“O Mercado não valoriza minha ação corretamente”

Criação de Valor - Stern Stewart & Co. / Edição 24 / 1 de agosto de 2005
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Essa é uma queixa freqüente que ouvimos de vários executivos de empresas listadas em bolsa. Se por um lado boa parte deles acredita que a ação de sua empresa está subvalorizada, por outro lado os investidores não se dispõem a pagar um valor mais alto por elas.

Boa parte desta diferença pode ser creditada ao seguinte fato: “O preço da ação só irá incorporar todo o seu potencial de valor se a empresa comunicar aos investidores de maneira clara e ampla sua estratégia, e demonstrar que é capaz de executá-la”.

Este Gap de Valor é a diferença entre quanto os executivos acham que a empresa vale e quanto os investidores estão dispostos a pagar. Um dos objetivos de uma politica de RI vencedora deve ser minimizar este gap, obtendo um maior valor de mercado.

O processo para a criação de uma melhor política de comunicação passa pela análise e entendimento da visão dos três grupos influenciadores do Gap de Valor: a empresa, os analistas de mercado e os investidores. Esta análise deve identificar as visões dos três grupos em relação a:

Desempenho
Como será o desempenho qualitativo e quantitativo da empresa? Qual é seu desempenho em relação aos seus competidores, ao mercado, e em termos absolutos? Como será a geração de valor nos próximos anos?

Ambiente de Mercado
Quais são os fatores exógenos que podem influenciar o valor da empresa? Fatores macroeconômicos? Fatores políticos? Regulamentações? Qual o ambiente competitivo do setor?

Plataforma Empresarial
Quais as vantagens competitivas de sua empresa no setor? Que tipo de capital intangível a empresa possui? Como a empresa gerencia seus ativos intangíveis tais como marcas, pessoas, supply chain e reputação?

Estratégia
Existe uma estratégia clara de criação de valor? Como ela irá buscar seu crescimento? Quais são as facilidades e barreiras para a empresa maximizar sua lucratividade? Como manter sua vantagem competitiva?

Uma vez identificadas as divergências de opinião entre os três grupos à luz dos temas levantados acima, resta à empresa entender a fundo suas origens. Para isso devemos refazer a trajetória de divulgação de informação desde a diretoria até seus investidores.

O caminho tem início na diretoria porque é ela que detém as informações para a apuração do valor justo da empresa. Cabe à diretoria decidir quais são as informações “divulgáveis”, a fim de não comprometer a estratégia da empresa, como no caso de uma aquisição iminente.

Nessa fase, qualquer informação relevante que não for divulgada tornará a correta precificação do papel por parte dos investidores uma tarefa árdua.

O próximo passo é a divulgação para a equipe de RI. É essencial que os seus integrantes estejam em sintonia com a diretoria. O processo de divulgação deve ser seguido de todo o arcabouço de premissas utilizadas no que tange a receitas, margens, etc. O RI deve ser capaz de remontar a estratégia antes de divulgá-la ao mercado. Nesta fase são identificados dois gaps entre a diretoria e o RI: o de informações não divulgáveis (GAP 1) e o de informações divulgáveis (GAP 2). Todas as inconsistências devem ser discutidas, pois, se persistirem, os danos podem ser consideráveis.

Com a equipe de RI pronta para o ataque deve-se observar alguns princípios:

• Informações que podem ser tornadas públicas devem sê-lo, garantindo transparência e eqüidade;
• É importante que o mercado compartilhe a visão da empresa sobre os impactos das novas informações e é trabalho do RI fazer com que isso aconteça;
• As expectativas podem ser gerenciadas, não deixando que os resultados de curto prazo gerem surpresas.

O sucesso só é completo se a política de divulgação da empresa eliminar o gap de informação entre o RI e o mercado (GAP 3), incluindo aqui analistas sell side, buy side e investidores. A diretoria e o RI podem ser assessorados por consultores financeiros na abordagem do mercado, garantindo a correta transmissão da informação para uma precificação mais adequada.

O gap entre investidores e analistas é o mais difícil de ser eliminado, pois envolve o mercado como um todo. Mudanças repentinas nos cenários macroeconômico, político e regulatório influenciam diretamente o GAP 4. A melhor maneira de reduzi-lo é demonstrar a influência destes fatores no desempenho da empresa.

Por fim, o feedback proporcionado pelo mercado deve ser analisado, pois pode mostrar que a visão da empresa é muito otimista ou precisa ser recalibrada.

Um bom trabalho de divulgação de informações é uma excelente ferramenta de criação de valor, ao equalizar a visão da empresa e dos investidores. No futuro, esperamos que as empresas tenham uma postura ativa, abandonando a frase do título e dizendo: “Como vamos diminuir o gap de valor e criar mais riqueza para o acionista?”


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