Executivos e conselheiros da Enron têm finais distintos

Governança / Edição 39 / 1 de novembro de 2006
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O caso Enron ocupa espaço no noticiário corporativo desde 2001. Em 24 de outubro, um dos últimos capítulos do estrondoso escândalo corporativo foi escrito com a condenação do ex-CEO Jeffrey Skilling a 24 anos de prisão. Foi a segunda maior pena por um crime do “colarinho branco” nos EUA, inferior apenas aos 25 anos imputados ao ex-CEO da WorldCom Benard Ebbers. De acordo com o juiz Sim Lake, que proferiu a sentença, “seus crimes condenaram à pobreza perpétua centenas, senão milhares de pessoas”.

Além da prisão, o juiz condenou Skilling a desembolsar US$ 45 milhões, a serem distribuídos entre os ex-funcionários da companhia. Anteriormente, o ex-CFO da Enron Andrew Fastow já havia recebido uma sentença de seis anos de prisão (pena reduzida por ter concordado em testemunhar contra Skilling), enquanto o fundador e ex-presidente do conselho da empresa, Kenneth Lay, também condenado, morreu em julho, em decorrência de um ataque cardíaco.

Assim, conclui-se que o caso Enron teve um fim trágico ou traumático para todos os seus principais executivos. Mas o que aconteceu com os conselheiros externos (não executivos) que atuavam durante os anos que ocorreram as fraudes?

Uma matéria publicada recentemente pela Agence France-Presse (AFP) descobriu que os antigos conselheiros externos da companhia, além de não terem sido processados criminalmente, cinco anos após a fraude, voltaram a atuar em conselhos de grandes companhias. Outra constatação é que praticamente todos os ex-conselheiros omitem nos seus currículos qualquer menção à passagem no conselho da Enron. Como exemplos citados, tem-se o caso do antigo conselheiro Frank Savage, atualmente presente nos conselhos da Bloomberg e da Lockheed Martin.

Sua biografia no site da Lockheed destaca a “importante experiência de 33 anos em finanças corporativas e atividades no mercado financeiro internacional”, sem qualquer alusão ao período na Enron. Outro ex-conselheiro, Ronnie Chan, atualmente presidente do conselho do conglomerado Hang Lung Properties Group, também não cita essa polêmica passagem. No caso do ex-conselheiro John Wakeham, destaca-se sua posição parlamentar na Câmara dos Lordes do Reino Unido e o apoio a diversas organizações de caridade, mas novamente não se faz referência à sua passagem pela Enron.


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