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Fisgando o investidor
Em busca de estabilidade para atravessar a crise, empresas desdobram suas ações

Ao desdobrar ações neste ano, a Totvs, desenvolvedora de software de gestão empresarial, e a CPFL Energia, do setor elétrico, tinham duas ambições: aumentar a liquidez de seus papéis na BM&FBovespa e ampliar a presença de investidores individuais na base de acionistas. Em tempos de instabilidade, a ideia de diversificar a clientela não é nada má. Só em 2011, 17 empresas anunciaram desdobramentos.

Em 21 de março, a Totvs cindiu seus papéis de modo que cada ação ordinária fosse transformada em cinco, avaliadas a um quinto do preço anterior. De R$ 150, o valor unitário dos papéis passou a R$ 30. A quantidade de negócios diários com lotes de cem ações da empresa na Bolsa saiu de 287, em 26 de outubro de 2010, para 1.671, exatamente um ano depois. Para Gilsomar Maia, diretor de planejamento da Totvs, ações com preço menor oferecem maior potencial de retorno ao investidor, o que explicaria o interesse dos investidores: cada real de valorização de uma ação a R$ 30 representa, proporcionalmente, mais do que o de uma a R$ 150.

, Fisgando o investidor, Capital AbertoO desdobramento de ações conduzido pela CPFL Energia teve efeito similar. Após um grupamento — procedimento inverso ao desdobramento — das ações ordinárias (ONs) na proporção de um para dez, a empresa picotou os novos papéis em 20 partes. A partir de 29 de junho, as ONs da companhia, que antes desses procedimentos eram negociadas por R$ 44, passaram a valer R$ 22. O efeito no número de negociações diárias no pregão foi cristalino — um aumento de 82% até meados de agosto.

Nos dois casos, embora a movimentação dos papéis tenha crescido, a fração ocupada pelo investidor pessoa física não se alterou: na Totvs, até meados de agosto, eles continuavam a compor 6,5% das ações em circulação; na CPFL, eram 9% dos acionistas da companhia. “Nós queríamos tornar as ações mais acessíveis”, afirma Lorival Nogueira, vice–presidente da área financeira e de relações com investidores da companhia de energia elétrica.

O argumento mais usado para associar o desdobramento de ações com o aumento de liquidez é a lógica de que, quanto mais barato o lote de ações, mais condições o investidor tem, principalmente as pessoas físicas, para investir na empresa. Rossano Oltramari, analista–chefe da XP Investimentos, acredita que os que operam por home broker são mais suscetíveis aos baixos preços de negociação das ações na Bolsa, porque enxergam oportunidades para especular e obter retornos no curto prazo. Em busca de comprovação para isso, ele desenvolve, atualmente, um estudo sobre o impacto de ações negociadas entre R$ 2 e R$ 5 no comportamento do pequeno investidor. “Mas ainda não há nada conclusivo”, avisa.

Poucos, no entanto, creem na existência de um preço ótimo que faça com que as empresas sejam bem–sucedidas em sua estratégia de atrair acionistas com menos poder de fogo. Jairo Laser, economista da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), observa que o investidor brasileiro não pauta seus investimentos pelo preço unitário das ações da companhia, mas pela quantia que tem disponível para investir. “Quando ele quer comprar ações de uma empresa, não vai à corretora e diz: ‘Quero comprar X ações desta companhia’, mas, sim, ‘compre R$ 100 mil para mim’”, exemplifica.


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