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Muitos investidores optam por analisar as tendências de curto prazo para traçar suas estratégias. Nesse caso, o desempenho financeiro das companhias não chega a ser tão relevante, já que no curtíssimo prazo o comportamento dos investidores e suas decisões de compra e venda de ações podem seguir padrões e tendências próprios.

É disso que trata a análise técnica. Esse método de negociação de ativos se baseia no comportamento de preços, gráficos e tendências momentâneas. O objetivo é identificar padrões que se repetem e, a partir disso, buscar obter ganhos superiores à média de mercado.

A análise técnica, também chamada de análise grafista, é tema de diversos livros e cursos. O propósito deste guia é apresentar apenas algumas ferramentas e alguns conceitos introdutórios sobre esse tipo de negociação, de modo que o leitor, ao final, consiga avaliar se ela é adequada ao seu perfil.

Dois tipos de negociação são os maiores populares: o day trading, que é uma estratégia de curtíssimo prazo, no qual o investidor abre e fecha uma posição dentro de um mesmo dia; e o swing trading, que se utiliza de um período curto de tempo (de três a cinco dias, por exemplo) para identificar oportunidades de entrada e saída nas ações. Vamos analisar alguns sinais de entrada e saída que se aplicam a ambos os casos e apresentaremos uma breve introdução sobre a análise técnica utilizando exemplos gráficos.

UMA ESTRATÉGIA DE CURTÍSSIMO PRAZO

Os day traders empregam uma série de estratégias para aperfeiçoar o timing de entrada e saída do mercado. O lucro desse investidor vem da diferença de preços entre o momento da compra e o da venda das ações. Para identificar o momento certo de negociação, existem algumas ferramentas importantes, tais como:

1) Gráficos: são a principal ferramenta para a análise técnica, permitindo identificar tendências e padrões que se repetem no mercado. Com eles, é possível analisar os volumes financeiros negociados, as médias de preços praticados num determinado período e a amplitude de preços. Um tipo de gráfico bastante utilizado para a análise técnica é o candlestick, do qual falaremos mais adiante.

2) Análise de médias móveis: identifica tendências nos preços. Por exemplo: ao comparar as médias móveis de preços de 20 dias e 200 dias, um trader pode observar a continuação ou a reversão de tendências, e quando uma delas pode vir a ocorrer. Essas linhas de convergência ou divergência são calculadas retirando-se o dia mais antigo da janela e substituindo-o pelo preço de fechamento do dia anterior, daí o nome “média móvel”.

3) Análise de suporte e resistência de preços: apresenta os limites de preços para os quais a ação tende a respeitar. Caso extrapolem esses patamares, é possível surgir uma nova tendência (sua reversão). Um bom grafista compreende esses limites para detectar o comportamento dos investidores no curto prazo. Dessa forma, ele pode fazer suas previsões das variações futuras da ação.

4) Volume de negociação: quando picos de volume ocorrem, existe uma possibilidade de reversão de tendência. Esses extremos indicam que os investidores estão assumindo uma nova posição nas ações da companhia (seja de compra ou de venda), evidenciando que uma tendência passada pode ter chegado ao fim.

PRÓS E CONTRAS DO DAY TRADING

O day trading requer um bom conhecimento técnico do mercado acionário, controle emocional e capacidade de operar sob pressão. A chave do sucesso é a agilidade na tomada de decisões. É um método que exige disponibilidade de tempo do investidor, que muitas vezes deve passar horas na frente do computador, observando gráficos e dando ordens de compra e venda. Podem ser operações alavancadas, porque se utilizam de recursos emprestados pelas próprias corretoras momentaneamente. Envolvem, assim, um alto grau de risco, que potencializa os retornos ou as perdas.

Outra exigência importante é a disponibilidade de capital. Como as variações de preço dentro de um dia não são tão amplas quanto no médio e longo prazos, o investidor intra-day deve ter uma alta frequência de ordens e aplicar um volume razoável de recursos. Praticantes desse método dizem que a relação lucro x custo só se torna interessante para investimentos superiores a R$ 20 mil.

O SWING TRADING

Se o seu perfil de investimentos não se adapta aos longos prazos da análise fundamentalista, baseada no estudo criterioso do desempenho das empresas, nem ao ritmo acelerado do day trade, em que um negócio começa e acaba em poucas horas ou mesmo em minutos, uma opção pode ser o swing trading.

O swing trading é uma estratégia que busca obter lucros com a negociação de ações em um espaço de tempo maior que um dia e, em geral, menor que três semanas. Como na análise técnica, ele utiliza recursos gráficos para identificar tendências e padrões recorrentes no mercado. A seguir, vamos apresentar algumas ferramentas introdutórias para que o investidor identifique os melhores momentos de entrada e de saída.

OS GRÁFICOS DE CANDLESTICKS

Eles são bastante úteis porque reúnem uma grande quantidade de informação em pouco espaço. São pequenos retângulos, cuja cor indica se o fechamento do dia foi em alta (branco ou cor clara) ou em baixa (preta ou cor escura), acompanhados por duas pequenas linhas verticais que indicam os preços extremos (valor mais alto e mais baixo) negociados naquele dia. Ao observá-los dispostos lado a lado num gráfico, o investidor pode rapidamente perceber uma sequência de altas ou baixas, compreendendo a tendência do mercado, e também — pelo tamanho das linhas adjacentes — identificar se a volatilidade nos dias tem sido alta ou baixa (quanto mais comprida a linha, mais ampla foi a variação de preços no dia).

SUPORTE E RESISTÊNCIA

Para a análise técnica, os preços das ações são determinados por forças de oferta e procura pelos papéis. O que faz o valor de uma ação subir é a ausência de vendedores; a queda, por sua vez, ocorre pela falta de compradores. Essa é, na verdade, uma premissa válida para todas as análises.

Pelos gráficos de candlesticks, podemos identificar qual é o ponto de resistência, isto é, a máxima de preços indicada na barra, que impede o preço de uma ação de continuar subindo em função da pressão exercida pelos vendedores. Simetricamente, a mínima de uma barra é um ponto em que as ordens dos compradores voltam a agir e impõem uma pressão denominada suporte, a qual impede o preço da ação de continuar caindo.

Quando uma força de oferta ou demanda pelos papéis vem em sentido contrário à tendência em andamento, surge uma barreira que evita, mesmo que temporariamente, que o preço continue seguindo na direção prévia. São essas pressões que vão criar os pontos de retorno de um gráfico. Identificá-los é fundamental para que o trader decida se compra ou vende os papéis.

Se o ponto de retorno ocorrer após uma sucessão de ascendentes, esse nível é classificado como um topo, pois as forças compradoras não conseguem fazer o preço da ação se elevar além desse nível. Se o retorno ocorrer após a sucessão de barras descendentes, é classificado como um fundo, já que o equilíbrio de forças compradoras e vendedoras não permite que o preço se reduza mais.

Assim, podemos definir que os topos são níveis de resistência e fundos são níveis de suporte do preço das ações. Essas faixas de preço são bastante importantes, pois indicam, para os grafistas, até que ponto os papéis tendem a subir ou cair num futuro próximo. Os gráficos a seguir ilustram os níveis de suporte e resistência.

Uma vez definida uma região de suporte ou resistência, seus papéis podem se alternar. Uma região de resistência recente, uma vez rompida para cima, pode transformar-se numa área de suporte. Por outro lado, um suporte recente, uma vez rompido para baixo, pode transformar-se numa área de resistência (reveja o gráfico anterior para entender melhor).

E COMO RECONHECER UM PONTO DE RETORNO?

Não é claro descobrir onde estão os suportes e as resistências de cada ação, pois essa é uma avaliação subjetiva de cada investidor. Ela depende, prioritariamente, do horizonte temporal que você adota. Vamos exemplificar essa questão: para um trader de intra-day, o suporte principal que ele está traçando pode ser o valor mínimo da ação nos últimos dez minutos de negociação. Nesse caso, ele simplesmente pega o menor valor ao qual a ação foi cotada nos últimos dez minutos e traça uma reta — essa é sua resistência, já que pretende encerrar a negociação nos próximos 20 minutos, hipoteticamente.

Já para um swing trader, a reta de resistência pode ser o ponto mínimo atingido pela ação nas últimas três semanas (ou período maior ou menor, a depender de sua avaliação de qual o prazo que julga coerente), se ele estiver trabalhando com um investimento de horizonte de um ou dois meses, por exemplo. Eventos externos, como crises financeiras, mudanças da taxa de juros, dados financeiros divulgados pelas empresas, podem fazer com que o investidor modifique seu horizonte temporal de análise.




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