O desafio da metamorfose

A necessidade de mudança nos modelos de gestão é evidente, mas ainda há uma enorme bagagem genética a ser vencida pelas organizações

Prateleira/Edição 52 / 1 de dezembro de 2007
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Surge uma nova teoria na eterna busca de vantagens competitivas sustentáveis. Em seu novo best seller, o professor, consultor e “guru da administração” Gary Hamel (co-autor do aclamado Competindo pelo futuro, de 1996) advoga que a exigência competitiva do século 21 levará o modelo de gestão atual à evolução ou à extinção. O século passado testemunhou uma série de avanços na gestão de processos e na evolução organizacional das empresas, sempre com foco na inovação de produtos ou serviços. A próxima batalha, segundo o autor, será travada no campo da inovação em gestão ou, de forma simples, na maneira como as empresas organizam talentos, formulam estratégias e distribuem recursos.

O modelo atual de gestão enfatiza demasiadamente o controle e a eficiência, minando a adaptabilidade e a criatividade inerente às pessoas. O efeito mais visível deste enrijecimento dos processos é uma crença arraigada (um típico “paradigma”) de que “o mundo é assim, não é possível mudar essas coisas”. Após a introdução de seu argumento principal, o autor apresenta uma série de situações organizacionais que certamente tocam a quem vive no mundo corporativo, concluindo a primeira parte da obra e corroborando sua tese.

Em seguida, ele apresenta três exemplos de empresas que desafiam os paradigmas tradicionais de gestão (Whole Foods, W. L. Gore e Google) e como o fazem. Estabelece-se aí um contraste mais nítido entre as práticas “antigas” e o novo “paradigma”, reforçando a visão de que um outro modelo de gestão é possível. Aqui surge o maior desafio: a generalização dessa visão e a declaração profética de que este é o futuro. Embora o objetivo das outras duas partes da obra seja sugerir um conjunto de caminhos possíves e como implementá-los, o distanciamento da realidade das organizações torna a visão quase ingênua.

Mas, se Gary Hamel apresenta o problema e provoca uma convincente necessidade de mudança, o que aprisiona as organizações? A realidade é que entre a visão do futuro e sua efetiva realização há uma enorme bagagem genética a ser vencida. Pode-se traçar um paralelo entre a evolução da humanidade (“pessoas físicas”) e a evolução das “pessoas jurídicas” para ilustrar o desafio da metamorfose. Devido a uma certa inércia causada pela maneira enraizada como enxergam o mundo, as pessoas não buscam mudanças acentuadas na maneira de agir, tipicamente porque não sentem a necessidade. Apenas situações que provoquem risco à própria sobrevivência catalisam as condições necessárias para mudanças radicais. As empresas, assim como as pessoas, são organismos evolucionários, em vez de revolucionários: elas refutam transformações radicais. É simples verificar que a inovação em gestão sugerida pelo autor esbarra no tecido invisível da arquitetura organizacional das empresas, em seus processos e sua hierarquia. Basta notar os exemplos de companhias inovadoras em gestão citados na obra: elas nasceram sem a bagagem genética das grandes organizações, e todas ainda contam com a liderança de seus criadores, estes sim iconoclastas da gestão.

O Futuro da Administração
Gary Hamel
Editora Campus/Elsevier
272 páginas

Felizmente ou não, parece necessária uma “era do gelo” para disparar o gatilho evolucionário e provocar uma mutação no DNA das empresas. O resultado poderia ser uma raça corporativa mais resiliente e inovadora (formada por aquelas que sobreviverem, obviamente) ou então um cataclismo que poderia levarnos de volta à idade da pedra. Há fortes evidências de que ninguém quer pagar para ver.


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