Sinais de juro baixo

Selic de um dígito ainda é uma projeção, mas já ameaça o reinado do CDI como referência para o cálculo de rentabilidade

Captação de recursos/Reportagem/Temas/Edição 68 / 1 de abril de 2009
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No Brasil, quando o assunto é o desempenho de aplicações financeiras, há sempre três letrinhas que marcam presença: CDI. Elas datam de meados da década de 80, significam Certificado de Depósito Interbancário e revelam os juros praticados pelos bancos para emprestar e tomar recursos entre si todos os dias. Por caminhar muito próximo à taxa básica de juros do Banco Central (BC), o CDI tornou-se uma referência inquestionável. É tido como o mínimo para uma aplicação ser considerada satisfatória e, por isso, os resultados costumam ser expressos como um percentual dele. A comparação só faz sentido, contudo, enquanto o CDI representar algo que se pretende mirar. Com a última redução da Selic, para 11,25% ao ano — o menor patamar da história no País —, o CDI tem grandes chances de sair de moda.

Não é a primeira vez que se faz essa previsão. Em outras quedas mais pronunciadas dos juros, já se aventou que o CDI perderia o seu reinado. Desta vez, a diferença está nas boas chances de essa tendência se confirmar. O Boletim Focus, elaborado pelo BC, da terceira semana de março aponta uma taxa de 9,25% ao ano para o final de 2009. “Caminhamos para o modelo que já existe nos mercados mais desenvolvidos, em que o aplicador busca ganhos nominais”, diz Thiago de Castro, sócio da Tag Investimentos.

Pontualmente, o mercado começa a sinalizar a mudança. Na Hampton Solfise, os atuais mandatos para estruturação de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) preveem taxa fixa sobre o CDI em substituição à fórmula variável (115% do CDI, por exemplo). Segundo a sócia Patrícia Bentes, a primeira operação nesse formato, com prazo de três anos, chegará ao mercado em abril, com taxa de CDI mais 3,5%. Para Gustavo Coelho, da Arsenal Investimentos, o fim do CDI como meta básica de rentabilidade será uma das principais mudanças decorrentes do novo patamar dos juros.

NA PONTA CERTA — Quando juros baixos se unem a um cenário de bolsa de valores volátil, gestores de recursos especializados em produtos de renda fixa privados com rentabilidade diferenciada se dão bem. “É crescente a demanda por CRIs com risco de crédito corporativo”, conta Marcelo Michaluá, gestor da RB Capital. Dentre os clientes estão, além dos investidores institucionais, family offices e aplicadores de private banking.

O cenário favorece os títulos de renda fixa em geral. Neste ano, a CVM registrou três ofertas públicas de debêntures. A maior delas, protagonizada pela Bradespar, ocorreu em janeiro, com juros de 125% do CDI e investimento mínimo inicial condizente com os aplicadores do varejo. Também emitiram debêntures a Vivo (R$ 210 milhões e juros de 113,55% do CDI) e a Anhanguera.

E há outras operações em análise, algumas de volume significativo. A Tractebel aguarda o aval da autarquia para emitir R$ 600 milhões. A Telemar se prepara para lançar R$ 3 bilhões, também acessíveis ao varejo. Antes acomodado nos juros altos providos pelo governo, o investidor pessoa física, assim como os institucionais, precisa agora correr atrás de retornos mais atrativos. Está aí uma boa chance de as debêntures, que sempre tiveram dificuldades de se popularizar, caírem no gosto do investidor de varejo.


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