Guinada ideológica

É a primeira vez desde 1967 que a economia do Brasil toma um rumo liberal

Análise/Bolsas e conjuntura / 23 de novembro de 2018
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Guinada ideológica

As eleições de 2018 completaram a reviravolta ideológica que o Brasil desenhava desde as manifestações de 2013. O impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, foi um passo nesse sentido: a esquerda perdia o poder presidencial. O pleito deste ano coroou o processo. As mudanças de rumo se verificaram nos níveis federal e estadual, à exceção da região Nordeste.

Desde 1994, com a ascensão de Fernando Henrique Cardoso, a social-democracia — então ainda lustrada por um verniz cosmopolita — prevaleceu na condução do destino nacional. Com a chegada de Lula ao poder, em 2003, e a sucessão por Dilma Rousseff, até 2016, acentuou-se o veio socialista. Houve tentativas de enfraquecimento de opositores, como mostram o DEM como partido de oposição, a ideia de controle da mídia e a opção por relações internacionais (Sul-Sul) que privilegiavam ditaduras ou republiquetas da mesma matriz ideológica. O “Foro de São Paulo” foi o conclave em que se solidificaram esses liames.

Houve ainda os escândalos de corrupção, como o mensalão e o petrolão. Numerosos políticos, de vários partidos, foram processados e presos por pura e simples ladroagem. A Operação Lava Jato revelou propinodutos inimagináveis e transbordou para o campo internacional. As obras no exterior, financiadas com recursos do BNDES a pretexto de exportação de serviços, foram meras cortinas de fumaça. Visavam ocultar mais corrupção, exposta nas delações da Odebrecht.

Essa mescla de eventos criou na população um caldo de cultura anti-esquerda, certa aversão à dita social-democracia. Era natural que o polo oposto viesse a triunfar no pleito deste ano.

As democracias sólidas mudam suas orientações de tempos em tempos. Em 2018, no Brasil, a maioria dos eleitores sinalizou mudanças no rumo que prevalecia até 2016. Muitos indicaram pretender mais liberdade econômica, menos Estado interferindo na vida dos indivíduos e, sobretudo, igualdade de oportunidades. Que se protejam os mais pobres, por meio de medidas de cunho social. Mas que a pobreza seja reduzida pela ampliação do investimento privado e não pela iniciativa estatal. Pelo aumento do emprego e não por meros donativos governamentais.

É a primeira vez desde 1967, ao fim do governo Castello Branco, com Roberto Campos e Otávio Gouvêa de Bulhões, que o Brasil entra num rumo liberal em sua economia. E vai dar certo.

 


Ney Carvalho é historiador




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