Energia vencedora – AES TIETÊ | 1º LUGAR VM entre R$ 5 bilhões e 15 bilhões

Geração de caixa previsível, receita protegida contra a inflação e boas perspectivas de crescimento animam investidores da AES Tietê

Relações com Investidores/Temas/Reportagem/As Melhores Companhias para os Acionistas 2012 / 1 de outubro de 2012
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As incertezas na Europa, a desaceleração dos Estados Unidos e o crescimento acanhado no Brasil têm prejudicado o desempenho do mercado acionário. Nos 12 meses até 30 de agosto, o termômetro da Bolsa, o Ibovespa, subiu apenas 4,5%. Mas, para a AES Tietê, os tempos têm sido menos apáticos: os papéis preferenciais, mais líquidos, valorizaram 52% nesse período. Esse é um dos motivos, mas não o único, que levou a empresa a ganhar a medalha de ouro no prêmio As Melhores Companhias para os Acionistas 2012, dentre as empresas com valor de mercado entre R$ 5 bilhões e R$ 15 bilhões.

Três características da AES Tietê seduzem os investidores: geração de caixa previsível, receita protegida contra a inflação e boas perspectivas de crescimento. Entre 2010 e 2012, a base de acionistas aumentou 23%. Já a média diária de negociações dobrou, para mais de 14 mil negócios diários. “Temos previsibilidade de retorno e estamos em um setor defensivo, além de sermos bons pagadores de dividendos”, destaca o vice-presidente de finanças e relações com investidores, Rinaldo Pecchio. A combinação de boa performance das ações e de um dividend yield acima de 10% em 2011 permitiu à companhia alcançar um Total Shareholder Return (TSR) de 8,75%, bem acima da mediana da categoria (-3,42%).

No quesito EVA, estimativa do lucro econômico após a subtração do custo de oportunidade do capital empregado no negócio, a empresa obteve um incremento de 4,48%. A nota reflete o bom desempenho financeiro da AES Tietê. No segundo trimestre, a empresa registrou lucro líquido de R$ 229,5 milhões, alta de 43% em relação ao mesmo período do ano passado. A receita líquida, por sua vez, subiu 31% e atingiu R$ 535,2 milhões. Com isso, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 404,2 milhões, alta de 32,8%.

Uma das maiores geradoras de capital privado do Brasil, a AES Tietê possui 19 hidrelétricas, com capacidade instalada de 2.663 MW e garantia física de 1.282 MW médios. Pouco mais de 90% de sua receita está atrelada a um contrato de comercialização de energia com a AES Eletropaulo, braço de distribuição do grupo no Brasil. Reajustado anualmente com base no IGP-M, o acordo, válido até 31 de dezembro de 2015, estabelece a venda do MWh por R$ 183. Para se ter uma ideia do quanto esse valor é vantajoso, basta dizer que, em leilão de energia realizado no ano passado pelo governo federal, o MWh chegou ao mercado a R$ 102. Apesar da dependência desse contrato ser vista por alguns investidores como um risco, Sandra Peres, analista da Coinvalores, afirma que “a companhia já vem trabalhando para substituí-lo para o mercado livre até 2016”.

Nos próximos cinco anos, a AES Tietê planeja acrescentar 3 mil MW ao seu parque gerador, o que vai mais do que dobrar sua capacidade de oferta. Parques eólicos e térmicas a gás são projetos estudados. Também não está afastada a possibilidade de aquisições. Fôlego para isso a AES Tietê tem. Segundo Pecchio, a relação entre dívida líquida e Ebitda da companhia poderia superar três vezes sem impactar a estrutura de capital — hoje é de 1,4 vez.

O contrato de concessão da AES Tietê expira apenas em 2029 e é prorrogável por mais 30 anos

Em um momento em que o governo discute se irá renovar ou prorrogar de novo algumas concessões de energia elétrica que vencem entre 2015 e 2017 — a maioria desses contratos está nas mãos de estatais como Cemig, Cesp e Eletrobrás — a situação da AES Tietê é bastante confortável. O contrato de concessão expira apenas em 2029 e é prorrogável por mais 30 anos. “Essa é outra razão de sermos vistos como um investimento seguro”, observa o executivo.

No item governança, a companhia teve sua pior nota, 5,8, bem próxima à mediana, de 5,6. Listada no mercado tradicional da BM&FBovespa, a AES Tietê mantém duas classes de ações. O conselho de administração, responsável pela definição da estratégia da empresa, conta apenas com dois membros independentes de um total de 11 — o mínimo que exige a legislação.

A companhia é listada no Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) desde 2007 e, no início deste ano, a AES Brasil, controladora da geradora, lançou o que chama de plataforma de sustentabilidade. Ela começou a ser desenvolvida em 2010, com o objetivo de alinhar programas e iniciativas direcionados ao desenvolvimento econômico, ambiental e social das comunidades nas quais o grupo está presente. Para avançar nesses temas, a AES Tietê buscou escutar os seus públicos de relacionamento. Realizou ciclos de diálogos que contaram com a participação de 250 pessoas entre colaboradores, fornecedores, clientes e representantes de diferentes setores da sociedade (como Poder Público, ONGs e outras instituições). “Algumas métricas dos resultados dos executivos incorporam itens de sustentabilidade, como segurança”, afirma Pecchio.




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