Ter lucro não basta

É preciso explicitar as responsabilidades dos executivos sobre a alocação de capital em novos negócios e buscar ganhos superiores ao custo
de oportunidade

Gestão de Recursos/Especial/Reportagens/As Melhores Companhias para os Acionistas 2011/Temas / 1 de outubro de 2011
Por 


As constantes turbulências na economia mundial geram grandes incertezas na previsão de cenários futuros. Essa situação acarreta fortes implicações para empresas que estão diante da decisão de efetuar investimentos de capital com perspectivas de retorno no longo prazo. Considerando a insegurança quanto à situação econômica e dos mercados no futuro, executivos se deparam com a seguinte questão: como propiciar, dentro da companhia, um processo de desenvolvimento e aprovação de projetos com maiores chances de sucesso?

Primeiramente, é necessário entendermos a importância desse tema. De forma genérica, existem quatro macroestratégias de criação de valor: 1) aumentar a eficiência operacional; 2) melhorar a gestão dos ativos; 3) reduzir o custo de capital; e 4) investir em projetos cujo retorno seja maior que o custo do capital. As três primeiras estratégias possuem uma limitação natural no médio prazo, pois, à medida que a empresa se aproxima de níveis de excelência operacional em sua atividade e da estrutura de capital adequada, sobra pouco espaço para criar valor adicional. Portanto, a estratégia de investir em oportunidades lucrativas é a principal avenida de criação de valor no longo prazo.

Manter um processo robusto de desenvolvimento e avaliação de projetos (novos produtos, expansão de capacidade, entrada em novos mercados, aquisições, etc.) torna-se ainda mais crucial, pois o risco de ocorrência de circunstâncias adversas no futuro é cada vez maior. Observamos que, nos últimos anos, as empresas têm aprimorado seu processo de avaliação de investimentos, utilizando técnicas mais sofisticadas, que incluem a avaliação do valor presente dos fluxos de caixa do projeto, análise de cenários, simulações de Monte Carlo e, algumas vezes, até opções reais.

Apesar de ser condição necessária, um rigoroso processo de avaliação de projetos pode não ser suficiente para assegurar um ambiente propício a boas decisões de investimentos. Quanto mais sofisticada a análise, maior é a quantidade de premissas necessárias para se efetuar a avaliação. Sabemos que premissas são naturalmente subjetivas: dependem do julgamento e da percepção dos profissionais envolvidos no processo, que são diretamente influenciados pelo sistema de incentivos em uso pela companhia.

Muitas organizações têm como objetivo maximizar métricas como market share, Ebitda ou lucro contábil, dentre outras. Apesar de tradicionais e conhecidas, essas medidas negligenciam fatores importantes na criação de valor, tais como o risco dos ativos e o custo de oportunidade. É comum observarmos projetos que aumentam o lucro e as margens do negócio, mas não produzem retorno suficiente para compensar o custo do capital. Por exemplo, se a principal meta da empresa é aumentar o Ebitda (ou EPS), haverá sempre um forte viés na aprovação de investimentos que melhorem essas métricas (aumento de receitas e/ou redução de gastos operacionais), ainda que o ganho operacional não seja suficiente para compensar o custo de oportunidade do capital investido.

Quando os incentivos estão orientados somente para crescimento ou maximização do lucro, o processo de desenvolvimento e avaliação de projetos fica enfraquecido. Como consequência, os administradores tendem a solicitar o máximo de capital disponível, com o objetivo de aumentar o tamanho de suas unidades e de seus bônus. O capital, na maioria das vezes, é direcionado para as maiores divisões, que possuem força política dentro das empresas, e não para aquelas que apresentam melhores oportunidades de investimento. É necessário implementar um sistema de gestão integrado que incentive boas decisões de investimentos e explicite a responsabilidade dos executivos pelo capital aplicado, procurando emular os riscos e as oportunidades que um empreendedor enfrenta ao iniciar um novo negócio.

Para alcançar esse objetivo, deve-se explicitar nos sistemas de mensuração de performance e incentivos o montante de capital investido no negócio e o seu respectivo custo de oportunidade. Dessa forma, tornam-se mais evidentes os projetos que realmente adicionaram valor para a empresa (bem como aqueles que destruíram valor), o que contribui para um ambiente mais favorável para a originação de projetos saudáveis e para uma avaliação mais franca quanto ao seu potencial de retorno futuro.

Ao utilizarmos a melhoria do EVA® como critério no prêmio As Melhores Companhias para os Acionistas, procuramos destacar as empresas que foram capazes de crescer e investir de forma lucrativa. Ou seja, não basta apenas crescer o lucro. Para estar bem posicionada, é necessário que o lucro gerado seja mais do que suficiente para cobrir o custo do capital adicional investido no negócio.


Quer continuar lendo?

Faça um cadastro rápido e tenha acesso gratuito a três reportagens mensalmente.
Você está lendo {{count_online}} de {{limit_online}} matérias gratuitas por mês

Você atingiu o seu limite de {{limit_online}} matérias por mês. X

Ja é assinante? Entre aqui >

ou

Aproveite e tenha acesso ilimitado ao melhor conteúdo sobre mercado de capitais!

Acessar loja >




Participe da Capital Aberto:  Assine Anuncie


Tags:  criação de valor Ebitda market share lucro contábil Encontrou algum erro? Envie um e-mail



Matéria anterior
Além dos riscos financeiros
Próxima matéria
Acionista tranqüilo - SulAmérica - 1º Lugar - VM entre R$ 5 bilhões e R$ 15 bilhões



Comentários

Escreva o seu comentário sobre este texto!

O seu endereço de e-mail não será publicado.



Recomendado para você





Leia também
Além dos riscos financeiros
  Nas últimas décadas, as empresas fizeram mudanças fundamentais em seus modelos de negócio com o objetivo...