Na crise, companhias unem área de relações com investidores à de planejamento estratégico

Os departamentos de relações com investidores (RI) cresceram nos tempos de bonança. Era preciso atender à demanda dos numerosos sócios e viajar mundo afora para buscar novos investidores. Com a crise, o cenário mudou. As equipes estão cada vez mais enxutas e multitarefas. A Marfrig sintetiza esse …

Edição 3/Seletas/Relações com Investidores/Reportagem / 15 de dezembro de 2015
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Ilustração: Grau 180.com.

Ilustração: Grau 180.com.

Os departamentos de relações com investidores (RI) cresceram nos tempos de bonança. Era preciso atender à demanda dos numerosos sócios e viajar mundo afora para buscar novos investidores. Com a crise, o cenário mudou. As equipes estão cada vez mais enxutas e multitarefas.

A Marfrig sintetiza esse quadro. No começo do mês, a empresa anunciou uma nova estrutura. O departamento de RI foi unificado ao de planejamento estratégico. A junção não veio acompanhada de um reforço da equipe. De acordo com Marcelo Di Lorenzi, vice-presidente de planejamento estratégico e de RI, antes da fusão as duas áreas somavam seis funcionários e, após a união, ficaram com quatro.

A redução acompanhou o declínio do número de investidores do frigorífico. O formulário da referência deste ano mostra que a companhia mantém pouco mais 5 mil investidores pessoas físicas em sua base. Três anos atrás, eram aproximadamente 7,3 mil. No mesmo período, o número de acionistas pessoa jurídica despencou 56%, de 114 para 50; o de institucionais recuou 45%, para 491.

A nova estrutura da Marfrig é similar à adotada pela Odontoprev. Desde 2014, a administradora de planos odontológicos conserva os departamentos de RI e de planejamento estratégico sob o mesmo guarda-chuva. A sinergia é, segundo o diretor José Roberto Pacheco, resultado do perfil do acionista da Odontoprev. “Nosso investidor é focado no longo prazo. Por isso, é um privilégio contarmos com um analista 100% dedicado ao planejamento estratégico, munindo-nos de informações que miram até cinco anos para frente”, conta o executivo, que comanda a equipe de quatro pessoas.

Os efeitos da crise sobre o atendimento aos investidores nas companhias nem sempre ficam evidentes. Apenas mudanças no posto de diretor de relações com investidores exigem comunicação ao mercado. “Os cortes afetam mais quem não tem cargo estatutário”, conta uma profissional da área recentemente demitida de uma companhia de construção civil. A difícil situação do segmento motivou a sua demissão e diversas outras. “Um total de 20 pessoas, de várias áreas, foram mandadas embora no mesmo dia”, relata. Consultado, o Instituto Brasileiro de Relações de Investidores (Ibri) informou que não faz o acompanhamento do número de profissionais que atuam no segmento.


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