Recordar é viver

Histórias de quem viveu e influenciou o desenvolvimento do mercado de capitais no Brasil

Prateleira / Edição 40 / 1 de dezembro de 2006
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ed40_p064-064_pag_1_img_001Diz o ditado que, para saber aonde queremos chegar, é importante entender de onde partimos. A obra de Roberto Teixeira da Costa busca identificar as raízes do mercado de capitais brasileiro e explicar os penosos avanços e desafios enfrentados nestes 50 anos. Para isso, a propósito, nada melhor do que ouvir a história de um de seus principais protagonistas: gerente de um dos primeiros bancos de investimento do País (Deltec, 1958), primeiro presidente da CVM (1977) e, posteriormente, gestor de um dos fundos pioneiros de venture capital no Brasil (Brasilpar, desde 1981).

Como o termo “mercado de capitais” tem sentido amplo, é importante ressaltar que o autor trata do assunto, principalmente, sob o ângulo da emissão de ações. A obra é construída a partir de seu testemunho pessoal através de um ensaio, artigos, palestras e discursos proferidos ao longo destes 50 anos. O ensaio, que antecede o primeiro capítulo, funciona como um catalisador para a obra, condensando os registros históricos e sua cronologia, e estabelecendo o pano de fundo para os demais capítulos. Vários pontos-chave merecem destaque, e a lista a seguir não tem a pretensão de exauri-los:

Mercado de Capitais: uma trajetória de 50 anos

Roberto Teixeira da Costa
Imprensa Oficial do Estado de S. Paulo
480 páginas Lançado em 6/11/2006

• Necessidades dos investidores: Para se desenvolver um mercado de capitais forte e independente, é necessário “entender o cliente”: neste caso, os investidores. A obra registra que, desde a década de 60, o mercado clama pelo trinômio de equidade no tratamento dos acionistas, transparência e prestação de contas por parte das empresas. Apesar de o termo “governança corporativa” ter sido incorporado ao léxico do mercado há pouco mais de uma década, sua espinha dorsal já era descrita como fundamental para o funcionamento do mercado há muito tempo.
• Regulação e auto-regulação: É absolutamente fundamental que o mercado pratique a autoregulação para que seja eficiente na alocação de recursos. Mas, para isso, é necessário um ente regulador de mercado forte e preparado para assegurar o cumprimento das regras e o respeito à lei.
• Entendimento do papel do mercado de capitais pela sociedade: Para que exerça seu papel de condutor da poupança às oportunidades de investimento na economia real, é essencial que o mercado seja compreendido pela sociedade. Após o processo de alta findo em 1972, porém, a ressaca levou à associação da bolsa com uma nova modalidade de jogo de azar. Desde que assumiu a presidência da CVM, em 1977, o autor estabeleceu como um dos alicerces de desenvolvimento do mercado a comunicação com a sociedade, através de esforços de educação, divulgação e promoção (Codimec). Como se sabe, educação é um investimento de longo prazo, mas, se colhemos frutos hoje, é porque alguns visionários plantaram sementes no passado.
• História do mercado de capital de risco no Brasil: Em um momento de elevada atividade de private equity e venture capital, um capítulo tem apelo especial, devido à rara experiência do autor. Em um comentário em fevereiro de 1997, Teixeira da Costa descreve brevemente a experiência da Brasilpar e registra alguns princípios fundamentais deste nicho do mercado.

Ao comparar o estado de desenvolvimento de nosso mercado de capitais com outros muito mais maduros, como EUA e Inglaterra, podemos sentir-nos, uma vez mais, “subdesenvolvidos”. No entanto, é necessário avaliar este avanço em paralelo à história política do País para melhor compreendê-lo. O desenvolvimento do mercado de capitais brasileiro é um retrato do próprio Brasil. E a evolução, pelo que se vê, é um caminho sem volta.


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