Ritmo agitado

Após queda e recuperação da bolsa, equipes de RI de small caps encaram maior demanda dos investidores e se aproximam da pessoa física

Bimestral/Relações com Investidores/Reportagem/Temas/Edição 81 / 1 de Maio de 2010
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Um terço das ações preferenciais do BicBanco, instituição com valor de mercado em torno de R$ 3,5 bilhões no fim de abril, está nas mãos de pessoas físicas, o que ajudou a manter um volume médio de negócios diários com esses papéis de R$ 2,6 milhões nos quatro primeiros meses do ano. Mas nem sempre foi assim. Até outubro de 2008, os investidores individuais detinham apenas 15% das ações. Naquele mês, as PNs giravam uma média de

R$ 1,6 milhão por dia. Foi quando a crise do subprime fez com que os estrangeiros, os mesmos que levaram 85% do IPO da empresa, vendessem em massa as ações para cobrir prejuízos no exterior. A ação, que estreou a R$ 11,50, caiu para R$ 1,75 em 27 outubro de 2008. O preço de banana, aliado aos bons resultados da companhia, chamou a atenção das pessoas físicas, que engrossaram o corpo de investidores brasileiros nos últimos anos. “Se antes tínhamos uma visita por semana, passamos a ter cinco diariamente”, conta a gerente de relações com investidores (RI), Maria Inês Martins Ramos.
O BicBanco não está sozinho. A maior presença de investidores de varejo e o aumento de liquidez está fazendo com que as chamadas small caps, companhias com baixo valor de mercado, vivam situação semelhante. As equipes de RI dessas empresas, geralmente compostas de dois ou três profissionais, viram sua carga de trabalho se elevar gradativamente. A saída de estrangeiros de peso e a chegada de investidores individuais multiplicaram os esforços de comunicação e atendimento.

NÚMEROS DE GENTE GRANDE — Na fabricante de software empresarial Totvs, a quantidade de ligações e contatos de pessoas físicas dobrou, observa José Rogério Luiz, vice-presidente executivo e financeiro e diretor de RI da companhia. Para 2010, com a contratação de mais um profissional, Luiz espera que o número total de atendimentos (a investidores institucionais e individuais) supere em 20% a média anual, que é de 700. Isso está longe de ser motivo de reclamação. No primeiro trimestre deste ano, a liquidez das ações ordinárias (ONs) da Totvs mais que dobrou em comparação ao mesmo período de 2008, saindo de R$ 3,4 milhões em transações diárias para R$ 7,5 milhões. Nesse intervalo, a cotação passou de R$ 51,14 para R$ 112, uma valorização de 119%.

Para dar conta do recado, a área de RI da Totvs trabalha de forma diferente das demais. Quatro profissionais se dedicam a essa missão, mas não somente a ela. O primeiro é o próprio José Rogério Luiz, representante da alta direção, que entrega 20% de seu tempo à atividade de RI. Abaixo dele, está um diretor de planejamento, que tem 30% de sua agenda tomada por essa tarefa. A este responde um coordenador, 60% ocupado com RI. Por fim, há um profissional júnior, este sim 100% devotado ao departamento. É dessa maneira que a companhia cumpre um roteiro de road shows que inclui cidades da Argentina, Chile, Estados Unidos, México, países escandinavos e Brasil.

A crise internacional e o movimento de venda dos grandes fundos também impactaram a composição acionária da Triunfo Participações e Investimentos. No último trimestre de 2007, meses depois da abertura de capital em julho, a base acionária tinha perto de 800 investidores. Hoje, com cerca de 1.100, a companhia percebe o apetite do acionista pessoa física. A entrada desse grupo, em sua maioria formado por investidores individuais, ajudou a manter a liquidez da Triunfo em 2009, quando muitos fundos vendiam suas posições. O volume médio de negócios diários com ações da companhia, que era de meros R$ 82 mil no último trimestre de 2008, ultrapassou a marca de R$ 1 milhão no primeiro trimestre deste ano.

DIVULGANDO A MARCA — A relevância do movimento das pessoas físicas tem estimulado a organização de eventos específicos para esse segmento. Um dos objetivos dos encontros é aproximá-las da área de RI. “Parece que elas ainda não sabem que têm à disposição um canal de comunicação destinado a todos”, afirma Ana Cristina Solheid de Carvalho, diretora de RI da Triunfo. Em parceria com as regionais da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec Nacional) e a Expo Money, empresa que organiza feiras de educação financeira e investimentos pessoais, a Triunfo realiza uma série de eventos em cidades fora do eixo Rio-São Paulo. Ainda para 2010, a empresa pretende dar palestras dentro de corretoras com forte tradição em homebroker. O aumento na demanda foi notável, e a equipe, até 2009 com duas pessoas, contratou mais um profissional.

“Ficamos um ano e meio sem conseguir fazer muitas reuniões ou conferências. Em 2008 e 2009, todos estavam se recuperando, e as áreas de RI diminuíram bastante o orçamento. Enquanto isso, os fundos e bancos também recuperavam as perdas para retomar o ritmo”, aponta Ana Cristina, que, em 2009, participou de apenas um road show no exterior e dois no Brasil (Rio de Janeiro e São Paulo). Em 2010, um já foi realizado no exterior e outros três estão programados até o fim do ano.

Arthur Farme d’ Amoed Neto, vice-presidente de RI da seguradora SulAmérica, também aposta nas iniciativas voltadas aos investidores do homebroker, que representam perto de 20% do volume negociado na BM&FBovespa. Além de usar ferramentas como o site de RI e os relatórios anuais, a SulAmérica tem trabalhado com as corretoras para acessar seus clientes de homebroker por meio de salas virtuais de bate-papo, almoços e palestras, além de participar de reuniões promovidas por Apimecs, que são, sobretudo, voltadas à pessoa física. Em 2009, a companhia realizou 11 reuniões do tipo, ante seis em 2008.

A SulAmérica tem trabalhado com as corretoras para acessar seus clientes de homebroker por meio de salas de bate-papo, almoços e palestras

Com foco no investidor institucional, a empresa participou de mais de 15 eventos no ano passado, incluindo road shows e seminários no Brasil e exterior. Este ano, a meta é intensificar a agenda de road shows em território estrangeiro, fazendo pelo menos um por trimestre. Até agora, foram realizados dois nos Estados Unidos. Estão programados um na Europa, em junho, e um na Ásia, no segundo semestre. No Brasil, a tendência é de “míni road shows”, concentrados em apenas um dia e uma cidade.

PORTAS ABERTAS — A atenção à pessoa física também está presente na estratégia da imobiliária Lopes. Em outubro de 2008, 353 investidores pessoa física concentravam 0,52% das ações da companhia. Em 14 de abril de 2010, 435 aplicadores detinham 2,11% do capital. Percebendo o potencial desses investidores, a empresa planeja investir em reuniões entre pequenos investidores e diretores e gerentes que estão no dia a dia. Esses encontros seriam uma espécie de versão enxuta do chamado Lopes Day. Em fevereiro, o Lopes Day trouxe CEO, CFO, diretores e gerentes para falar com cerca de 30 pessoas, principalmente investidores institucionais e analistas.
A postura aberta ao diálogo, além de ser uma resposta à demanda dos acionistas pessoas físicas, tem um efeito positivo: estimula ainda mais a negociação com os papéis. Samia Nemer, coordenadora de RI da imobiliária, acredita que o empenho de sua área em se comunicar durante a fase mais crítica da crise evitou que as ações da Lopes fossem esquecidas no pregão. “Os bancos diminuíram o ritmo de negociação e priorizaram as blue chips. Naquele período, não tenho dúvida de que o trabalho de RI foi fundamental para manter a liquidez das smallcaps”, diz ela.


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Tags:  small caps bolsa de valores Relações com investidores Encontrou algum erro? Envie um e-mail



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