Acionistas querem mais transparência sobre gastos com lobby

Bimestral/Relações com Investidores/Internacional/Edição 102 / 16 de fevereiro de 2012
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A campanha eleitoral para a Presidência nos Estados Unidos está mexendo com os ânimos dos acionistas das companhias abertas norte–americanas. Em janeiro, uma coalizão de investidores ativistas apresentou 40 propostas, que serão votadas nas assembleias de 2012, pedindo que as empresas revelem suas despesas com lobby. Eles defendem o direito dos acionistas de saber como os recursos da companhia são gastos em esforços para favorecer a criação de políticas públicas.

“Nos últimos cinco anos, os investidores têm pedido às companhias que divulguem os gastos com campanhas eleitorais”, afirmou à imprensa Timothy Smith, diretor de governança e sustentabilidade da Walden Asset Management, gestora que lidera a coalizão. “Este ano, demos um passo lógico e solicitamos mais transparência também sobre as despesas com lobby para influenciar as leis e os regulamentos do país”, ressaltou. Dentre as companhias que vão receber as propostas estão 3M, AT&T, Bank of America, Caterpillar, Coca–Cola, General Electric, Goldman Sachs, IBM, Johnson & Johnson, JPMorgan Chase, Kraft Foods, PepsiCo e Pfizer.

Os investidores reclamam que a maioria das empresas “oferece uma divulgação rudimentar sobre seus gastos e suas práticas de lobby”. Para reforçar sua tese, citam uma pesquisa recente feita pelo Investor Responsibility Research Center Institute (IRRC). O estudo mostra que as companhias pertencentes aos S&P 500 gastaram, em 2010, US$ 1,1 bilhão em contribuições políticas e lobby. Desse universo, apenas 13% apresentaram, detalhadamente, as despesas que tiveram para influenciar políticos. Outras 64% não fizeram nenhuma menção ao assunto.

Essa campanha se soma à realizada pelo Center for Political Accountability, que apresentou às companhias este ano 50 propostas de acionistas que pedem a divulgação de doações feitas para campanhas eleitorais. Ao todo, a Institutional Shareholder Services (ISS) rastreou cerca de cem propostas do gênero que serão votadas nas assembleias de 2012. Diferentemente dos anos anteriores, em que fazia uma análise caso a caso, a consultoria adotou como política recomendar que seus clientes votem a favor de todas as propostas de abertura dos valores gastos para apoiar candidatos à eleição.


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