Entre ondas (Mills)

Ressacas da Copa e da construção civil ditam queda da empresa de infraestrutura

Captação de recursos/Alta & Baixa/Edição 137 / 1 de janeiro de 2015
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baixa1A empresa de serviços e produtos de engenharia Mills surfou duas grandes ondas da economia brasileira na última década: as obras de infraestrutura para a Copa do Mundo e o boom imobiliário. Em 2014, porém, a desaceleração econômica do setor de construção civil atingiu a companhia carioca em cheio. De janeiro a setembro, a Mills registrou queda em diversos indicadores, como receita líquida, Ebitda e lucro. Suas ações têm sido duramente penalizadas na Bolsa, com queda de 69,2% entre 16 de junho e 16 de dezembro.

A má fase está ligada ao perfil de faturamento da empresa, que aluga equipamentos para obras de infraestrutura e construção civil. A atividade fraca nessas indústrias criou uma espécie de tempestade perfeita para o negócio, que se agravou com a revelação dos escândalos de corrupção da Operação Lava Jato no fim do ano — na berlinda, estão algumas das maiores empreiteiras do País, clientes da Mills. O lucro líquido da companhia no terceiro trimestre caiu para R$ 3,2 milhões, 92% menor que o do mesmo período de 2013.

Na divisão de edificações, que atende incorporadoras e construtoras, a queda no número de lançamentos imobiliários foi o maior problema. A tendência, iniciada em 2012, atinge diretamente a empresa, já que seus produtos são utilizados na primeira fase da construção de um empreendimento. Entre julho e setembro, a receita dessa área de negócios caiu 58,6% em relação a um ano antes.

baixa2O Mundial de futebol, no período dos jogos, também foi prejudicial. O número de feriados e pontos facultativos resultou em demanda menor no segmento de “rental” (aluguel de plataformas para trabalhos em altura), responsável por quase metade do faturamento. Ao mesmo tempo, julho significou o término de diversos contratos realizados para o evento (como obras em estádios) e a entrada dos equipamentos em fase de manutenção, que implica custos elevados, explica Célio Feltrin Júnior, do Banco Fator.

O período de entressafra não deve durar muito. Espera-se que, a despeito da perspectiva de cortes e ajustes no orçamento federal no segundo mandato do governo Dilma Rousseff, o setor de infraestrutura traga boas notícias nos próximos anos. Com base em dados do BNDES, a empresa estima que os investimentos em obras e na indústria atinjam R$ 1,7 trilhão entre 2014 e 2017, uma expansão de 32% sobre o período de 2009 a 2012. “No médio e no longo prazos, as perspectivas para a companhia são boas”, diz Felipe Silveira, da corretora Coinvalores.


A escolha das companhias para esta seção é feita a partir de um levantamento da Economática com a oscilação e o volume negociado mensalmente por ações que possuem giro mínimo de R$ 1 milhão por dia. A partir daí, são escolhidas aquelas que se destacam pelas variações positivas e negativas nos últimos seis meses.




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