Fischer Black e a revolucionária idéia sobre finanças

Após sete anos de pesquisas, o professor Perry Mehrling mergulha fundo na obra deste acadêmico que fez história

Prateleira / Edição 26 / 1 de outubro de 2005
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ed26_p056-056_pag_1_img_001John Reed, ex-chairman do Citigroup, utilizava a fórmula Black-Scholes para precificar opções e a recomendava aos colegas. Na década de 70, o modelo de cálculo desenvolvido por Fischer Black e Myron Scholes representava a revolução dos derivativos pela criação de novos produtos e mercados nas bolsas de valores e futuros, e representava a influência da cultura de modelos quantitativos na formação do preço das opções – uma nova onda unanimemente incorporada pela academia e pelos mercados.

O efeito multiplicador da revolução Black-Scholes e seus impactos podem ser comparados à descoberta da estrutura do DNA na biotecnologia. Seu reconhecimento ocorreu em 1997, com o Prêmio Nobel de Economia para Robert Merton e Myron Scholes. Devido à morte prematura em 1995, vítima de câncer, Fischer Black foi a grande ausência na premiação do Nobel.

Embora mais conhecido pela fórmula de opções, Black, doutor em Matemática por Harvard, teve uma marcante presença na produção de conceitos, teorias e modelos matemáticos. Por isso mereceu o título de “quant” – abreviação de “quantitative”–, denominação atribuída aos profissionais que constroem e operam modelos matemáticos no mercado. Após sete anos de pesquisas,

Perry Mehrling, professor de Economia do Barnard College da Uni- versidade de Columbia, publicou em agosto deste ano Fischer Black and the Revolutionary Idea of Finance- John Wiley and Sons. Merhling mergulhou fundo na obra de Black: desde seus estudos matemáticos em Harvard, seu primeiro emprego na consultoria Arthur D.Little, sua fase acadêmica no MIT-Massachussets Institute of Tecnology e na Universidade de Chicago, sua atuação criativa como consultor do Wells Fargo e, no Goldman Sachs, onde conquistou a posição de sócio e trabalhou por dez anos.

O livro também contempla a história da política monetária nas últimas cinco décadas. Reflete o progresso das idéias quantitativas produzidas pela academia e testadas pelo mercado, dos fundos mútuos indexados, da criação e ativação do mercado de opções na Chicago Board Options Exchange, e seus efeitos na área de derivativos e futuros, com os contratos “futures” para moedas na Chicago Mercantile Exchange.

Junto com Jack Treynor, Black desenvolveu, adequou e modelou o Capital Asset Pricing Model (CAPM) durante décadas, desde a sua concepção original até a internacionalização, criando ao seu redor um círculo de inteligência universitária , no melhor “network” da academia, pelos contatos com Paul Samuelson, Franco Modigliani, William Sharpe, Merton Miller e Milton Friedman.

Fischer Black and the Revolutionary Idea of Finance
Perry Mehrling 400 páginas Wiley

No Goldman Sachs , contratado por Robert Rubin, Black trabalhou em três áreas. Primeiro dirigiu o Grupo de Estratégias Quantitativas na divisão do mercado de ações; depois, em gestão de ativos e, por último, em pesquisa de renda fixa.

Sua fase no Goldman pode ser considerada a mais contributiva para o mercado, pelo constante questionamento e aperfeiçoamento dos mecanismos de “trading” e sua visão antecipada – e depois confirmada pela globalização – da vantagem da eficiência da informação (alavancada pela tecnologia da informação e das comunicações), da importância dos modelos matemáticos no tratamento e gestão de risco e da busca das oportunidades no desequilíbrio passageiro do mercado.

Quando Rubin defendeu sua contratação, explicou aos sócios do Goldman: “Nós vamos aprender com ele, e ele vai aprender conosco”. Rubin estava certo, e o tempo confirmou isso.


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