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“Estamos estudando a possibilidade de realizar um projeto piloto em FIPs, especificamente em alguns planos da carteira da Petros”
Henrique Jäger, presidente da Petros
Henrique Jäger, presidente da Petros

Gerir um patrimônio de R$ 130,5 bilhões é um desafio único na vida de qualquer profissional. Se este volume gigante de recursos tiver como objetivo garantir a aposentadoria de milhares de pessoas, o desafio é ainda maior. É esta a função hoje desempenhada por Henrique Jäger, presidente da Petros, o fundo de pensão dos funcionários da Petrobras. No ano passado, o resultado da Petros foi histórico, aumentando em 8% o patrimônio total, mesmo com um pagamento de R$ 9,4 bilhões em benefícios.

Segundo Jäger, o resultado dos investimentos foi determinante para que a entidade fechasse o ano esse patrimônio. O retorno líquido dos investimentos somou R$ 13,3 bilhões, mais de 70% superior ao obtido em 2022. Em entrevista à Capital Aberto, Henrique Jäger comenta sobre os resultados da organização, fala dos planos de investimento da Petros e do interesse – ou não – de investir nas novas debêntures de infraestrutura.

Henrique Jäger, “Estamos estudando a possibilidade de realizar um projeto piloto em FIPs, especificamente em alguns planos da carteira da Petros”, Capital Aberto

A Petros obteve, em 2023, a melhor rentabilidade em quatro anos. A quais estratégias a companhia deve esse resultado?  

Fechamos 2023 com rentabilidade de 12,6%, quase três pontos percentuais acima do nosso objetivo médio de retorno, de 9,7% em 2023. Os nossos maiores planos de benefícios atingiram seus objetivos de retorno, refletindo a qualidade da nossa gestão de investimentos. Cada plano de previdência da Petros, são 34, possui a própria estratégia de investimentos, que é elaborada a partir de estudos chamados de ALM, sigla em inglês para gestão de ativos e passivos. Essas estratégias consideram características, nível de maturidade e perfil de risco de cada plano.

De forma geral, as estratégias dos planos mais maduros, como os de benefício definido, focam em segurança e proteção dos ativos investidos, com maior grau de conservadorismo. Nesses planos, como PPSP-R e PPPSP-NR, concluímos em outubro do ano passado a estratégia de imunização das carteiras. Aproveitamos o cenário de patamar elevado dos juros para adquirir títulos públicos federais com taxas acima das metas atuariais, casando o fluxo de vencimento dos títulos com os compromissos de pagamento de benefícios aos aposentados e pensionistas. A implementação da estratégia foi concluída com 82% da carteira dos planos de benefício definido imunizadas, em linha com a meta que havia sido definida nos estudos de alocação, que avaliou cenários futuros do ponto de vista do ativo e do passivo.

Já nos planos mais jovens, como de contribuição variável, as estratégias buscam maior diversificação, visando mitigar riscos e aumentar rentabilidade. Neste caso, a gestão da Petros buscou aproveitar os diversos movimentos do mercado ao longo do ano passado, atuando ativamente no processo de alocação nas diferentes classes de ativos, como, por exemplo, na renda fixa e nos Fundos de Investimentos Imobiliários. Nas estratégias de renda variável, os gestores internos e externos tiveram posição mais ativa nas estratégias de valor e de alta liquidez, contribuindo para o bom desempenho dos investimentos dos planos.

Henrique Jäger, “Estamos estudando a possibilidade de realizar um projeto piloto em FIPs, especificamente em alguns planos da carteira da Petros”, Capital Aberto

Como estão as alocações da Petros em termos de participação por classe de ativos? 

Por sua natureza previdenciária e de longo prazo e, também, diante da maturidade de seus principais planos, a Petros aplica um grande volume de recursos no segmento de renda fixa, que representa 80,3% da carteira de investimentos consolidada da fundação no fim de 2023. Importante dizer que a rentabilidade dos títulos públicos permanece atrativa, principalmente considerada a fase inicial do ciclo de redução da taxa básica de juros do país. Seguiremos atentos a oportunidades neste mercado.

 Uma outra parcela de 9,6% da carteira de investimentos da Petros está em renda variável, especialmente fundos de ações. Para avançarmos em nossa estratégia de imunização dos planos de benefícios definido, aproveitamos oportunidades de mercado para vender ações e resgatar cotas de fundos de renda variável no ano passado. Os recursos foram utilizados para compra de títulos públicos federais, acima das metas atuariais dos planos, aumentando a segurança e a previsibilidade da carteira desses planos mais maduros.

Temos ainda cerca de 3,8% da carteira aplicada em investimentos estruturados, com a predominância dos fundos multimercados, que são uma das nossas prioridades para essa classe de ativos, e em menor grau os fundos de investimento em participações (FIPs).

Já o investimento no exterior, um dos segmentos para diversificação da nossa carteira, ainda tem peso pequeno na fundação, representando 0,4% do total da carteira de investimentos. Possuímos ainda 3,4% da carteira em investimentos imobiliários e 2,4% em operações com participantes (empréstimos).

Henrique Jäger, “Estamos estudando a possibilidade de realizar um projeto piloto em FIPs, especificamente em alguns planos da carteira da Petros”, Capital Aberto

Quais são os principais investimentos em private equity da fundação e, quando olhamos para o futuro, há a perspectiva de que os PE ganhem relevância na carteira? Quais setores mais interessam? 

Nos últimos anos, realizamos um amplo trabalho de readequação dessa carteira. Paralelamente, realizamos um trabalho de fortalecimento da governança dessa modalidade de investimento, estudando as melhores práticas e experiências bem-sucedidas no Brasil e no mundo.

Como parte desse trabalho, estamos atualmente estudando a possibilidade de realizar um projeto piloto em FIPs, especificamente nos planos PP-2, FlexPrev, Misto Sanasa e PGA (Plano de Gestão Administrativa). Todos os setores podem ser avaliados, com muito rigor, mas somente projetos que atenderem às características desses planos, como perfil de maturidade e risco, serão considerados. Se voltarmos a investir nesse segmento, isso será feito com muita parcimônia e em fundos que dialoguem com o perfil desses planos.

Além disso, importante dizer que qualquer alocação dependerá de uma série de critérios técnicos, rigorosas análises de mercado e de risco, e precisará, ainda, passar por amplo processo de aprovações das instâncias de governança, como Comitê de Investimentos (Comin), Diretoria Executiva e o Conselho Deliberativo, que é a nossa instância máxima de governança. Para os demais planos, em função do perfil deles, seguem vedadas as novas alocações em FIPs.

Henrique Jäger, “Estamos estudando a possibilidade de realizar um projeto piloto em FIPs, especificamente em alguns planos da carteira da Petros”, Capital Aberto

Em outras entrevistas, você citou a expressão “imunização da carteira”. Quais são as medidas tomadas pela Petros neste sentido?

Concluímos em outubro do ano passado a estratégia de imunização dos nossos planos de benefício definido, como PPSP-R e PPSP-NR, com o objetivo dar mais segurança e previsibilidade de retorno aos investimentos, mitigando riscos de novos déficits. Nesse processo, nós aproveitamos o cenário de patamar elevado dos juros para adquirir títulos públicos federais com taxas acima das metas atuariais. Entre compra e venda de títulos públicos, movimentamos R$ 83,4 bilhões. Já a parcela da carteira que não foi imunizada, de 18%, na média, é composta por ativos de renda variável, multimercados e renda fixa, assim como pela carteira dos ativos ilíquidos, como são chamados os investimentos que não podem ser vendidos a qualquer momento e que requerem estratégias consistentes de negociação.

Henrique Jäger, “Estamos estudando a possibilidade de realizar um projeto piloto em FIPs, especificamente em alguns planos da carteira da Petros”, Capital Aberto

O que mudou, ao longo do tempo, na política de investimentos da Petros? E quais as principais mudanças na política de investimento mais recentes, últimos cinco anos por exemplo?

Nos últimos dois anos, as diretrizes que permeiam as Políticas Investimentos são a segurança e a proteção do patrimônio dos participantes, especialmente nos planos mais maduros, como os de benefício definido. Essas diretrizes permanecem para os próximos anos. Para 2024, nosso foco está também em ampliar a diversificação nos planos mais jovens, em fase de acumulação de recursos, como o PP-2 e o FlexPrev. Com a alocação de ativos em diferentes classes, o objetivo é mirar boas oportunidades de mercado e alcançar os retornos esperados.

Henrique Jäger, “Estamos estudando a possibilidade de realizar um projeto piloto em FIPs, especificamente em alguns planos da carteira da Petros”, Capital Aberto

Os fundos de pensão têm alocações tímidas em ativos no exterior. Por quê? E como mudar esta realidade?

O investimento no exterior é um dos segmentos para diversificação da nossa carteira, mas ainda tem peso pequeno na fundação, de 0,4% do total. Nesse mercado, a fundação mantém alocações em produtos desvinculados dos investimentos locais, de modo a elevar a proteção das carteiras com produtos não disponíveis no mercado doméstico, como as grandes empresas de tecnologia. Estamos em uma curva de aprendizado em relação a esta modalidade de investimentos, e continuaremos conservadores no próximo ciclo.

Henrique Jäger, “Estamos estudando a possibilidade de realizar um projeto piloto em FIPs, especificamente em alguns planos da carteira da Petros”, Capital Aberto

Quais as perspectivas de investimentos da organização diante do cenário de queda de juros no Brasil e perspectiva de redução também em outros mercados? 

Olhando para 2024, a vigilância é imperativa no cenário externo, especialmente em relação à postura dos demais bancos centrais, à evolução da atividade econômica local, à inflação nos blocos econômicos globais, ao desempenho econômico da China e aos possíveis desdobramentos em eventos geopolíticos e sociais. No cenário interno, devemos estar atentos às diretrizes da política fiscal em consonância com a política monetária.

Diante deste quadro, a Petros vê um cenário positivo de investimentos para 2024, apesar de um início de ano um pouco indefinido. O momento é de aguardar a definição do banco central americano, o Federal Reserve (Fed), sobre o início do processo de redução de taxa de juros.

Vemos espaço para aumentar posições e apostas em Brasil, uma vez que o mercado está desalavancado e existe uma clara tendência de queda da inflação e, consequentemente, taxa básica de juros, a Selic. Por exemplo, o Ibovespa tem oscilado entre 126 mil pontos e 131 mil pontos, que foi o fechamento no fim do ano passado. Existe muita indefinição no curto prazo, embora o cenário permaneça positivo para o ano.

Henrique Jäger, “Estamos estudando a possibilidade de realizar um projeto piloto em FIPs, especificamente em alguns planos da carteira da Petros”, Capital Aberto

Tivemos uma definição importante quanto às debêntures de infraestrutura, que têm como foco incentivar o emissor para que, em tese, os papeis remunerem melhor. Qual a expectativa da Petros quanto à regulamentação?  

A regulamentação trará segurança para o investidor, criando um importante arcabouço legal para atração de recursos de investidores. Além disso, possibilita diversificar a carteira de investimentos com um produto que tem taxas de remuneração atrativa. É importante esclarecer que as debêntures de infraestrutura possibilitarão ter um retorno maior, uma vez que o emissor do papel terá incentivo fiscal. 

Henrique Jäger, “Estamos estudando a possibilidade de realizar um projeto piloto em FIPs, especificamente em alguns planos da carteira da Petros”, Capital Aberto

Da forma como foi estruturada a nova debênture de infraestrutura interessa à Petros como investimento?  

A Petros acompanha e analisa todas as oportunidades de investimentos disponíveis no mercado, sempre considerando a relação de risco e retorno e o perfil de cada plano administrado.

Henrique Jäger, “Estamos estudando a possibilidade de realizar um projeto piloto em FIPs, especificamente em alguns planos da carteira da Petros”, Capital Aberto

Os fundos de pensão por muito tempo foram criticados pelos investimentos, ruins, que foram feitos. Qual a resposta dada pelas fundações para melhorar os critérios de alocação de recursos? E na Petros, como melhoraram os controles para alocação de recursos?

Como em qualquer gestão de portfólio, existem projetos com retorno dentro do esperado e, às vezes, fora do esperado, o que pode ser explicado por questões conjunturais e estruturais. É assim que funciona a gestão de portfólio. Mas, como disse, realizamos um trabalho de fortalecimento da governança na Petros. Para conferir maior governança e controle na gestão de investimentos, nós avaliamos toda a estrutura de governança de investimentos e gestão de riscos da Petros nos últimos anos. Com isso, adotamos as melhores práticas do mercado, como de grandes fundos canadenses, que são referência em termos de governança e de gestão de riscos. No caso específico dos FIPs, desenhamos novos normativos, para ampliar a robustez do processo de análise de risco.

Henrique Jäger, “Estamos estudando a possibilidade de realizar um projeto piloto em FIPs, especificamente em alguns planos da carteira da Petros”, Capital Aberto

Você comentou, em entrevistas anteriores, sobre as intenções de fortalecimento da governança da Petros. Quais são os planos para a governança da entidade a curto, médio e longo prazo?

A Petros avançou muito no aspecto de governança nos últimos anos, mas sempre há espaço para melhoria e fortalecimento dos processos. Temos evoluído na questão na agenda de sustentabilidade. É algo que a própria Fitch Ratings reconheceu em seu relatório. Além do aprimoramento da governança, uma das principais diretrizes da atual gestão é a aproximação e o diálogo com os participantes. Por isso, a Petros lançou o programa “Petros mais Perto de Você”, que reúne diversas iniciativas para o fortalecimento da comunicação, do relacionamento e da transparência.

Henrique Jäger, “Estamos estudando a possibilidade de realizar um projeto piloto em FIPs, especificamente em alguns planos da carteira da Petros”, Capital Aberto

A Petros decidiu mover a ação contra a decisão de suspender o pagamento da multa de R$ 10 bilhões da JBS. Como o eventual não pagamento vai impactar a entidade? 

Este é um tema que está sendo tratado pelo Jurídico da Petros. É importante esclarecer que a Petros recorreu, no início de março, na condição de beneficiária do acordo de leniência, que foi homologado por sentença judicial. Portanto, temos legitimidade para defender o recebimento dessa obrigação de pagamento. Esperamos, com isso, garantir a continuidade do cumprimento do Acordo de Leniência, considerando a confirmação das obrigações assumidas pela empresa e tendo em vista o pagamento já realizado de cinco parcelas semestrais e da primeira parcela anual. Do valor total da multa (R$ 10,3 bilhões) aplicada ao grupo J&F, cabem à Petros R$ 1,7 bilhão, que serão pagos ao longo de 25 anos. Até o momento, foram recebidos cerca de R$ 133 milhões. Qualquer alteração no acordo pactuado terá impacto na Petros, causando prejuízo para aposentados e pensionistas, uma vez que o valor pactuado já está contabilizado na fundação.


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