Projeções para 2015

O ano em que a indústria de fundos de investimento atingirá R$ 3 trilhões sob gestão

Bimestral / Artigo / Relações com Investidores / Temas / Edição 76 / 1 de dezembro de 2009
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Em junho de 2006, escrevi um artigo neste espaço intitulado “2010 e a indústria de fundos de investimentos”, buscando projetar o futuro. Previ que chegaríamos a 2010 com R$ 1,6 trilhão sob gestão. O juro real cairia para 7% ao ano, e a intensa migração de produtos de renda fixa para variável faria com que o segmento de ações atingisse 15% do total, e o de multimercados, 35%. O fato é que chegamos a 2010 com

R$ 1,35 trilhão sob gestão, juro real a 6% ao ano, e fatia de ações e multimercados de, respectivamente, 12% e 25%. A crise atrapalhou qualquer estimativa. Para 2015, acredito que a indústria de fundos atingirá R$ 3 trilhões sob gestão, com os percentuais em ações e multimercados alcançando 20% e 40%. O juro real estará ao redor de 6,5% a.a..

Na época, também havia projetado que 2010 seria marcado pela menor concentração de volumes nos grandes gestores e por uma clara tendência de queda nas taxas de administração. O terremoto financeiro, no entanto, provocou uma devastação do volume gerido pelas assets independentes, e a fusão de grandes bancos levou a uma concentração ainda maior. Porém a queda de juros deu início à redução das taxas de administração, como previsto. Para 2015, o estouro da bolha criada pelo surgimento indiscriminado de assets no Brasil fará com que o investidor fique mais seletivo na escolha do gestor. Casas pequenas fecharão ou buscarão fusões.

As gestoras de menor porte mais estruturadas crescerão no espaço deixado pelas grandes assets recém-fundidas. Devido ao aumento de participação dos segmentos de risco, as assets maiores partirão para a aquisição de gestoras (ou de equipes a elas ligadas) com essa expertise. Teremos, assim, uma indústria mais qualificada e, paradoxalmente, com menor concentração e menos players relevantes.
A pressão para a redução das taxas de administração permanecerá, mas com o aumento de importância da taxa de performance na receita total.

Havia estimado, ainda, o crescimento de importância do crédito privado, da renda variável, do mercado internacional, e de posições long short como diferenciais de desempenho. De fato, a participação dos mercados citados nas carteiras cresceu, com destaque para a liberação de aplicações no mercado internacional: 20% do patrimônio no caso dos fundos de investimentos, e 10% na carteira dos fundos de pensão. Para 2015, acredito que a redução dos prêmios e a internacionalização das carteiras levarão, paulatinamente, à maior sofisticação dos instrumentos e das técnicas de gestão. Gestores de ações se aproximarão definitivamente das áreas de pesquisa, que ampliarão o número de empresas sob cobertura; e os gestores de câmbio, além do real e do dólar, operarão com naturalidade outras moedas. A demanda por fundos long short neutros (sem estratégia direcional) aumentará como alternativa de diversificação.

Em relação à Bovespa, previ que alcançaríamos, em 2010, R$ 4 bilhões de volume médio diário negociado, 500 empresas listadas, e relação valor de mercado das ações/PIB de 80%. Temos, hoje, números bem próximos disso: R$ 4,5 bilhões de volume médio diário, 432 companhias listadas, e relação valor de mercado/ PIB de 79%. Para 2015, continuaremos crescendo. Pelo menos 600 empresas terão capital aberto, com o volume médio diário de negociação de R$ 8 bilhões. A relação valor de mercado/PIB chegará a 110% (nível semelhante ao norte-americano, hoje em 90% após a crise). A diversificação de setores na bolsa continuará, com o forte desenvolvimento do mercado de aluguel de ações, de produtos mais sofisticados (sobretudo na área de commodities), e de derivativos de ativos internacionais.

Para quem duvida dos números ambiciosos, uma dica: 2015 é o ano seguinte de uma Copa do Mundo e o anterior a uma Olimpíada no Brasil. Quem apostaria nisso em 2006?



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Tags:  Investimentos Fundos de investimento Research Encontrou algum erro? Envie um e-mail



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4 comentários

Feb 08, 2015

Gostei muito da sua matéria, Alexandre. Estamos em 2015 antes do carnaval. Faço análise técnica, de forma não profissional, só para mim mesmo, e te digo que acho que o ibovespa em 2015 vai surpreender muita gente. Estamos, agora em fechamento de 6 de fevereiro, numa lateralização muito grande mostrando forte consolidação. Analisando o volume continuado podemos notar que o volume está subindo, de forma bastante e notoriamente divergente dos preços, tanto no IBOV, petrobras, vale, itub, bbas. Depois do carnaval, minha aposta é que ibovespa deve disparar em busca dos 62 mil pontos ainda em 2015, deixando muita gente de cabelo em pé. Sua análise é sensacional, gostei muito mesmo. Embora ninguém tenha bola de cristal e ninguém saiba do futuro o que vale é análises com fundamento, sensatas e a sua deu um show nesses quesitos. Análise sem aposta objetiva não tem sentido de ser. Parabéns !


Dec 15, 2014

Compreendo seu ponto de vista, porem acredito que deve ser considerado o valor das ações da Petrobras hoje (15/12/2014), ver também que o Sete Brasil não esta nada bem, o BNDES não esta mais garantindo fundo algum para eles e o dólar esta alto. Não vou nem comentar o valor que o barril esta, pois esta em queda também. Final de ano chegando, empresas retendo dinheiro por estar entrando em uma zona desconfortável, você sendo otimista ou não, seus números não aponta para a realidade comercial que vivemos hoje. Minha humilde opinião. Obrigado pelo espaço.


Dec 09, 2014

vc e do PT???


    Feb 08, 2015

    Seu comentário é descabido.



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