ativistas, 50% dos investidores institucionais consideram de extrema importância que a estratégia seja focada no longo prazo.

Diálogo contínuo

A grande tendência que temos notado é que os investidores buscam cada vez mais ter um diálogo contínuo com as empresas; querem entender como o conselho funciona e influencia a companhia: 87% dos entrevistados disseram que um engajamento regular e proativo com o conselho os ajuda na avaliação da cultura da empresa e dos riscos de reputação. As empresas, por sua vez, têm ficado mais abertas a essas abordagens.


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