Ponto para os ingleses

Ativismo responde por 90% do retorno obtido pelo Hermes, diz estudo da London Business School



O estudo Returns to Shareholder Activism, realizado por quatro professores da London Business School a partir de informações providas pelo Hermes (que administra os recursos do fundo de pensão da British Telecom, no Reino Unido) e publicado em abril, confirmou que grande par te dos retornos obtidos por um de seus fundos era proveniente do ativismo societário exercido junto às companhias investidas. Marco Becht, Julian Franks, Colin Mayer e Stefano Rossi avaliaram o comportamento das ações que compõem a carteira do Hermes UK Focus Fund (Hukff), comparando-o às intervenções ativistas num intervalo de seis anos (que partiu da criação do Hukff, em 1998, e se estendeu até 30 de dezembro de 2004).

As informações entregues pelo Hermes incluíam cartas, memorandos, atas de reunião, apresentações, registros de telefonemas e relatórios de clientes. A proposta da pesquisa era isolar os efeitos de cada estratégia, medir seus impactos sobre o preço das ações e o rendimento do fundo e comparar este último a um índice de referência — o FTSE All-shares, que mede o desempenho geral das companhias listadas na London Stock Exchange.

O retorno anual líquido do Hukff no período 1998-2004 foi de 8,2% — 4,9% acima do FTSE All-shares. Os professores estimam que 90% sejam fruto do ativismo. Eles também identificaram que, se outros investidores tivessem comprado diretamente as ações que compõem o Hukff no mesmo período, o retorno líquido teria sido de 14,25%. A diferença se deve ao fato de o Hermes deduzir da rentabilidade os custos com o ativismo.

Sua estratégia se baseia, principalmente, no acesso direto aos conselhos de administração, buscando o apoio de outros investidores institucionais e investindo em campanhas na mídia. Seus gestores raramente se valem de propostas a serem votadas em assembléia para viabilizar as mudanças que desejam — uma diferença crucial em relação à maneira de agir dos ativistas nos Estados Unidos.

Estudo semelhante feito no mercado norte-americano, com base nos investimentos do Calpers — fundo de pensão dos funcionários públicos da Califórnia —, obteve um resultado completamente oposto. Não encontrou evidências de que o ativismo societário do fundo de pensão tenha se traduzido em valor na cotação das ações. Entre as razões apontadas para essa diferença estão as restrições impostas pela lei dos Estados Unidos, que impede, por exemplo, os investidores de indicarem conselheiros — uma estratégia considerada de alto impacto pelo Hermes.


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