Reinvenção bem-sucedida

Após um início frustrante, fundador da Escol@24Horas reformou o modelo de negócios e atraiu novos investidores

Gestão de Recursos/Especial/Reportagens/Private Equity e Venture Capital 2010/Temas / 1 de novembro de 2010
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Nascido em Ingá do Bacamarte, na Paraíba, Severino Felix da Silva já está escolado em ter investidores de capital de risco como sócios. Em maio deste ano, comemorou o aporte de recursos do Capital Tech, fundo mútuo de investimento em empresas emergentes inovadoras gerido pela Invest Tech, na Escol@24Horas. Essa é a segunda vez que investidores de private equity injetam dinheiro em seu negócio. Em 2000, ano em que fundou a empresa, recebeu recursos do IFC, braço do Banco Mundial que financia a iniciativa privada, e de outro fundo de private equity. Juntos, eles adquiriram 45% da Escol@24Horas, um site pago de reforço e apoio escolar pela internet que tem como carro-chefe um plantão de professores 24 horas. Através dele, os alunos mandam suas dúvidas, que são respondidas, no máximo, em até uma hora.

A parceria com os sócios durou até 2004, quando problemas no modelo de negócios, aliados ao momento econômico do País e à pressão por executar investimentos, criaram dificuldades operacionais que resultaram na saída dos investidores. Criada para ser uma extensão do colégio na casa do aluno, a Escol@24Horas vendia, na época, seus serviços exclusivamente para as escolas privadas. O nicho, contudo, se revelou um problema.As escolas passaram por uma crise no começo dos anos 2000, fruto de uma redução da taxa de natalidade, principalmente na classe média, e de um aumento na inadimplência, devido à Lei 9.870, de 1999, que permite que os alunos devedores de mensalidade permaneçam estudando até o fim do contrato. O estouro da bolha da internet também ajudou a minar o negócio. iferentemente do que se pensava, atuar no segmento das pontocom não era sinônimo de lucro garantido.

Mesmo com a saída dos sócios, a empresa continuou a operar. Mas Felix tinha uma missão complicada. Precisava, urgentemente, achar um jeito de reposicionar a Escol@24Horas e pagar pela participação que recomprou dos investidores. Foi, então, que surgiu a ideia de mirar as redes educacionais. Com foco na produção de material didático próprio para a venda em escolas pequenas, elas não tinham expertise em ambientes virtuais, e a Escol@24Horas ocupou esse espaço. “O bom de vender para essas redes é poder crescer junto com elas”, explica Felix. Além disso, esse modelo reduz significativamente os custos de comercialização. “Nesse caso, eu só tenho um cliente para faturar, que é a rede de ensino. É ela quem se encarrega de repassar o nosso produto para as escolas e administrar a cobrança.”

Outro nicho que Felix descobriu foi o das empresas. Ele passou a oferecer o acervo didático da Escol@24Horas para compor novos produtos e benefícios oferecidos por companhias de diversos segmentos, como seguradoras, operadoras de telefonia e lojas de varejo. O conteúdo do site Oi Educa, por exemplo, oferecido com desconto para assinantes da Oi, é feito pela Escol@24Horas. Hoje, cerca de 65% da receita da empresa é obtida através desse canal. Os outros 35% estão divididos em vendas para redes de ensino e para o consumidor final.

Essa volta por cima nos negócios da empresa chamou a atenção da Invest Tech, especializada em empresas de tecnologia da informação. Os novos modelos de negócio implementados pela Escol@24Horas aumentaram sua receita em 130% de 2007 a 2009. Além disso, a internet se consagrou definitivamente como um meio de comunicação. Se, em 2000, ano em que a Escol@24Horas começou, havia 4,5 milhões de usuários no Brasil, agora esse número ultrapassa 65 milhões. “Não há nada melhor do que investir em um negócio da nova economia, que tem potencial de contribuir para a sociedade”, avalia Miguel Perroti, presidente da Invest Tech. A entrada do fundo na Escol@24Horas foi estruturada por meio da emissão de R$ 2 milhões em debêntures conversíveis em ações, que foram adquiridas pelo fundo: R$ 1 milhão com carência de um ano e R$ 1 milhão com carência de dois anos.

Cerca de metade dos recursos aplicados pelo Capital Tech na sociedade foi utilizada para reestruturar o perfil da dívida. A outra metade irá financiar investimentos na Escol@24Horas, acelerando seu crescimento. Como a empresa já tinha sido investida por fundos de private equity, pouca coisa teve de ser reformulada em sua gestão. Contratualmente, o fundo tem o direito de indicar um diretor financeiro para a empresa, mas nem isso foi preciso, conta Gustavo Barros, analista do Capital Tech, que investe em empresas com faturamento entre R$ 1 milhão e R$ 20 milhões. Segundo ele, o fundo se concentra, agora, em ajudar a Escol@24Horas a aprimorar suas estratégias. “Ajudamos na formatação de uma nova equipe comercial e estamos trabalhando, atualmente, para desenhar um plano de carreira que motive os funcionários”, afirma.

De acordo com Perroti, os resultados da Escol@24Horas têm superado as expectativas. A previsão é que ela encerre 2010 com uma receita 52% maior em relação à de 2009, incrementando também o Ebitda. Recentemente, a Escol@24Horas lançou a primeira rede social de estudos do Brasil, chamada “Eu no Enem”. Criada fora do ambiente do site da Escol@24Horas, a comunidade permite que os alunos se cadastrem gratuitamente e, a partir daí, troquem mensagens sobre seus hábitos de estudos, publiquem conteúdos de matérias, tirem dúvidas com os colegas e discutam temas da atualidade. Em dois meses, a rede social conquistou 18 mil usuários. “Agora, estamos analisando como incorporar esse conhecimento ao nosso serviço”, diz Felix.

Há apenas sete meses como sócio da Escol@24Horas, o fundo tem até 2016 para se desfazer de todas as suas participações. “Como o mercado de venture capital tem pouca liquidez, estamos sempre antenados em compradores estratégicos”, reconhece Barros. “Outra possibilidade é vendermos nossa participação para um fundo que se interesse em dar continuidade ao que começamos”, avalia. O patrimônio do Capital Tech é de R$ 33 milhões.


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