Quase lá

Após aporte da BNDESPar, BRQ se prepara para listar ações no Bovespa Mais e, até 2015, fazer uma oferta pública no Novo Mercado

Captação de recursos/Reportagem/Private Equity - Coletânea de casos 2013 / 1 de agosto de 2013
Por 


Augusto Schaffer (esq.) e Pedro dos Passos, da BNDESPar: desde o aporte do banco, a BRQ fez cinco aquisições e mais que quadruplicou o faturamento

Mais uma companhia de tecnologia da safra de investimentos da BNDESPar, braço de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), está chegando ao mercado de capitais. A BRQ, que atua com serviços de tecnologia da informação (TI), prepara sua estreia em bolsa. O plano é listar a empresa no segmento de acesso da BM&FBovespa, o Bovespa Mais, ainda em 2013 e, em até três anos, fazer uma oferta pública de ações (IPO) no Novo Mercado.

A separação entre a listagem e o IPO é uma estratégia já testada pela Senior Solution — uma das companhias do setor que, além da Linx, receberam aportes de capital da BNDESPar e lançaram ações no primeiro semestre deste ano. O objetivo é expor a BRQ ao mercado e permitir, ao mesmo tempo, que ela se acostume com a realidade de uma companhia aberta. Com a empresa preparada, parte-se para o IPO. A ideia é fazer uma oferta mista: secundária, para dar saída parcial aos sócios; e primária, para levantar os recursos que financiarão aquisições.

Apesar de a BRQ já ter um porte que a torna elegível ao Novo Mercado, os investidores de risco preferem esperar. “A empresa ainda não tem similares no Brasil, o que dificulta sua análise”, afirma Augusto Schaffer, gerente do departamento de gestão de participação da área de capital empreendedor da BNDESPar. “Além disso, as ofertas no Novo Mercado são maiores e os atuais acionistas sofreriam uma diluição muito grande.”

Com a listagem feita, primeiramente, no Bovespa Mais, a BRQ ganha tempo para crescer até o IPO. Afinal, melhor deter uma parcela menor de uma empresa que venha a valer mais do que uma fatia maior de uma companhia que hoje valha menos. Benjamin Quadros, fundador e presidente da BRQ, diz que os negócios devem manter, até 2015, o ritmo de expansão de 30% ao ano apresentado desde 2011. A estimativa é fechar 2013 com faturamento
de R$ 530 milhões.

A BRQ atua na terceirização de processos de negócios (BPO, na sigla em inglês), prestando uma gama de serviços que vai de computação em nuvem a consultoria em TI. Diferentemente da Totvs e da Linx, não tem receita de licenciamento porque desenvolve softwares sob encomenda. Seus clientes estão
principalmente nos setores de finanças, energia e telecomunicações. Por isso, o modelo de negócio da BRQ, segundo Quadros, seria mais comparável ao da Accenture e da Cognizant, empresas de serviços de TI com capital aberto nos Estados Unidos.

A BNDESPar adquiriu 23% do capital da BRQ no fim de 2007, quando a companhia faturava cerca de R$ 100 milhões. O setor de TI vem sendo tratado pelo banco de fomento como prioridade. Se o Brasil tiver sucesso na empreitada, pode ficar menos dependente das exportações de commodities. Além disso, trata-se de uma área que não só emprega mão de obra qualificada como também contribui para a melhoria de produtividade de empresas de outros segmentos. “O setor de TI está cheio de oportunidades que devem ser aproveitadas também pelos investidores privados”, garante Pedro dos Passos, chefe de departamento de investimentos em pequenas e médias empresas inovadoras da BNDESPar.

A BRQ apostava na internacionalização de seus negócios quando se viu obrigada, com a crise de 2008, a redirecionar o foco para o mercado interno. Enquanto recrudescia a competição mundial, encabeçada pelas companhias indianas, a demanda doméstica se mostrava pujante. Parte do capital que havia sido injetado pela BNDESPar para bancar a expansão em outros países passou, então, a ser destinado quase que exclusivamente a aquisições.
De acordo com Schaffer, a demanda por serviços de TI no Brasil supera três a quatro vezes a oferta, com o setor evoluindo aqui mais que os 10% ao ano do resto do mundo.

Desde o aporte da BNDESPar, a BRQ fez cinco aquisições e mais que quadruplicou o faturamento. Mas, nos últimos dois anos, cresce apenas de forma orgânica. “Como agora estamos trabalhando com empresas de maior porte, as aquisições tornam-se mais complexas”, ressalta Quadros. A BRQ está estruturando sua área de relações com investidores e completando a mudança de auditoria semestral para trimestral, pré-requisitos para listar ações na bolsa. A criação do conselho de administração data da entrada da BNDESPar, que é um dos cinco membros participantes, ao lado de quatro sócios.

Ao contrário da maioria dos fundos de private equity, a BNDESPar não tem prazos rigorosos para se desfazer dos investimentos. “Costumamos entrar mais cedo nas operações, comprar participações expressivas e permanecer por tempo maior”, explica Schaffer. “Por isso, o retorno costuma ser superior ao do mercado.” Os cuidados para garantir a porta de saída, no entanto, vêm sendo reforçados. Há dois anos, as empresas que recebem recursos do braço de participações do BNDES se comprometem a listar ações no Bovespa Mais, em prazo que varia de acordo com o estágio de desenvolvimento do negócio. No caso da BRQ, ainda não havia a obrigatoriedade de listagem no segmento de acesso da bolsa como contrapartida ao aporte de capital. Mas a empresa está pronta para dar esse passo.


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