A bolsa brasileira e a política
25/10/2013

, A bolsa brasileira e a política, Capital Aberto

Alexandre Póvoa*/ Ilustração: Julia Padula

Entra ano, sai ano, e não conseguimos pensar em bolsa de valores sem falar em governo. Basta abrir o jornal hoje e acompanhar o mercado para perceber:

1. As ações da Petrobras continuam oscilando ao sabor de declarações do governo federal sobre potencial reajuste dos combustíveis (sobretudo o diesel, defasado em aproximadamente 15%) e/ou uma nova “política de previsibilidade de preços”. (Virou moda a presidente da empresa citar essa expressão, apesar de ninguém entender direito o que significa. Mecanismos de indexação automática? Pouco provável.)

2. As ações da Vale continuam sofrendo com a incerteza da regra de tributação dos investimentos no exterior. Serão oito, dez ou 15 anos?  Haverá desconto?  O potencial novo passivo da empresa em relação aos valores devidos torna o desempenho da ação inferior ao dos seus competidores internacionais, num momento em que o bom comportamento do preço do minério de ferro surpreende os analistas.

3. As ações das empresas do setor de educação comemoram hoje a notícia da medida provisória do governo que destina mais R$ 2,5 bilhões para o Programa de Financiamento Estudantil (Fies). Parece que, apesar dos temores fiscais, dinheiro não vai faltar para esse segmento.

4. As ações do setor elétrico têm se movimentado com as especulações sobre uma flexibilização nas regras de renovação das concessões — o que fez esses papéis despencarem recentemente.

5. As ações de varejo começam a se recuperar da fase negra, após um período de inflação alta que inibiu o consumo. Por mais paradoxal que pareça, a recente ação mais afirmativa do BC quanto à elevação de juros tem ajudado o setor, com a melhor expectativa de estabilidade de preços. Enquanto isso, a nossa presidente Dilma, em pesquisa do Ibope, mostra que recuperou sua popularidade, com potencial vitória no primeiro turno.

Enfim, no capitalismo brasileiro que engatinha, todos esperam pelo próximo passo do governo. É bom que o investidor fique de olho na política.


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