Um olhar sobre a governança

Especial/Relações com Investidores/Reportagem/Edições/Temas / 1 de setembro de 2008
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Como lembramos no início deste guia, ao investir em ações de uma determinada empresa você se torna sócio dela. E, justamente por isso, as práticas de governança corporativa devem ser pré-requisito para a sua escolha, porque elas são capazes de aumentar o valor de uma companhia. As empresas que seguem a governança à risca já deram um passo à frente no sentido de tornar o negócio lucrativo e atraente.

O mais importante é entender qual o grau de compromisso do acionista controlador com a própria companhia e com você, acionista minoritário. Portanto, vale reparar na distribuição de dividendos e na possibilidade de voto (lembrando que somente as ações ordinárias conferem esse direito).

Essa questão torna-se evidente em casos de aquisição e fusão, quando é comum ocorrer conflito entre os interesses dos controladores e dos minoritários. Já existem atualmente companhias abertas, como aquelas listadas no Nível 2 da Bovespa, que dão direito a voto aos donos de ações preferenciais em situações como essas.

Outro ponto importante e fácil de ser observado é a transparência com que a empresa divulga suas informações ao mercado. Apesar de não participar da gestão, o investidor individual tem direito de saber como deve caminhar o futuro da companhia, inclusive para decidir se continua ou não investindo nela. Um bom começo para checar o nível de transparência são os sites de Relações com Investidores (RI) das empresas. Para ter alguns parâmetros de comparação, confira as páginas de RI dos grandes bancos, que costumam ser bem completos.

Empresas que fazem conferências e reuniões com analistas e investidores também indicam boas práticas de governança. Mas a maior transparência das informações deve estar mesmo é nos demonstrativos financeiros. Preste atenção na forma de remuneração dos principais executivos. Se for atrelada ao resultado da companhia, motiva os administradores a aumentar o valor da empresa. Vale checar também se o conselho de administração tem, em sua composição, conselheiros independentes.

ESTRUTURA ACIONÁRIA
A ação é a menor fração do capital de uma sociedade anônima. Há dois tipos de ações que podem ser emitidas pelas S.As brasileiras listadas em bolsa: as ordinárias (ON) e as preferenciais (PN). As ordinárias dão direito de voto nas assembléias deliberativas da empresa. Em geral, essas ações estão nas mãos do acionista controlador e têm menos liquidez. Quem possui esse tipo de papel também pode usufruir do chamado tag along, que é o direito de receber pelas ações, no mínimo, 80% do valor pago ao controlador quando o controle da empresa é vendido, conforme prevê a lei.

As preferenciais não dão direito a voto, mas oferecem prioridade no recebimento de dividendos. No Brasil, as ações PN são as que têm mais liquidez. Algumas empresas, por opção e não por obrigação legal, também já estendem o tag along às ações PN.

Uma empresa pode ter 100% de ações ordinárias, porém as preferenciais são limitadas a dois terços do número total de ações do capital (ou a 50% para as empresa criadas após a entrada em vigor da nova Lei das S.As — 10.303/01).
Antes de decidir em qual tipo de empresa investir, verifique os direitos atribuídos às ações que pretende comprar.

Antes de decidir em qual tipo de empresa investir, verifique os direitos atribuídos às ações que pretende comprar.

Caso 2: Ex-executivo confia em sua própria análise e se dá bem

No fim do ano passado, aos 37 anos, o administrador de empresas Eduardo Furlanetti tomou uma decisão importante. O então diretor de uma grande empresa de telecomunicações optou deixar o mundo corporativo durante um certo período para se dedicar ao mestrado. Apaixonado pelo mercado financeiro desde os tempos da faculdade, aproveitou o espaço disponível na agenda para administrar suas próprias economias. E foi aí que se aprofundou na análise fundamentalista dos investimentos.

Furlanetti aprendeu várias lições desde que começou a operar. A primeira é que nem sempre a corretora do banco do qual somos correntistas oferece as maiores vantagens. Outra surpresa foi se deparar com análises “extremamente superficiais” realizadas por muitos profissionais. O investidor cita como exemplo sua recente negociação com ações da Embraer. Enquanto três fontes consultadas (dois bancos e uma corretora independente) indicavam que não era hora de comprar papéis da empresa, em julho deste ano, sua análise mostrava que o preço naquele momento era muito bom. “Bastava olhar para os fundamentos da Embraer para ver que os papéis iriam se valorizar. Afinal, a empresa não é fornecedora das grandes empresas aéreas, setor que puxava a crise juntamente com a alta do preço do petróleo, mas, sim, ligada à aviação regional e ao mercado de defesa”, analisa Furlanetti. Seguiu sua intuição e, em três semanas, obteve um rendimento líquido superior a 20% sobre o valor investido.

“É importante para o investidor individual estudar bastante, para não depender sempre do palpite de terceiros”, aconselha o administrador. Furlanetti presta atenção em indicadores clássicos, como o cálculo do preço sobre o lucro (P/L), do preço sobre o valor patrimonial e da rentabilidade sobre o patrimônio líquido — nesse caso, para ver como a empresa está remunerando seus acionistas. Está sempre atento também para a distribuição de dividendos. Para cada indicador, definiu o seu limite mínimo, o chamado “stop”: não compra, por exemplo, ações em que o P/L é abaixo de 12. “O importante é conseguir sacar aquilo que é oba-oba e aquilo que tem fundamento”.

Em menos de um ano, o portfólio do ex-executivo rendeu quatro vezes mais do que a média do mercado. E essa experiência como home broker acabou mudando seus planos para o futuro. Furlanetti redefiniu, por exemplo, o tema do mestrado, que será voltado para a área de mercado de capitais. Hoje ele ainda está aprendendo, mas quer se especializar mais. É bem provável que, no futuro, faça disso sua nova profissão.


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