Sede de vitórias

Para a Lojas Renner, ir bem com o setor de varejo não basta — é preciso ser melhor

Captação de recursos/Especial/Reportagem/As Melhores Companhias para os Acionistas 2010/Temas / 1 de setembro de 2010
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Quando soube do primeiro lugar alcançado pela Lojas Renner no ranking As Melhores Companhias para os Acionistas da CAPITAL ABERTO, na categoria de valor de mercado de até R$ 5 bilhões, o diretor-presidente José Galló, mesmo demonstrando a natural satisfação, ficou preocupado. “Precisamos erguer a barra para mantermos a posição no ano que vem. Os campeões tornam-se referência a ser batida pelos concorrentes”, afirma. Esse perfeccionismo de Galló reflete-se na obstinação da empresa por se destacar em um segmento que, além de muito competitivo, obteve um ótimo desempenho no último ano. “Essa busca pelo melhor explica, em grande parte, o lugar mais alto do pódio”, opina o CEO da rede de varejo gaúcha.

Se a economia do País foi bem durante a crise — proporcionando ótimas condições para o fortalecimento do consumo interno, e, portanto, do setor de varejo como um todo —, a Renner foi ainda melhor. Com uma estratégia focada em produtos financeiros e na otimização do gerenciamento de estoques, a empresa conseguiu resultados operacionais muito bons em 2009, e ótimos em 2010. O balanço do ano passado apontou lucro líquido de R$ 189,6 milhões, 16,7% maior que o de 2008. Já no primeiro trimestre de 2010, o lucro líquido inflou incríveis 239,8% em relação ao mesmo período de 2009, passando de R$ 10,9 milhões para R$ 36,9 milhões.

A companhia obteve variação de 0,3% no valor econômico adicionado (EVA, na sigla em inglês), entre 2008 e 2009. O desempenho, aparentemente modesto, esconde um grande feito, pois a Renner foi uma das três companhias dentre as 34 de sua categoria (as outras foram Panamericano e Totvs) a apresentar variação positiva do indicador.

Após um começo de 2009 trôpego em função dos primeiros meses de crise financeira global, a Lojas Renner recuperou suas vendas em sintonia com o retorno do ânimo do consumidor brasileiro. Seu desempenho em 2009 já se mostrou melhor que no ano anterior, com o lucro líquido operacional alcançando R$ 272 milhões, ante R$ 228 milhões. No primeiro trimestre de 2010, a parte operacional lucrou R$ 55,9 milhões, mais de 240% acima do obtido um ano antes.

Com o trabalho de incentivo à participação em assembleias, a empresa vem conseguindo quóruns de quase 40% nos últimos encontros

Além da boa situação macroeconômica do País, Galló atribui os bons números a um eficiente controle de estoques, que gerencia as mercadorias por cor, tamanho e mix de produtos e garante um processo logístico mais ágil. Com esse sistema, diz o CEO, a companhia conseguiu organizar o sortimento de produtos conforme a localização das lojas, permitindo atender a diferentes mercados, conforme características climáticas, classes sociais e outras variáveis. “A Renner aprimorou sua oferta de produtos, fez ajustes importantes e, consequentemente, trouxe maiores acertos nas operações do Norte e Nordeste”, ressalta.

Cabe destaque também para a área de serviços financeiros, cujo resultado em 2009 (R$ 96,7 milhões) foi 24,4% mais polpudo que o apresentado um ano antes (R$ 77,8 milhões). “Além de emprestar mais, a Renner conseguiu controlar bem os níveis de inadimplência”, observa Rafael Cintra, analista da Link Investimentos.

Esses resultados renderam à companhia gaúcha uma nota 9 no quesito total shareholder return (TSR). O retorno total (incluindo dividendos) da ação da Renner menos o custo de capital do acionista foi de 91%. Em 2009, somando-se dividendos e juros sobre capital próprio, foram distribuídos R$ 142,2 milhões. Em 2008, o valor foi de R$ 45,1 milhões.

Em governança corporativa, a nota da Renner foi 8,72, próxima da mediana de 8,05 da sua categoria. Seu desempenho nesse quesito só não foi melhor porque a companhia ainda não segue algumas boas práticas. A empresa não possui, por exemplo, políticas formais e detalhadas para transações com partes relacionadas e gerenciamento de riscos.

Outro ponto negativo é o fato de seu estatuto social apresentar uma “cláusula pétrea” em seu mecanismo de proteção à dispersão acionária, também conhecida como poison pill. Essa cláusula impõe um grande ônus ao acionista que propuser a extinção ou mesmo mudanças na pílula. O CEO conta que a Renner vem discutindo profundamente o assunto e, quem sabe, a companhia não ganhe mais um ponto no próximo ranking. Por enquanto, o parágrafo 11 do artigo 43 de seu estatuto determina que o acionista que votar a favor de alteração ou exclusão da poison pill será obrigado a realizar uma oferta de aquisição de ações (OPA) ao restante dos acionistas.

E como pode uma companhia de capital pulverizado como a Lojas Renner — a primeira do País a atingir essa condição — dispensar o uso de sistemas eletrônicos de votação? Para seu CEO, a gigante gaúcha ainda não vê necessidade de implantar o sistema. Com o trabalho de incentivo à participação do acionista em assembleias, feito pelo departamento de relações com investidores, a empresa vem conseguindo quóruns de quase 40% nos últimos encontros, garante Galló.


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