Exposição cambial e hedge

Bimestral/Criação de Valor - Stern Stewart & Co./Boletins/Edições/Edição 98 / 1 de outubro de 2011
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Em momentos de instabilidade econômica, os investidores devem analisar mais criteriosamente as variáveis que afetam os resultados das companhias e as providências que elas estão tomando para se proteger contra as eventualidades que podem atingir seus negócios. Considerando que boa parte das empresas brasileiras possui transações em moeda estrangeira ou operações fora do País, o risco cambial é um dos que as deixam mais suscetíveis.

Empresas com negócios no exterior estão sujeitas a dois tipos de risco cambial: o contábil, que ocorre quando uma companhia possui ativos ou passivos no exterior e precisa converter o valor deles para moeda local; e o de transação, ao qual estão sujeitas empresas que possuem receitas ou custos em moeda estrangeira e que podem ter o valor dos contratos em moeda local alterado entre o momento da contratação e a data do pagamento.

O investidor deve estar atento ao tipo e à direção de risco cambial ao qual as empresas estão expostas. Uma companhia exportadora, cuja maior parte da receita é em dólares, por exemplo, sofrerá com a apreciação do real. Já uma importadora será beneficiada. Dependendo do grau de exposição ao câmbio a que a companhia está sujeita, seus demonstrativos serão mais ou menos afetados pela flutuação dessa variável.

Entretanto, mais do que avaliar a sensibilidade dos demonstrativos da empresa à flutuação do câmbio, uma análise fundamentalista criteriosa deve considerar de que maneira a empresa está se protegendo do risco cambial, seja por meio da prática do hedge ou da diversificação do seu portfólio.

O hedge é um mecanismo pelo qual uma companhia pode fixar hoje o valor em reais de um montante que ela tenha a pagar ou a receber em dólares numa data futura. Essa proteção pode ser realizada através de operações no mercado futuro, de opções ou de swap. Contudo, empresas podem fazer apostas erradas em relação à direção da cotação do câmbio, de forma que elas estariam melhor caso não tivessem realizado o hedge.

A aposta na direção errada do câmbio levou grandes empresas brasileiras a sofrerem sérias dificuldades financeiras. Foi o que ocorreu com a Sadia e a Aracruz, que, em 2008, possuíam significativas posições vendidas em dólar (apostando que o real iria se valorizar) quando a quebra do banco Lehman Brothers provocou uma desvalorização repentina do real, levando–as a prejuízos bilionários.

Outro modo de uma empresa diminuir sua exposição cambial é a diversificação. Ao correr o risco de diversas moedas ao mesmo tempo, a companhia deixa de estar exposta a uma única moeda, e seu valor fica menos sensível às flutuações nas taxas e câmbio.

Independentemente de como a empresa está se protegendo, um investidor deve saber identificar os resultados das posições de hedge nos demonstrativos das companhias, para medir corretamente os potenciais impactos da volatilidade do câmbio no resultado. Nesse sentido, a contabilidade de hedge pelo IFRS tenta fazer com que haja uma simultaneidade entre o reconhecimento do resultado sobre o derivativo e o reconhecimento do item objeto de hedge. No caso de cash flow hedges, a marcação a mercado dos instrumentos financeiros é feita no patrimônio líquido, afetando o resultado somente no momento da liquidação. Já os fair value hedges podem ser contabilizados apenas no resultado, mesmo enquanto ainda estiverem em vigor.

Dada essa incerteza em relação a como o valor da empresa será afetado pelo câmbio — principalmente em momentos de instabilidade como o atual e o da crise de 2008 —, um investidor que souber analisar simultaneamente as consequências tanto da exposição cambial quanto do hedge nas empresas que analisa terá maior probabilidade de escolher companhias criadoras de valor e, daí, obter elevado retorno em seus investimentos.


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