“Número de fintechs saltou de 50 para 200 em dois anos”

Roberto Dagnoni

Seletas / Bolsas e conjuntura / Relevo / Edição 52 / 14 de outubro de 2016
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Roberto Dagnoni*

Roberto Dagnoni*

O setor financeiro no Brasil foi inundado nos últimos tempos por uma onda peculiar de startups, as chamadas fintechs. Em linhas gerais, essas empresas oferecem produtos e serviços semelhantes aos dos bancos tradicionais, mas com plataformas inovadoras e preços muito mais atrativos para os clientes. Diante desse cenário, a Cetip, maior depositária de títulos privados de renda fixa da América Latina, busca estreitar seu relacionamento com esse ecossistema de inovação. Passou a integrar a rede do Cubo, aceleradora de empresas do Itaú, e, mais recentemente, firmou parceria com o programa de aceleração Darwin Starter e lançou a Vertical Fintech — ambas iniciativas sediadas em Santa Catarina. De acordo com Roberto Dagnoni, diretor de novos negócios, a Cetip quer mergulhar no mundo das startups e investir em inovação para ajudar a melhorar todo o sistema financeiro do País. Confira a seguir a entrevista de Dagnoni à SELETAS.

Nicho em expansão
“O que nós vemos no mercado brasileiro de fintechs são cases de sucesso e com aderência muito relevante. São os casos de NuBank, GuiaBolso e ContaSuper [conta 100% digital que pode ser controlada pelo aplicativo do celular ou pelo computador], comprada pelo Santander. Esse movimento de aquisição por um dos maiores bancos do País mostra que as startups desenvolvem serviços de qualidade. Esse setor cresce rapidamente. O número de fintechs saltou de 50 para 200 em dois anos.”

Parceria com os bancos
“Ainda é cedo para sabermos exatamente como será o comportamento do mercado, mas, por ora, as fintechs não substituem os bancos. As instituições financeiras, inclusive, divulgam relatórios nos quais afirmam que a relação com as fintechs será de colaboração. Essas startups complementam ou melhoram os serviços dos bancos, até porque a natureza delas é assumir determinada função no serviço financeiro e atacar um nicho específico, algo muito segmentado. Essa atuação facilita parcerias com as instituições financeiras.”

Plano de aproximação
“O plano da Cetip de aproximação com as startups se concentra em quatro áreas de atuação: fintechs propriamente ditas, seguradoras — chamadas de insurancetechs nos Estados Unidos —, telecom e big data. Preferimos essa segmentação para atrair soluções que o empreendedor não reconhece como financeiras. O empreendedor de big data, por exemplo, pode não saber identificar exatamente se a solução que desenvolveu é útil para o sistema financeiro, mas a Cetip tem a capacidade de fazer essa avaliação. Além dessas quatro áreas, monitoramos uma quinta categoria: a das regtechs. Essas startups se destacam nos Estados Unidos ao apresentar soluções voltadas a questões regulatórias. Mas no Brasil esse movimento ainda é muito incipiente.”

Apoio às fintechs
“Recentemente lançamos dois trabalhos em Santa Catarina para nos aproximar do ecossistema de startups. O primeiro envolve a aceleradora Darwin Starter, de que somos parceiros. Participamos do programa com mentorias e compartilhando nossa rede de relacionamento. A segunda iniciativa é com a Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia. A entidade tem cerca de 900 empresas associadas, organizadas em verticais [grupos de atuação]. Já existiam, por exemplo, as verticais de saúde, educação e internet das coisas. Propusemos, então, a criação da vertical fintech. Nosso papel será o de atrair empresas para se engajar nesse grupo e coordená-lo nos primeiros anos. No encontro de lançamento [no início de outubro], 50 empresas marcaram presença. Considero um excelente número. A participação no Darwin Starter também foi alta. Foram 300 inscritos no processo, para selecionarmos dez.”

Em busca de mais parcerias
“Além desses projetos em Florianópolis, apoiamos o Cubo, do Itaú, em São Paulo, e estamos conversando com iniciativas de apoio a startups em Belo Horizonte e no Recife. Internamente, também temos um programa [chamado Foresee] que conecta funcionários da Cetip com startups. Cinquenta colaboradores se dispuserem a ajudar empreendedores usando suas experiências. Se alguma startup está com dificuldade com marketing ou fluxo de caixa, por exemplo, pode falar com um de nossos especialistas sobre esses assuntos. A Cetip sempre inovou, mas nos tornamos cada vez mais abertos, para acompanhar as mudanças no mercado. Nossa estratégia ao nos aproximar desse novo mundo é melhorar o sistema financeiro como um todo, e não apenas as startups que tenham sinergia imediata com a Cetip”.


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Tags:  cetip Fintechs tecnologia financeira Vertical fintech Roberto Dagmoni Darwin Starter Encontrou algum erro? Envie um e-mail



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