FIDCs sofrem com deterioração de crédito e baixo volume de captação

O aumento da inadimplência e a recente avalanche de pedidos de recuperação judicial já têm reflexos importantes sobre os fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs). Levantamento da consultoria Quantum Finance, feito a pedido de SELETAS, sugere que a qualidade dos créditos que servem de …

Captação de recursos/Seletas/Reportagens/Edição 54 / 28 de outubro de 2016
Por 


Ilustração: Rodrigo Auada

Ilustração: Rodrigo Auada

O aumento da inadimplência e a recente avalanche de pedidos de recuperação judicial já têm reflexos importantes sobre os fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs). Levantamento da consultoria Quantum Finance, feito a pedido de SELETAS, sugere que a qualidade dos créditos que servem de lastro para as carteiras teve franca deterioração nos últimos anos. As provisões para devedores duvidosos (PDD) — valores reservados pelos fundos para fazer frente a inadimplência de créditos — chegaram a uma média de 14% sobre o valor das carteiras em junho deste ano. Em agosto, último dado disponível, o indicador ainda era de 12,9%. A taxa é muito mais alta que a registrada em maio de 2012, de 7%. A pesquisa da Quantum analisou dados de 989 FIDCs, que representam toda a indústria dessa categoria de fundos no período entre 2012 e 2016.

“O movimento das provisões nos FIDCs se assemelha ao que se viu nos balanços de bancos como Bradesco e Itaú”, avalia Adeodato Volpi Netto, sócio da consultoria Eleven Financial Research. Nos últimos trimestres, como consequência da desaceleração econômica e do recuo da liquidez em geral no sistema financeiro, os dois bancos se viram obrigados a elevar seus níveis de PDD. Tanto no Bradesco quanto no Itaú, em valores absolutos, o aumento dos valores provisionados foi de cerca de 50% de 2014 para cá. Uma consequência secundária desse processo para a indústria de FIDCs foi o impacto sobre a classificação de risco dos fundos. Conforme a Quantum, somente neste ano houve 126 registros de rebaixamento de ratings de FIDCs por agências de risco, ao passo que as elevações somaram apenas 19.

fidcs_s54_pt2

Outra má notícia para a categoria diz respeito às captações. De acordo com dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), as ofertas de FIDCs registradas em 2016 somavam apenas R$ 901 milhões no acumulado até o último dia 26. No ano passado inteiro, o volume chegou a R$ 2,9 bilhões — e, ainda assim, muito distante do melhor resultado recente, de R$ 12,8 bilhões em 2006. Os números absolutos são os mais contundentes, mas os relativos também não animam. Levantamento mensal da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) indica que os fundos de direitos creditórios perderam espaço entre as alternativas usadas pelas companhias para levantar recursos. Neste ano, até agora, eles representam 4,2% das ofertas, à frente apenas das distribuições secundárias de ações — em 2011, os FIDCs corresponderam a 13,3% das captações.

Na visão de Volpi Netto, a razão da queda está justamente na qualidade geral dos recebíveis disponíveis no mercado, que hoje pode ser classificada como “frágil”. Para empacotar e conseguir vender créditos de qualidade inferior, os gestores precisam oferecer prêmios muito elevados — e, então, os FIDCs deixam de ser uma opção vantajosa para quem está em busca de recursos. “O que mais se vê é gente renegociando dívida ou rolando contratos. Para o investidor, que só espera que o crédito seja adimplido na data do vencimento, isso não é interessante”, explica. A alternativa é buscar recursos usando outros instrumentos — em 2016, por exemplo, ganham espaço os certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) e as notas promissórias. O ano, no entanto, não está completamente perdido para os FIDCs — ainda há o equivalente a
R$ 1,8 bilhão em ofertas sendo analisadas pela CVM.


Quer continuar lendo?

Faça um cadastro rápido e tenha acesso gratuito a três reportagens mensalmente.
Tenha o melhor conteúdo do mercado de capitais sem limites ou interrupção.
Assine a partir de R$ 4,90 (nos 3 primeiros meses).
Você está lendo {{count_online}} de {{limit_online}} matérias gratuitas por mês

Você atingiu o seu limite de {{limit_online}} matérias por mês. X

Ja é assinante? Entre aqui >

ou

Aproveite e tenha acesso ilimitado ao melhor conteúdo sobre mercado de capitais!

Básica

R$ 4, 90*

Nos três primeiros meses

01 Acesso Digital
-
10% de Desconto em grupos de discussão e workshops
10% de Desconto em cursos
Acervo Digital
sem áudos**
A partir do 4° mês, o valor cobrado séra de R$36,00

Completa

R$ 9, 90

Nos três primeiros meses

01 Acesso Digital
01 Edição Impressa
10% de Desconto em grupos de discussão e workshops
10% de Desconto em cursos
Acervo Digital
sem áudos**
A partir do 4° mês, o valor cobrado séra de R$42,00

Corporativa

R$ 14, 90

Nos três primeiros meses

05 Acessos Digitais
01 Edição Impressa
15% de Desconto em grupos de discussão e workshops
15% de Desconto em cursos
Acervo Digital
sem áudos**
A partir do 4° mês, o valor cobrado séra de R$69,00

Clube de conhecimento

R$ 19, 90

Nos três primeiros meses

05 Acessos Digitais
01 Edição Impressa
20% de Desconto em grupos de discussão e workshops
20% de Desconto em cursos
Acervo Digital
com áudos**
A partir do 4° mês, o valor cobrado séra de R$89,00

**Áudios de todos os grupos de discussão e workshops.




Participe da Capital Aberto:  Assine Anuncie


Tags:  captação de recursos Fundos de investimento FIDCs inadimplência recuperação judicial invetimento devedores duvidosos Encontrou algum erro? Envie um e-mail



Matéria anterior
Mudanças de rumo
Próxima matéria
Venham, estrangeiros!



Comentários

Escreva o seu comentário sobre este texto!

O seu endereço de e-mail não será publicado.



Recomendado para você





Leia também
Mudanças de rumo
Há muito os Estados Unidos servem de referência para os mercados financeiro e de capitais de todo o mundo. Depois que o tsunami...