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Resgate de auto-estima

Não há dúvidas de que abalos internacionais como o que vivenciamos nas últimas semanas trazem enormes estragos ao mercado de capitais brasileiro. Autores de um terço dos negócios realizados em nossa bolsa de valores, os estrangeiros influenciam violentamente os preços dos ativos a cada movimento — sem falar nos impactos macroeconômicos da crise.

Mas se tem uma coisa boa quando algo dá muito errado lá fora — ou, mais especificamente, nos Estados Unidos — é o efeito revigorante da desventura sobre a nossa auto-estima. Foi assim com a crise de 2001, quando, dia após dia, surgiam balanços escandalosamente fraudados por executivos norte-americanos.

No momento em que os episódios de Enron e suas sucessoras vieram à tona, houve quem por aqui deixasse escapar certa alegria. Os chefões das corporações norte-americanas passaram a ser obrigados a assinar os balanços antes de divulgá-los ao investidor — coisa que nós já fazíamos desde a Lei das S.As de 1976. Foram impedidos também de tomar empréstimos livremente das companhias em que trabalham — algo que, no Brasil, só é permitido mediante prévia autorização da assembléia geral e dos conselhos de administração. Até o modelo de corporação com base de capital pulverizada, que mais tarde viríamos a ensaiar, foi questionado. A imagem do acionista controlador — tão comum e, em alguns casos, malvista no mercado brasileiro — voltou a ser valorizada diante das falcatruas cometidas por executivos inescrupulosos e irresponsáveis.

A crise do subprime fez com que o Brasil voltasse a se orgulhar de si mesmo. Percebemos que nosso sistema financeiro é mais bem regulado que o deles, o que pode ser bastante útil para evitar riscos desmedidos capazes de derrubar instituições seculares. Nosso mercado de capitais, que permite enxergar quem está por trás de cada operação executada em bolsa de valores e restringe vendas a descoberto totalmente sem lastro, também parece bem arrumado. Nossos fundos baseados em securitizações, modelados com cotas mais e menos arriscadas e limitados a investidores qualificados, diferenciam-se por seu acabamento refinado.

Por isso, é bom estar preparado. Assim como em 2001, o mercado norte-americano vai começar a anunciar uma série de medidas para prevenir novos desastres. E nós, que em tempos sem crise nos acostumamos a olhar com admiração para o maior mercado do mundo, tenderemos a nos apressar para importar as novidades regulatórias que surgem por lá. Sem dúvida, é fundamental estar antenado a todos os passos que eles dão. Mas também é bom ter em mente que soluções desse tipo não são do tipo “tamanho único”.


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