Fáceis e baratos

Fundos de índice permitem a pequenos investidores diversificar suas aplicações a custos baixos



O exchange–traded fund (ETF) é um fundo de investimento que apresenta negociação em bolsa de valores como se fosse um instrumento de renda variável. Ele consiste em uma carteira composta de ações, commodities ou títulos de renda fixa com objetivo de replicar um determinado índice financeiro. No fim de novembro, havia dez ETFs cotados na BMF&Bovespa.

Uma das vantagens dessa forma de investimento é o seu baixo custo, pois as taxas de administração cobradas nesses fundos normalmente são pequenas. Isso permite a investidores com menor poder aquisitivo diversificar suas aplicações usando apenas um único veículo que representa uma carteira de ativos. Trata–se de uma característica que torna a operação em bolsa mais fácil e menos arriscada. Com esses benefícios, pode–se pensar numa tendência de substituição do movimento de aplicação e resgate em fundos de índices passivos não negociados na BM&FBovespa pela compra e posterior venda de cotas de ETFs.

Outro ponto forte desses fundos é que eles têm flexibilidade. Ao operar as cotas de ETFs, o investidor consegue movimentar uma carteira de ativos sem a necessidade de negociá–los individualmente. Assim, ele pode estabelecer estratégias eficientes de investimentos sem precisar estruturar uma carteira correspondente ao índice.

Os ETFs também fornecem agilidade aos investidores e gestores, que não precisam ajustar as quantidades de ativos das suas carteiras sempre que há uma alteração na composição do índice que o fundo espelha. São os administradores dos ETFs que mexem constantemente no teor de ações, commodities ou títulos das cestas de investimento.

Uma das maiores críticas às operações com os ETFs é que, por meio deles, as ações de diferentes empresas passam a ser negociadas em um pacote, o que aumenta a correlação entre elas. O argumento é válido, mas não se trata de um problema criado por esses fundos. A existência de um índice que reúne diferentes ativos e serve de referência ao mercado já faz com que isso aconteça.

Esse mercado poderia se tornar mais eficiente se os órgãos reguladores entendessem que os ETFs estão mais próximos das ações do que dos fundos de investimentos. Suas cotas são negociadas em bolsa e passíveis de uso, inclusive, em estratégias de aluguel — apostando na queda, investidores podem vender cotas que alugaram para readquiri–las, posteriormente, a um preço menor e ganhar na diferença.

Contudo, os ETFs são considerados fundos de investimento para fins de regulação. Fundos de investimento multimercado (FIM) abertos ao público em geral são limitados a aplicar no máximo 20% de seu patrimônio em fundos, com um teto de até 10% em cada um, mas de até 67% em ações; os fundos de ações (FIA) têm de concentrar no mínimo 67% de seus recursos em ações.

Essas limitações fazem com que gestores de recursos acabem comprando pouco esse produto, pois a aquisição pode provocar o desenquadramento de FIMs e FIAs. Se não houvesse esse tipo de restrição, o mercado dos ETFs poderia se expandir ainda mais.

Os nossos reguladores mostram que não compreenderam a dimensão desse novo instrumento financeiro, que poderá impulsionar o crescimento do mercado acionário nacional e abrir espaço para mais pessoas físicas começarem a operar com renda variável.


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Tags:  bmfbovespa ETF exchange traded fund índice Encontrou algum erro? Envie um e-mail



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