Energia bem gasta

Para preservar o crescimento, Equatorial corta custos e é uma das poucas a se valorizar em bolsa

Especial / Relações com Investidores / Edições / Temas / As Melhores Companhias para os Acionistas 2009 / Reportagem / 1 de outubro de 2009
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Manter o cronograma de um de seus projetos mais ambiciosos — a construção de duas usinas termelétricas no estado do Maranhão, com entrega prevista para janeiro de 2010 — tornou-se uma das obsessões dos executivos da Equatorial Energia nos últimos tempos. Com o agravamento da crise financeira e o cenário de escassez de crédito que se desenhava no fim do ano passado, a preocupação em preservar investimentos prioritários passou a pautar a maior parte das decisões da companhia. “Resolvemos tomar medidas emergenciais”, afirma o diretor de relações com investidores (RI) da Equatorial, Eduardo Haiama. “Afinal, em outras crises, o Brasil sempre foi mais penalizado que a média dos mercados.”

Companhia revisa seus processos, como os de responsabilidade ambiental, com o intuito de integrar o ISE

A prudência levou a companhia a diminuir custos, por meio de um controle austero de despesas, bem como reduzir seu capital social em R$ 82,3 milhões para fazer reserva de lucro. Uma posição conservadora, mas necessária, explica o CEO, Carlos Piani. “Assim conseguimos investir e até aumentar o crescimento orgânico das nossas empresas no período”, diz ele. Além da maranhense Geranorte, estão entre os negócios da Equatorial a Light, distribuidora de energia elétrica do Rio de Janeiro, e a Cemar, distribuidora do Maranhão que conduz um programa de universalização de energia para a população rural do estado.

O resultado do esforço foi uma travessia tranquila por uma das crises mais agudas da história da economia mundial. E ainda a segunda colocação no ranking das Melhores Companhias para os Acionistas 2009, na categoria das empresas com valor de mercado de até R$ 5 bilhões. Os indicadores avaliados no ranking mostraram uma companhia forte aos olhos dos investidores. Ela foi uma das que mais conseguiram produzir valor no período avaliado, sem comprometer sua base de capital, um aspecto captado por meio do índice EVA (economic value added). A conquista lhe rendeu nota 9,0 nesse critério.

No período de junho de 2008 a junho de 2009, a Equatorial também foi uma das únicas, dentro de sua categoria, que obtiveram um total shareholder return (TSR) positivo. Esse indicador mede a valorização da ação acrescida dos dividendos distribuídos pela empresa. Com alta de 3,9% em seu TSR, descontado o custo de capital, a Equatorial atingiu nota 10 nesse quesito, enquanto a mediana de seus 49 pares avaliados no ranking foi 6.

O fato de estar em um setor pouco afetado por turbulências — as receitas das elétricas geralmente são previsíveis — ajudou, reconhecem os executivos. Porém a busca de eficiência nos custos e a alavancagem equilibrada, medidas postas em práticas desde a chegada dos atuais controladores à empresa, em 2004, também têm participação nesse resultado.

A Equatorial vem construindo, nos últimos anos, um dos casos bem-sucedidos de privatização no setor elétrico do País, segundo o analista da área de energia da Ativa Corretora, Ricardo Corrêa. “A gestão privada trouxe transparência e uma política de maior responsabilidade nos investimentos”, acredita. De fato, nos últimos cinco anos, a reestruturação financeira e a melhora do desempenho operacional — as receitas cresceram a uma média anual de 45% e o Ebitda, a uma taxa de 74% — fizeram cair o nível de endividamento da companhia. “Isso nos permitiu passar por essa crise sem a necessidade de captar recursos”, conclui Corrêa.

Outro comportamento que levou satisfação aos acionistas foi a distribuição de proventos. Mesmo em tempos nebulosos, a companhia conseguiu entregar R$ 202 milhões em dividendos e juros sobre capital próprio em 2008, o equivalente a 100% de seu lucro líquido no ano. A redução do capital também resultou na distribuição de mais R$ 82,3 milhões aos donos de papéis da Equatorial.

Com a saúde intacta após o furacão, a empresa pretende continuar investindo. Segundo Haiama, desde o segundo trimestre de 2009, as melhoras no cenário macroeconômico têm ocorrido dia após dia. “Já vemos o custo de captação se reduzindo e os prazos, se alongando”, diz o diretor de RI. A volta gradual à normalidade estimulou a companhia a buscar novos financiamentos. No último mês, realizou uma emissão de debêntures. Parte do capital deverá ser usada no consórcio da Geranorte, no qual a Equatorial é responsável por 25% do valor total investido, de R$ 550 milhões. Por ora, o presidente da companhia, Carlos Piani, descarta a possibilidade de novas aquisições.

Ao mesmo tempo que retoma os investimentos no cenário pós-crise, a Equatorial também prepara novidades na única área em que perdeu pontos no ranking 2009: a sustentabilidade. Segundo seus executivos, a holding vem adotando o modelo da Fundação Nacional de Qualidade (FNQ) para vários processos dentro da empresa, que incluem os de responsabilidade ambiental. A próxima meta é a adesão ao Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), da BM&FBovespa, que poderá ocorrer ainda neste ano.


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