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Conselheiro em ação

Os processos de recuperação judicial da OGX e da OSX abalaram a confiança do investidor nas empresas brasileiras. Em particular, a velocidade e o alcance do colapso da petroleira têm colocado maior enfoque sobre o papel dos conselhos de administração.

O desafio que os membros dos conselhos de empresas brasileiras enfrentam agora é mostrar — e não apenas dizer — aos investidores que seu compromisso de proteger o interesse dos acionistas é real. Sabemos que um conselho bem reputado pode ajudar a restaurar a confiança e a reduzir custos futuros de captação. Mas como ele pode comunicar de forma mais eficaz o compromisso com a boa governança corporativa?

Primeiramente, o conselho precisa demonstrar como seu trabalho contribui para a solidez da empresa que supervisiona; juntamente com a diretoria, tem que apresentar quais partes do estatuto social e políticas e procedimentos orientam as suas ações. Em segundo lugar, o status de conselheiro independente deve passar por um teste de estresse. A técnica visa garantir que o conselheiro seja verdadeiramente independente em suas avaliações, sem que relações anteriores de negócios e sociais, com o CEO ou com outros altos executivos da companhia, limitem a tomada de decisão.

O membro do board precisa descobrir se está recebendo todas as informações necessárias para fazer as perguntas certas, uma vez que a comunicação direta entre os membros do conselho e os funcionários mais graduados da empresa é tanto necessária como desejável. Ele pode afirmar que recebe análises objetivas e relatórios sobre os concorrentes, parceiros estratégicos e clientes-chave? Utiliza fontes de pesquisa independentes para se manter informado sobre o setor?

Outra prática que sustenta a supervisão de risco é a realização de apresentações regulares de executivos estratégicos técnicos e operacionais para o conselho. Como atuam nos grandes projetos, eles podem ser mais realistas e bem fundamentados ao avaliar os prováveis resultados. Para criar um fluxo de informações eficaz para a administração, o conselho deve promover relações abertas com as equipes operacionais e corporativas responsáveis por áreas consideradas sensíveis a riscos significativos.

Por último, os conselheiros precisam ter informações suficientes para determinar se a empresa se comunica com investidores de forma consistente com a de seus pares. E, se não o faz, qual é a razão? Os resultados e anúncios são concluídos e comunicados em tempo hábil? Seu conteúdo é apropriado? As métricas operacionais utilizadas estão de acordo com os padrões da indústria? O tom e as projeções da companhia se alinham às expectativas da administração? Quando há divergência, a empresa está preparada para redefinir suas estimativas?

Depois que o conselho tiver tomado medidas para garantir e aprimorar a independência, ele poderá comunicar as informações sobre seu mandato de diversas maneiras. Neste sentido, destacam-se tarefas como: o reforço de suas práticas no site da empresa; a inserção de dados relevantes em apresentações corporativas e voltadas a investidores; a participação em fóruns e conferências de governança; a obtenção de análises favoráveis dos consultores de voto; e a comunicação direta com investidores institucionais, sempre respeitando as regras do programa de relações com investidores estabelecido pela companhia.