Caçadores de barganhas

Quatro décadas de experiência produzem algumas pérolas de sabedoria sobre a arte de identificar ações a preço de liquidação

Prateleira / Edição 39 / 1 de novembro de 2006
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ed39_p060-062_pag_2_img_001O mercado norte-americano classifica os investidores de ações, em geral, a partir de duas filoso- fias: os “caçadores de barganhas” e os “caçadores de crescimento”. Basicamente, pode-se dizer que os “value investors” buscam identificar ações que estejam anormalmente baratas (valor de mercado abaixo do valor intrínseco). Já os “growth investors” buscam empresas com elevadas taxas de crescimento de lucros, mesmo que não pareçam “baratas” pelas metodologias tradicionais de avaliação. Nesta realmente pequena obra (“The little book of value investing”), Chris Browne retrata seus 37 anos de experiência como “caçador de barganhas”, explicando os princípios da filosofia de investimento que imortalizou Benjamin Graham (autor do clássico “Securities Analysis”, publicado em 1934).

A obra é construída em linguagem simples, quase coloquial, com claro apelo para o grande público de investidores que, em sua maioria, não possuem MBAs ou PhDs em finanças. Nesse sentido, o livro pode até frustrar o leitor mais exigente, mas é completo o suficiente em seus conceitos para ser considerado relevante e objetivo. Uma vez percorridos os 21 capítulos, poderíamos organizar os conselhos de Chris ao longo dos “5 princípios fundamentais do value investor”:

The Little Book of Value Investing
Christopher H. Browne Wiley 180 páginas Lançado em 22/09/2006

• “Compre ações como se compra filet mignon: em liquidação.”
• Compre ações com uma margem de segurança: como diria Warren Buffett, grande apóstolo de “value investing”, regra número 1: “não perca dinheiro”; regra número 2: “não esqueça da regra número 1”.
• Submeta a ação a um “teste ergométrico”: isto é, avalie a saúde do investimento. Quando terminar, faça um novo check up! Para esses testes, Chris sugere uma série de pontos a investigar e métricas a serem observadas. Cuidado com o “ouro dos tolos”.
• Paciência: embora todo investidor se auto-intitule “investidor de longo prazo”, na prática muito poucos fazem o que pregam. Vivemos uma época em que se busca a gratificação instantânea (“comprei de manhã e, à tarde, já tinha subido 5%”) e a validação por seus pares (“se meus amigos têm uma ação que está subindo, preciso comprar também”). Na realidade, vários gestores de fundos giram sua carteira, em média, mais de 100% em um ano (isto é, o valor total das vendas supera o valor total da carteira), em uma busca fútil por comprar as ações “quentes”.
• “Investir é uma maratona, não várias corridas de 100 metros rasos”: uma análise dos retornos do mercado americano mostra que, entre 1926 e 1993, 7% dos meses foram responsáveis por 90% do retorno total do mercado. Ou seja, como é muito difícil antecipar quando estes períodos fantásticos vão ocorrer, a melhor estratégia é permanecer investido o tempo todo.

Segundo Chris Browne, não é preciso ser um super gênio para tornar-se um bom caçador de liquidações; o difícil é praticar a disciplina requerida para alcançar este sucesso. A indústria de gestão de recursos atrai boa parte dos mais altos QIs do mundo devido às promessas dos super salários e glamour. No entanto, se perguntarmos a estes gênios sobre sua habilidade de superar o índice do mercado (o Ibovespa, por exemplo), 95% prontamente se dirão aptos. O interessante é que, se o índice representa a média do mercado, sabemos que é matematicamente impossível para 95% dos gestores o superarem. Enfim, esqueça as estratégias da moda como “momentum investing” ou fundos hedge — dizem Chris e tantos outros investidores da “velha escola”. Este livro fornece as ferramentas para o garimpo. Mas achar as pepitas é com você, investidor.


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