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“Meta para o ano é chegar a R$ 30 bi sob gestão com crescimento orgânico e aquisições”
Legenda da foto: Carolina Giovanella, fundadora e CEO da Portofino Multi Family Office
Carolina Giovanella, fundadora e CEO da Portofino Multi Family Office

Com R$ 22 bilhões de ativos sob gestão, a Portofino Multi Family Office tem planos de se tornar a principal gestora de grandes fortunas do país. A aposta na capilaridade da operação, com escritório em oito cidades e no exterior é parte da estratégia para o crescimento orgânico da operação. A outra trilha para alcançar o objetivo vem de aquisições no mercado. Por trás dos planos ousados da Portofino está a CEO, Carolina Giovanella. Graduada em Direito e Administração, Carolina fundou a Portofino para gerir o patrimônio da família. Com o tempo, decidiu navegar em mar aberto e abrir a Portofino a outros clientes. “Quando decidi expandir o trabalho para outras famílias, meu pai me disse algo muito importante: ‘se você vai cuidar do patrimônio de outras famílias, terá que fazê-lo ainda melhor do que cuida do nosso’”, lembra a executiva que segue a risca o conselho paterno. Em entrevista à Capital Aberto, Carolina Giovanella detalha os planos de crescimento do Multi Family, da ampliação geográfica para manter a proximidade com os clientes e dos desafios impostos por um ambiente em transformação, com mudanças regulatória e de tributação.

Carolina Giovanella, “Meta para o ano é chegar a R$ 30 bi sob gestão com crescimento orgânico e aquisições”, Capital Aberto

Em 2012, você fundou a Portofino para cuidar do patrimônio da família. O que levou a esta decisão? Você foi a única da família ou houve teve concorrência?

Fui a única. Sem concorrência. Comecei cuidando do patrimônio da minha família, pois identificava diversos problemas no mercado relacionados à transparência e à oferta de produtos e serviços desalinhados com os nossos objetivos. Hoje, 12 anos depois, minha família é a principal apoiadora e entusiasta do nosso trabalho. Meu irmão, Enzo, inclusive, é nosso sócio na Portofino e um pilar importante nesta nossa trajetória de crescimento. Com o tempo, percebi que esta era uma necessidade de outros indivíduos, famílias e empresas e começamos a atender outros clientes.

Carolina Giovanella, “Meta para o ano é chegar a R$ 30 bi sob gestão com crescimento orgânico e aquisições”, Capital Aberto

O que é central no trabalho da Portofino? Como vocês se diferenciam?

O alinhamento total com os objetivos dos nossos clientes e a transparência são essenciais no nosso trabalho. Desenvolvemos todas as soluções cobrindo os três pilares de um patrimônio: liquidez (financeiro), imóveis e participações societárias. Contamos com verticais de Wealth Planning, Estratégia e Gestão de Investimentos no Brasil e no exterior, Real Estate e M&A entre outros.

Carolina Giovanella, “Meta para o ano é chegar a R$ 30 bi sob gestão com crescimento orgânico e aquisições”, Capital Aberto

Os Multi Family Offices têm conquistado um espaço importante dentro do segmento de wealth management. A que se deve esse avanço?

A gestão de um patrimônio exige muito tempo e conhecimento, sendo algo bastante complexo e quanto maior o patrimônio, maior a complexidade de gestão, principalmente em um cenário político e econômico global tão turbulento como o dos últimos anos. As pessoas perceberam a necessidade de ter um parceiro que olhe o seu patrimônio como um todo e que atue de forma multidisciplinar para alcançar bons resultados, especialmente no longo prazo.

Carolina Giovanella, “Meta para o ano é chegar a R$ 30 bi sob gestão com crescimento orgânico e aquisições”, Capital Aberto

Vocês estão presentes em oito cidades, além de Nova York. Qual a importância desta expansão regional, que não é tão comum em Multi Family Offices, normalmente concentrados em São Paulo e Rio de Janeiro?

Atualmente, somos o Multi Family Office brasileiro com a maior capilaridade. Estamos presentes em São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Recife, Manaus (inauguração em breve), Brasília e Nova York. A presença física, o mais próxima possível do nosso cliente, é muito importante. Cuidar do patrimônio exige pessoalidade, proximidade e soluções que respeitem a individualidade de cada indivíduo ou família.

Carolina Giovanella, “Meta para o ano é chegar a R$ 30 bi sob gestão com crescimento orgânico e aquisições”, Capital Aberto

Na operação em Nova York, quem é o público e quais serviços vocês oferecem?

Temos a presença internacional para manter o nosso olhar global sobre os patrimônios que gerimos. Nosso público-alvo é o brasileiro que busca diversificação e oportunidades além das fronteiras e que tem interesse em dolarizar seu patrimônio, algo que fortemente recomendamos. Os mercados internacionais são mais maduros e oferecem diversas oportunidades que não conseguimos capturar no Brasil.

Carolina Giovanella, “Meta para o ano é chegar a R$ 30 bi sob gestão com crescimento orgânico e aquisições”, Capital Aberto

Há sinais de que um processo de consolidação no mercado deve se materializar nos próximos anos, incluindo assets e Multi Family Offices. Qual é a sua visão sobre este movimento? E os planos da Portofino?

Esse é um movimento que vem acontecendo há algum tempo, tanto no Brasil quanto no exterior. Realizamos algumas aquisições no passado e, recentemente, adquirimos a Itajuí, a principal gestora de patrimônios de atletas de alta performance do país. Dentro do nosso planejamento, queremos nos tornar o principal Multi Family Office do país, crescendo de forma orgânica e inorgânica, através de aquisições. Compra de outras gestoras estão em nosso radar, mas sempre com um olhar firme e prioritário na qualidade que entregamos aos nossos clientes.

Carolina Giovanella, “Meta para o ano é chegar a R$ 30 bi sob gestão com crescimento orgânico e aquisições”, Capital Aberto

O mercado tem passado, nos últimos dois anos, por intensas transformações regulatórias, com as normativas CVM 161, 175, 179, entre outras. Isso impactou o trabalho da Portofino?

Vemos de maneira muito positiva todas as mudanças recentes promovidas pela CVM, embora o processo de adaptação geralmente resulte em um maior fluxo operacional. Isso porque todas essas alterações seguem uma tendência global de o regulador fomentar relações mais transparentes, princípio que defendemos desde a nossa fundação.

Carolina Giovanella, “Meta para o ano é chegar a R$ 30 bi sob gestão com crescimento orgânico e aquisições”, Capital Aberto

O governo federal tem fechado brechas no que considera “tributações injustas” como, por exemplo, a alteração na tributação de fundos exclusivos. Quais desafios as mudanças nos fundos exclusivos e nos offshore impõem aos gestores de recursos?

Há tempos a necessidade de revisão dessas tributações era discutida. Na Portofino, já trabalhávamos com possíveis cenários para oferecer aos nossos clientes as melhores estratégias, conforme os cenários que se desdobrassem das decisões governamentais. Inclusive, temos internamente uma área dedicada a esse tema por meio de nossa vertical de Wealth Planning, cuja principal função é intermediar de forma prática e traduzir essas mudanças para os portfólios dos nossos clientes.

Carolina Giovanella, “Meta para o ano é chegar a R$ 30 bi sob gestão com crescimento orgânico e aquisições”, Capital Aberto

Para onde estão sendo direcionados os recursos alocados nesses produtos? Falou-se que parte dos recursos iria para fundos de previdência fechados, mas o governo também limitou o acesso aos fundos. Como a gestora aborda essas mudanças tributárias com seus clientes?

Cada estratégia é moldada conforme os objetivos e a estrutura de cada cliente ou grupo familiar. Por exemplo, atualmente há uma grande discussão no mercado sobre carteiras administradas, uma solução que sempre oferecemos aqui na Portofino. Os FIDCs e os Fundos de Debêntures Incentivadas também ganharam força. Da mesma forma, os veículos coletivos de previdência se destacaram. Mas o principal é que, por nossa independência e visão multidisciplinar, conseguimos buscar a máxima eficiência e adaptação neste cenário de constantes mudanças.

Carolina Giovanella, “Meta para o ano é chegar a R$ 30 bi sob gestão com crescimento orgânico e aquisições”, Capital Aberto

Quanto vocês têm hoje sob gestão e qual a meta para o final do ano? E o que pode, do ponto de vista macro ou de negócios, impactar estas previsões?

Atualmente, gerimos R$ 22 bilhões, em ativos no Brasil e no exterior e nosso objetivo é encerrar 2024 com R$ 30 bilhões. Contudo, é importante salientar que vemos nosso crescimento sempre como uma consequência da qualidade do nosso serviço. Entre crescimento e qualidade, priorizamos a segunda opção. Em resumo, o mais importante é crescer de maneira sustentável, mantendo um nível de excelência nos serviços prestados aos nossos clientes.

Carolina Giovanella, “Meta para o ano é chegar a R$ 30 bi sob gestão com crescimento orgânico e aquisições”, Capital Aberto

Quais são as tendências para os Multi Family Offices do ponto de vista de gestão ou de estrutura?

A tecnologia tem sido um diferencial. Nos últimos quatro anos, nossos maiores investimentos foram em nossa plataforma tecnológica para assegurar aos clientes um serviço de alta qualidade. Acreditamos que o atendimento pessoal continua insubstituível na gestão financeira, dado que a gestão de patrimônio exige relações próximas. No entanto, a experiência digital é um pressuposto fundamental para a nova era, na qual controlamos tudo a partir da palma da mão.

Carolina Giovanella, “Meta para o ano é chegar a R$ 30 bi sob gestão com crescimento orgânico e aquisições”, Capital Aberto

Em sua trajetória, você enfrentou algum tipo de dificuldade por ser mulher? Mesmo que de forma velada?

Acredito que mérito e trabalho duro sempre prevalecem sobre qualquer preconceito. Não alcançamos nossa posição atual por sermos homens ou mulheres, mas por termos um modelo de negócios sustentável, honesto e focado no cliente, além de muito trabalho, obviamente. Conhecemos os valores que nos trouxeram até aqui e, independentemente de onde estivermos, temos valores inegociáveis que nos guiam em tudo o que fazemos como integridade acima de tudo, obsessão pelo cliente e atitude de dono. E isso, tendo 22, 30 ou 80 bilhões sob gestão, não mudará.


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