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No varejo, vestuário sofre com tributação no 1° tri, farmácias vão bem
Até agora, o setor varejista, um dos mais emblemáticos da Bolsa, parece apresentar um resultado parcial positivo, segundo especialistas
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Com a temporada de balanços do primeiro trimestre chegando ao final, o setor varejista, um dos mais emblemáticos da Bolsa, parece apresentar um resultado parcial positivo. Segmentos de farmácia e alimentos se destacam, enquanto o setor de vestuário tem resultado misto, e multicanais tem queda no período. 


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No período, o varejo ampliado, que inclui vendas de veículos, motos, partes e peças, de material de construção e o atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo, subiu 2,5%, com destaque para Supermercados e hipermercados, acima das expectativas, segundo o Itaú BBA. A principal surpresa negativa foi em Atacado especializado em alimentos. 

“Excluindo esta categoria, as vendas vieram próximas das nossas expectativas, corroborando a visão de que o consumo das famílias está forte neste início de ano, impulsionado pelos pagamentos de precatórios e o aumento do salário-mínimo”, diz o BBA, em relatório. 

O resultado mais otimista do setor é refletido no balanço das companhias que, até agora, em boa parte, apresentam resultados positivos, como é o caso de farmácias e alimentos.

“No geral, o segmento de farmácias, como Raia Drogasil e Pague Menos, por exemplo, tiveram resultados bons, com crescimento de receita forte, ganho de rentabilidade, acho que muito por conta da questão de dengue e covid no começo do ano, e uma concorrência de redes menores um pouco mais fragilizada, isso ajudou”, diz Gustavo Senday, analista de Varejo do time de Research da XP.

No período trimestre do ano, a Raia Drogasil reportou lucro líquido ajustado de R$ 213,68 milhões, 4,8% acima do registrado no mesmo trimestre de 2023. Por outro lado, a Pague Menos teve um prejuízo líquido ajustado de R$ 29,6 milhões no período, valor 46,5% menor do que o registrado no mesmo período do ano anterior.

Do outro lado da ponta, as empresas de vestuário sofrem com mudanças na tributação, com as companhias, em sua maioria, apresentando resultados mistos.

“Como a gente já esperava, Arezzo, Grupo Soma e a própria Vivara tiveram uma desaceleração do crescimento, obviamente cada empresa tem uma questão específica, mas muito ligado a algumas cargas de impostos, cobrança de PIS/Cofins sob subvenções, aumento de ICMS nos estados, que impactou a rentabilidade dessas empresas”, aponta Senday, da XP. “Quando olhamos Grupo Soma e Arezzo, especificamente, houve uma desaceleração importante aqui do canal de atacado, com as lojas multimarcas com uma performance um pouco pior.”

No trimestre, a Arezzo registrou lucro líquido recorrente de R$ 78,7 milhões no primeiro trimestre de 2024, 7,7% acima do reportado no mesmo intervalo do ano anterior. Enquanto isso, Grupo Soma reportou lucro líquido ajustado de R$ 21,3 milhões no período, recuo de 63,7% na base anual.

Paola Mello, sócia e analista de varejo da GTI, diz que há uma discrepância muito grande do crescimento de vendas nos canais próprios e no atacado de Soma e Arezzo. Segundo ela, o desempenho dessas empresas depende da ótica. “Se a gente olhar, por exemplo, essas discrepâncias entre os canais próprios no segmento de luxo e os canais de atacado, a leitura é marginalmente negativa, porque os canais próprios não têm tanto espaço assim para seguir crescendo. Para imprimir crescimento mais acelerado nessas empresas como um todo, você vai ter que crescer o atacado, ou a rede de franquias, então eu diria que seria marginalmente negativo”.

A analista diz que os players com mais foco na classe B e C, por exemplo, Renner e C&A, empresas que estavam com faturamento flat ou marginalmente contraindo, vieram com crescimento forte. “Agora a gente voltou a ver crescimento porque a parte financeira melhorou”, explica Paola Mello. “Diria que essa parte de luxo, podemos pôr a Vivara dentro, está começando a desacelerar, e a parte mais de baixa renda, que precisa de crédito, que está começando a melhorar, foi marginalmente positiva.”

No primeiro trimestre do ano, a Lojas Renner reportou um lucro líquido de R$ 139,2 milhões, resultado 197,9% superior ao resultado do mesmo intervalo de 2023. A C&A, por sua vez, reverteu o prejuízo de um ano antes e registrou um lucro líquido de R$ 70,9 milhões. 

Marco Saravalle, estrategista chefe da MSX, também vê os resultados de Lojas Renner e Guararapes como destaque positivo. A Guararapes, dona da Riachuelo, embora tenha registrado prejuízo líquido de R$ 116,9 milhões, o montante representa uma redução de 33,4% em comparação com o mesmo período de 2023.

Alimentos

Carrefour foi uma das empresas de destaque no setor de varejo como um todo, de acordo com o estrategista da MSX, enquanto Assaí veio dentro do esperado.

A maior rede de supermercados do país apresentou lucro líquido atribuído ao controlador de R$ 39 milhões no primeiro trimestre do ano, revertendo o prejuízo de R$ 113 milhões na comparação anual.

Já o Assaí, umas maiores redes de atacarejo do país, teve lucro líquido ajustado de R$ 60 milhões no trimestre, uma alta de 16,7% frente ao mesmo período de 2023.

Varejistas multicanal

Os especialistas citam Casas Bahia como balanço negativo, com resultado ainda fraco por conta do plano de reestruturação da companhia, algo que já era esperado pelo mercado.

“A gente teve um balanço ainda bastante decepcionante das Casas Bahia, embora ache que tenha alguma sinalização de melhora, por isso que até as ações chegaram a reagir positivamente, mas o setor ainda está queimando caixa como um todo. Esse setor, sobretudo de e-commerce, de certa forma, com alguma decepção”, aponta Saravalle, da MSX. 

A Casas Bahia encerrou o 1º trimestre com prejuízo de R$ 261 milhões, 12% menor que os R$ 297 milhões do mesmo período de 2023. Apesar disso, Saravalle aponta que Casas Bahia tem alguma sinalização de melhora, sobretudo depois da apresentação do programa de recuperação. 

“Também temos empresas que continuam se destacando, ganhando market share e se distanciando das demais, que é principalmente Mercado Livre, talvez o grande destaque positivo no setor”. 

No primeiro trimestre de 2024, o Mercado Livre registrou um salto de 71% no lucro líquido na comparação com mesmo intervalo do ano anterior, para US$ 344 milhões.


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