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No ano em que comemoramos a primeira década de Novo Mercado (confira também nossa edição especial deste mês), existem algumas vitórias das quais podemos nos orgulhar. Uma delas pode ser pinçada nas entrelinhas desta edição de abril: a adoção de práticas de governança controversas não é mais para quem quer; é para quem pode. Menos pior assim, certo? Os que podem tendem a ser a minoria. É gente como Mark Zuckerberg e André Esteves, os empresários ilustrados na capa. Ambos decidiram lançar suas companhias em bolsas de valores atribuindo a si mesmos ações com poderes inflados ou até exclusivos — uma prática há muito mal vista pelos investidores que defendem a proporcionalidade entre direitos políticos e econômicos. Eles entendem que, como fundadores, têm esse direito. E, talvez, até a obrigação de garantir a própria soberania. Na seção fatores de risco do BTG, chega a ser mencionado o perigo de um dia a companhia eventualmente vir a ser gerida sem a presença do acionista controlador. A postura dos superempresários deixa claro que as análises de governança estão sempre sujeitas à ocasião. Há situações em que investidores acreditam valer a pena fechar os olhos para práticas estranhas mas, em contrapartida, tornarem–se sócios de empresários que admiram. A experiência mostra que esse tipo de compensação funciona muito bem enquanto os negócios prosperam e ninguém é passado para trás. O problema é quando o caldo entorna. É aí que condições abnegadas podem fazer falta. E não é apenas o investidor que analisa as questões de governança conforme a conveniência. Emissores que um dia evocaram as melhores práticas corporativas como um lema abdicam delas quando os interesses mudam. É o que mostram as companhias que ameaçam sair do Novo Mercado caso não consigam ter sucesso em suas ofertas para fechar o capital. Não seriam as melhores práticas uma crença e, portanto, algo a ser preservado, no mínimo, enquanto durasse a permanência na Bolsa? Qual o sentido de entrar pela porta principal e depois sair pela dos fundos? É o senso de oportunidade, simples assim. Muitas vezes, é ele que dita comportamentos.



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